quarta-feira, 9 de março de 2011

Ermida Moçarabe de São Gião



Arquitectura religiosa, visigótica, românica. Igreja com 3 naves e transepto, ábside de planta quadrangular, coberta por abóbada de berço, iconóstase, coro-alto.
Igreja de nave única, com iconóstase, transepto, ábside, celas monacais dos 2 lados da nave.
Segundo estes autores, a igreja foi construída no Séc. VII, integrando-se estilisticamente na arte visigótica, pelo tipo de decoração das impostas e frisos (que surge também em San Juan de Baños e São Frutuoso de Montélios), pelo uso do arco ultrapassado apenas em 1/3 do raio, pelas dimensões dos vários espaços idênticas às de outras igrejas visigóticas (São Pedro de Balsemão), mostrando a iconóstase influência bizantina. Para Ferreira de Almeida a igreja integra-se num período mais tardio, já de influências moçárabes (Séc. X): o espaço interno muito fechado, centrado em torno do cruzeiro (distinto do espaço mais aberto da arquitectura visigótica), a existência de tribuna elevada sobre a porta, a entrada adintelada com arco de descarga, a solução adoptada na iconóstase, os arcos peraltados e não ultrapassados, os capitéis, o desenho e o recorte dos elementos decorativos (palmetas e acantos), as fortes impostas de acentuada molduração e as possíveis arcadas cegas da capela-mor (cujo arranque é visível junto aos alicerces) são indícios que apontam para a época da reconquista.
Para Manuel Nuñez Rodriguez, trata-se de uma igreja monástica que dispunha, entre a nave e um suposto coro-alto, de uma porta e 2 janelas segundo disposição que vai dar à base orientativa da tripla abertura observada futuramente na Igreja de São Julião de los Prados, nas Astúrias. Esquema que marcaria a separação entre o espaço monástico e o ponto de acolhida aos fiéis.

Descrição
Planta rectangular; volume simples coberto por telhado de 2 águas.
Fachada principal virada a NO., com empena triangular, rasgada por porta de vão rectangular, com lintel encimado por arco a meio ponto adintelado, rematado por fresta; na fachada oposta reconhece-se o arranque de uma abóbada a berço rebaixado, contornando um arco ultrapassado cujo vão está tapado com tábuas; na parede O. rasga-se uma fresta e um nicho, adossando-se à parte terminal uma armação em madeira, protegendo a dupla arcada aí posta a descoberto.
O interior, com tecto em madeira com travejamento à vista, é dividido por uma parede transversal que sobe até ao telhado, em que se rasgam 3 arcos peraltados, uma porta e 2 vãos laterais assentes em muretes, a c. de 1m do primitivo pavimento (a iconóstase), com uma abertura quadrangular perto do telhado; nas paredes laterais do transepto arcos duplos peraltados, apoiando-se em coluna monolítica central e lateralmente em impostas, com relevos (quadrifólios e SS); na parede NO. rasga-se o arco peraltado, que dava acesso à capela-mor, quadrangular (cujos alicerces foram descobertos nas escavações) assente em impostas, com palmas esculpidas.
No chão distinguem-se restos de um pavimento em "opus signinum".

Enquadramento
Rural. Insere-se numa exploração agrícola, adossado a outro edifício mais recente, a cerca de 600 m do mar, numa língua de terra arável, entre o areal e uma encosta rochosa.

Época Construção
Séc. VII ou X

Cronologia
Séc. VII - data provável de construção, talvez sobre templo romano pré-existente (dedicado a Neptuno) ou pelo menos com aproveitamento de material romano;
Séc. X - data de construção. A igreja esteve ao culto até época recente, atendendo aos testemunhos arqueológicos encontrados nas escavações;
1962 - descoberta por Eduíno Borges Garcia;
1997 - aquisição do monumento e terrenos adjacentes pelo Ministério da Cultura / IPPAR.

Observações
A igreja situava-se outrora na margem da lagoa da Pederneira, entretanto assoreada. * A ZEP inclui uma área "non aedificandi".

(fonte: IHRU)

2 comentários:

HERMINIA disse...

Adorei as fotos. Obrigado. Bom trabalho.

Sigillum disse...

Muito obrigada