quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fonte Mourisca


Na realidade, é a Fonte dos Amores, tão antiga ... data da ocupação árabe da e na região de Santarém.

Enquadramento
Rural, vale.
A fonte, adossada a um pano de muralha coroado por merlões, ergue-se ao fundo de uma íngreme calçada, no vale de Mont'Irás, rodeada por vegetação frondosa.
À sua frente um largo empedrado e uma escadaria, rasgada na encosta.
Um patamar rasgado por 3 degraus vence o desnível entre a fonte e o largo.

Descrição
Planta quadrangular; massa simples coberta por terraço.
As 3 faces da fonte são rasgadas por arcos quebrados, com uma arquivolta assente em meias colunas de capitéis vegetalistas; em 2 das enjuntas das faces O. e S. 2 pedras de armas - o escudo português e as armas antigas de Santarém; uma cachorrada em forma de quilha de barco, encimada por renque de merlões ponteagudos, remata o conjunto.
No interior, na parede fundeira, um nicho em arco quebrado com molduração idêntica à dos arcos que rasgam as faces da fonte, de onde jorra a água para um tanque que ocupa todo o seu interior; cobertura em abóbada de cruzaria sobre colunas embebidas de capitéis vegetalistas. Do tanque interior a água passa a um tanque exterior, de planta rectangular e de maiores dimensões, também encostado à muralha.

Cronologia
Séc. XIV - data provável de construção, inserida na reformulação do perímetro muralhado, no reinado de D. Fernando

Tipologia
Arquitectura infraestrutural, gótica.
Fonte em forma de alpendre, rasgado por arcos quebrados, descarregando sobre colunas com capitéis vegetalistas; cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas.
Na vila antiga de Ourém existe uma fonte idêntica, mandada construir por D. Afonso, conde de Ourém, em 1435.
[Na realidade, como se pode constatar pela imagem, nada tem de semelhante. Nada mesmo.]

Características Particulares
A diferença de aparelho entre o corpo da fonte, de cantaria, e o remate, em alvenaria
*1. Dimensões e forma anómalas dos merlões que coroam tanto o alpendre da fonte como a muralha à qual se adossa

(fonte: IHRU)

2 comentários:

António José Alves disse...

Boa tarde. Estando certamente a maçar venho por este dizer que a Fonte das Figueiras nada tem de mourisca sendo, pelo contrário, bem gótica. Aliás este é dos pouquíssimos exemplos de arquitectura civil pública de que Portugal é tão parco. lá temos um ou outro exemplo em Ourém, Atouguia da Baleia e um edificio a norte para reunião de homens bons e cisterna,a Domus Municipalis. As lendas da mouras atravesam todo o Ribatejo e porque não dizê-lo, todo o País. Esta zona está mais exposta a isso dado que eram os campos da Balata, a zona agrícola considerada mais rica. Mas até ao momento nada de muçulmano, tirando alguns silos no Largo do Seminário, em frente aos CTT e pouco mais. Muito obrigado e boa tarde.

Sigillum disse...

Boa noite,

Não maça nada.

Tendo em conta a sua opinião, ainda assim reafirmo que aquela fonte é de inspiração árabe. O povo, na sua generosa memória, manteve um dos nomes: Fonte Mourisca.
Um escavação arqueológica do local, assim o comprovará, considerando que imediatamente anexo, encontraram-se construções com materiais claramente arábes.

Saudações, e disponha