sábado, 6 de agosto de 2011

Deusa Abelha ou Abelha Rainha

Enquanto símbolo/representação da Deusa Mãe.


As abelhas, como todos os insectos que fazem casulos ou tecem teias, servem como imagens da interligação miraculosa que é a vida.

A intrincada estrutura celular que segrega a essência de ouro da vida, é a imagem da interacção invisível da natureza que se relaciona tudo entre si num padrão ordenado e harmonioso.

Talvez seja este o significado da lenda que refere que Zeus, enquanto bébé, foi alimentado em Creta com mel, e pode ser também a razão pela qual o mel era o néctar dos deuses.

Além disso, a abelha, seguindo o seu instinto natural para polinizar as flores e colher o néctar, que será transformado em mel, é um exemplo de actividade contínua e necessária do ser humano para apanhar as colheitas e transformá-las em comida.
A abelha rainha, a quem todas as outras serviam durante a sua breve vida, foi, no Neolítico, uma epifânia da própria Deusa.

A apicultura, em si, foi amplamente praticada no mundo antigo.

Abelhas e apicultura, são frequentemente retratadas em obras de arte antigas.
Em 2007, foram encontrados no norte de Israel restos de antigos favos de mel, cera de abelhas e colmeias intactas, que provam que a apicultura era praticada há 3.000 anos.
A Bíblia refere-se a Israel como a "terra do leite e do mel", mas nenhuma menção foi feita à cultura de abelhas.
Com esta descoberta ficou provado que houve, de facto, uma indústria apícola altamente desenvolvida na Terra Santa.

Existe uma relação entre a abelha rainha, a Deusa e as suas sacerdotisas; que se apresentavam vestidas de abelhas, na Creta minóica de há 4.000. A Deusa e as suas sacerdotisas - vestidas como as abelhas, dançam juntas num selo de ouro encontrado num túmulo.
Em Creta, a abelha significou a vida que vem depois da morte, idêntico ao significado do escaravelho no Egipto.
Provavelmente por tal razão, o selo terá sido colocado no túmulo.

A deusa das abelhas, figura no centro descendo à terra, entre cobras e lírios, é adorada pelas suas sacerdotisas, que tomam a mesma forma que ela, todas levantando as "mãos" no gesto típico de epifânia.

O mel foi também utilizado para embalsamar e preservar os corpos.

O mel desempenhou ainda um papel principal nos rituais de Ano Novo do minóicos.

O Ano Novo cretense tinha início no solstício de verão, quando o calor estava no seu auge, e o dia 20 de Julho era o dia em que a grande Estrela Sirius entrava em conjunção com o Sol, como acontecia na Suméria e no Egipto.
Tanto na Suméria, como no Egipto, Sirius era a estrela da Deusa (Innana na Suméria, e Isis no Egipto).
Os templos-palácios em Creta foram orientados na direcção da Estrela.
O surgimento de Sirius punha fim a um ritual de 40 dias, durante o qual o mel era recolhido das colméias na escuridão das cavernas e dos bosques. O mel era então fermentado em hidromel e bebido como bebida inebriante, acompanhando os ritos de êxtase que podem ter comemorado tanto o regresso da filha da Deusa como o início do novo ano - como também pode ser o caso do selo de duplo machado.

Todos estes ritos estão presentes nos mitos gregos clássicos de Dionísio - ele mesmo originário de Creta e designado como: Deus Touro.
Era sacrificado um touro aquando do aparecimento da estrela Sirius, e as abelhas eram vistas como a forma ressuscitada do touro morto, bem assim como das almas dos mortos.
Este festival era dedicado ao aprecimento de Sirius, que dava início ao novo Ano, foi elevado ao nível de um mito de 'Zoe' (vida indestructível): o despertar/ressuscitar de abelhas a partir de um animal morto.

A importância da apicultura para os minóicos está documentada em desenhos de colméias reais, testemunhando uma longa história que pode ser traçada até ao Neolítico.
A gema ônix de Knossos mostra a Deusa Abelha ostentando sobre a sua cabeça os chifres do touro com o machado duplo dentro da sua curva. Os cães - mais tarde os cães do mundo subterrâneo pertencentes a Hécate e Artémis - têm asas e a voam tão perto da deusa, que as suas asas, à primeira vista, parecem ser dela.
Este intenso drama de epifânia, sugere que o zumbido da abelha foi, de facto, ouvido como a voz da deusa, no: Som da Criação, de Virgílio, este descreve os sons de uívos e batimentos utilizados para atrair um enxame de abelhas:

Batem os címbalos da Grande Mãe.

Os túmulos de Micenas eram em forma de colméias, assim como o omphalos em Delfos no período clássico, onde Apollo governou com a sua sacerdotisa oracular, a Pitonisa, à qual era dado o nome de: Abelha de Delfos.

No Hino homérico ao Hermes grego, escrito no Séc. VIII A.C., o deus Apolo fala das três videntes do sexo feminino como três abelhas ou abelhas-virgens que, como ele, praticavam a adivinhação:

Há algumas irmãs Moiras nascidas,
virgens as três, adornadas com asas velozes.
As suas cabeças estão polvilhadas com farinha de cevada,
com vento fazem as suas casas sob as falésias do Parnaso.
Ensinaram adivinhação longe de mim, a arte é utilizada para
reunir o meu gado enquanto ainda são infantes.


Estas sagradas abelhas-virgens com o dom da profecia, eram para ser o presente de Apolo a Hermes - o deus que sozinho podia guiar a alma dos mortos para fora da vida e algumas vezes trazê-las de volta...

A etimologia do termo "destino" (em grego), dá um exemplo fascinante de como o génio visionário Minóico entrou na língua grega, muitas vezes de forma visível, bem assim como transmitindo as suas histórias de deusas e deuses.

A palavra grega para "destino", "morte" e "deusa da morte é "e ker" (no feminino), a palavra para coração e seio é "to ker" (neutro), ao passo que a palavra para favo de mel é "a kerion" (neutro).
A ligação comum à raiz "ker" - favo de mel, deusa, morte, destino e coração humano, dá-nos um nexo de significados perfeitamente compreensíveis se tivermos em conta que a Deusa foi considerada uma abelha.

(continua)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Remembrance

Aghia Triada, Meteora, Hellas


Nekromanteion de Éfira, Acheron

O Nekromanteion mais famoso (ou nekyomanteion), ou Oráculo dos Mortos, do mundo grego antigo encontra-se perto das margens a noroeste do Lago Acherousian, onde Acheron e Kokytos, os rios de Hades, se encontram.

Santuário de Perséfone e Hades.

O Oráculo dos Mortos.

Fontes literárias antigas descrevem o Lago Acherousian como o lugar onde os mortos começaram a sua descida ao Hades, e associam Ephyra, a cidade Epirota localizada mais a norte, com o antigo culto do deus da morte.

O Nekromanteion atraiu as pessoas que desejavam conhecer as almas dos mortos, considerando que estas eram capazes de prever o futuro após terem deixado o respectivo corpo.

Homero fornece a referência mais antiga ao Nekromanteion de Acheron, na Odisséia, quando Circe aconselha Ulisses a encontrar-se com Tirésias, o vidente cego, no submundo, a fim de obter um oráculo para o seu regresso a Ítaca. Homero fornece ainda um relato claro da descida do Odisseus ao Hades. Outros heróis gregos também teram tentado a sua descida ao Hades: Orfeu tentava trazer de volta a sua amada Eurídice, Hercules procurava Cerberus - o cão de três cabeças que guardava a saída do Hades - que o rei Eristeias havia exigido, e ainda Teseu em conjunto com Peirithos a fim de agarrarem Perséfone.

As ruínas do verdadeiro Nekromanteion datam do período helenístico. Englobam o edifício principal do santuário, eriguido no início do período helenístico (final do Séc. IV - III A.C.), e um anexo do final do Séc. III A.C., que consistia de um pátio central rodeado por salas e armazéns. O santuário foi gerido desta forma durante cerca de duzentos anos, mas foi incendiado e deixou de funcionar após a conquista romana da Macedónia em 167 A.C.
O pátio do santuário foi ocupado, uma vez mais, no Séc. I, quando os colonos romanos chegaram à planície de Acheron.

O Agios Ioannis Prodromos e o seu cemitério foram estabelecidos sobre as antigas ruínas já no início do Séc. XVIII.

O Nekromanteion de Acheron foi o primeiro santuário e oráculo dos deuses do submundo a ser trazido à luz.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

433 anos, da Batalha de Alcácer-Quibir

1578, Al Qasr al-kibr

As ligações de Portugal ao norte de África, foram sempre fortes, antigas e profundas.
Não se tratavam, ou tratam, de ligações meramente políticas, económicas ou até sociais, são ligações de Raiz.

D. Sebastião não foi um aventureiro, um tonto ou um tolo como muitas e muitas vezes foi apelidado. Nem tão pouco pretendia tão só ou somente dar cumprimento às questões estratégicas de defesa e expansão das praças portuguesas no norte de África, ou dos interesses económicos ou políticos portugueses.
Todo um conjunto de questões não visíveis estiveram no âmago das decisões em avançar.

433 anos ... parecerá sempre ontem ...

A verdadeira história ainda está para ser contada. Mas há factos, factos que vão sendo apurados, coligidos e colocados em cima de uma mesa como se de uma manta de retalhos se trata-se.

Muitos desses factos são contados através de relatos indirectos; é o caso da "confisão" de Geraldo Simões no "auto-de-fé" contra o mesmo movido pela inquisição nos seguintes termos:

Nome: Geraldo Simões
Estatuto social: cristão-velho
Idade: 27 anos
Crime/Acusação: maometismo
Cargos, funções, actividades: militar
Naturalidade: Crespos, Braga
Pai: Simão Gonçalves de Nogueira, lavrador
Mãe: Isabel Pires
Data da prisão: 31/07/1585
Sentença: auto-de-fé privado de 09/08/1585. Abjuração de leve, penitências espirituais, que não voltasse à terra dos mouros sem licença da Mesa, pagamento de custas.
O réu fez parte do exército de D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir onde foi feito prisioneiro.

Geraldo Simões tinha à data da Batalha 19 anos.

Eis a "confissão" de Geraldo Simões; um relato na primeira pessoa.

Jogralando Al-Andalus

1147

Trata-se de uma tese de mestrado em História Medieval:

1147, uma conjuntura vista a partir de fontes muçulmanas.

Não concordando com conclusões e/ou análises da autora, não deixo de considerar que se trata de um documento interessante para a "leitura" dos acontecimentos de então.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Distinção



Não nos tornamos um com Deus.
Mantemos a nossa distinção, a
nossa individualidade,
enquanto colaboradores com Deus.


- Harold Klemp, Amor - A Chave da Vida


Fostes agredida, mas ainda aí estás
Desproveram-te de símbolos
Mas tu, ainda aí estás

O Tempo passou
Passou por ti, passou por Todos
Os Corpos passaram por ti
Mas, tu, ainda aí estás

Tens o meu Respeito
Saúdo-te