domingo, 7 de março de 2010

D. Frei Papinhas - a explicação


São poucas as palavras amargas que se possam tecer à tríade:

D. Manuel, D. João III e D. Frei António de Lisboa - Prior (des)Reformador do Convento de Cristo.

Sucede que, o designado, D. Frei António de Lisboa era filho natural de D. Manuel, e por tal, irmão ou mais concretamente, meio-irmão de D. João III.

Quem, textualmente, o afirma é Fr. Jacinto de S. Miguel, e não serei eu - que considero a mais óbvia das razões para tanta similitude e sumptuosidade - a negá-lo!

Na realidade, explica tudo.

6 comentários:

scaliburis disse...

Realmente foi um trio de triste memória. Não vou aqui estender o lençol. Só quero aqui relembrar que seguindo os ciclos naturais da História podemos dizer que eles estão de volta. Principalmente o frei Papinhas!... :)

Sigillum disse...

Nem mais, Frei Papinhas II! :)

simon disse...

Boa noite. Não será, porventura, muito justo, incluir D. Manuel como elemento pertencente a uma tríade de triste memória. O rei D. Manuel tentou alargar a igreja do convento à custa da demolição da Charola e terá sido convencido do contrário pelos seus conselheiros e aceitou as suas recomendações. A igreja que mandou construir, ou melhor, a ampliação da igreja tevem em linha de conta o caminho público que passava nos arrabaldes de S. Martinho ou seja a zona para onde dá a conhecida janela da Sala do Capítulo. Dotou um conjunto de igrejas da Ordem com alfaias religiosas como foi o caso da Igreja de Santa Mria do Olival e isto ainda no século XV. O seu filho é que vai alterar o programa construtivo e os instrumentos de poder mas só de pois de morrerem os homens de confiança do rei seu pai. De todos a pessoa de que tinham mais medo era D. Diogo Pinheiro já que de Frei Diogo do Rego não lhes fez grande frente. O rei Manuel cortou algum do poder que a Ordem de Cristo tinha na capital pois tal poder poderia ser um óbice à governação. Não nos esqueçamos que seu irmão, D. Diogo foi morto por D. João II por, digamos, excesso de poder e ele, Manuel, duque de Beja e mais tarde, rei de Portugal, sabia o enorme poder que o mestre da Ordem detinha. A isso não será alheio aquela referência testamentária dizendo que a Ordem de Cristo nunca deveria sair das mãos reais. Conselho sensato. O que o filho fez bem como Frei António de Lisboa, alegado meio-irmão de D. João III já são processos de intenções e atitudes diferentes das posições tomadas por el-rei D. Manuel. Muito obrigado.

Sigillum disse...

Eu é que agradeço, Caro Simon.

Permita que lhe diga que, D. Manuel não era de forma alguma um personagem romântico e bem intencionado. Sucede que a tomada temporal e espiritual da Ordem de Cristo, foi uma estratégia bem delineada e planeada por D. Manuel, mais ainda considerando todos os antecedentes que invocou.

Desculpe, D. Manuel não só fazia parte da tríade, como foi o grande estratega, transpondo para a realidade siciliana: o Padrinho.

Cumprimentos

António José Alves disse...

Olá, boa noite.
Julgo que aqui não é o caso de fazer parte de uma tríade. Trata-se de uma questão de poder e da sua aplicação como monarca. A Ordem de Cristo tem de facto muito poder, ainda mais graças à regência de D. Henrique. É esse poder que mata D. Diogo. Este morre por ser duque ou por ser Mestre da Ordem de Cristo? Certo é que estava à frente de um plano de revolta contra D. João II. Quando o monarca dá a regência a D. Manuel é uma forma de manter a Ordem calma pois terá à frente alguém que sabe quanto custa uma revolta. Mas é alguém que também sabe quanto vale aquela Ordem. Quando D. Manuel sobe ao trono, já não tem a percepção, mas antes a certeza, do poder que por ali passa, dado que é regente da mesma há 11 anos. O rei não pode ser desautorizado e esta Ordem pode ajudar um rei ou condená-lo. Opta então por lhe cortar um pouco do seu poder na capital. Este poder na capital era recente dado que os Templários não foram grandes fundiários em Lisboa mas mais nas antigas zonas de marca. A Ordem de Cristo na expansão não faz grande coisa, mas servirá num futuro próximo para obtenção de benesses. A componente militar há muito que estava aniquilada. Agora quase que só era honorífica. Mas apesar disso detinha poder e isso não pode ser tolerado num Estado que se está a modernizar.Aliás as Ordenações Manuelinas provam isso mesmo entre outras formas públicas como os pelourinhos manuelinos. E esta centralização de poder já vinha, de uma forma muito visível, dos tempos de D. João II e era mesmo mais anterior. O rei D. Manuel encarna muito naturalmente essa corrente de centralização que começa a percorrer a Europa. A Ordem mantém todos os privilégios mas tem realmente que obedecer (conforme consta no normativo) ao Mestre ou governador/administrador e é isso que vai acontecer. Ainda estamos longe da pequena "rebelião" de 1566. Muito obrigado e boa noite. Finalmente blogs a sério e não brincadeiras. Muito obrigado.

Sigillum disse...

Boa noite, antes do mais permita-me agradecer-lhe as suas amáveis, depois e ainda que discordando de si, o qual já de seguida tratarei de fundamentar, ter tido a gentileza de aqui expressar a sua opinião.

Quanto à súmula, tendo em conta que é extensa, e a caixa de comentários permite apenas o máximo de 4,096 caracteres, irei replicar-lhe em artigo.