quarta-feira, 3 de agosto de 2011

433 anos, da Batalha de Alcácer-Quibir

1578, Al Qasr al-kibr

As ligações de Portugal ao norte de África, foram sempre fortes, antigas e profundas.
Não se tratavam, ou tratam, de ligações meramente políticas, económicas ou até sociais, são ligações de Raiz.

D. Sebastião não foi um aventureiro, um tonto ou um tolo como muitas e muitas vezes foi apelidado. Nem tão pouco pretendia tão só ou somente dar cumprimento às questões estratégicas de defesa e expansão das praças portuguesas no norte de África, ou dos interesses económicos ou políticos portugueses.
Todo um conjunto de questões não visíveis estiveram no âmago das decisões em avançar.

433 anos ... parecerá sempre ontem ...

A verdadeira história ainda está para ser contada. Mas há factos, factos que vão sendo apurados, coligidos e colocados em cima de uma mesa como se de uma manta de retalhos se trata-se.

Muitos desses factos são contados através de relatos indirectos; é o caso da "confisão" de Geraldo Simões no "auto-de-fé" contra o mesmo movido pela inquisição nos seguintes termos:

Nome: Geraldo Simões
Estatuto social: cristão-velho
Idade: 27 anos
Crime/Acusação: maometismo
Cargos, funções, actividades: militar
Naturalidade: Crespos, Braga
Pai: Simão Gonçalves de Nogueira, lavrador
Mãe: Isabel Pires
Data da prisão: 31/07/1585
Sentença: auto-de-fé privado de 09/08/1585. Abjuração de leve, penitências espirituais, que não voltasse à terra dos mouros sem licença da Mesa, pagamento de custas.
O réu fez parte do exército de D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir onde foi feito prisioneiro.

Geraldo Simões tinha à data da Batalha 19 anos.

Eis a "confissão" de Geraldo Simões; um relato na primeira pessoa.

Jogralando Al-Andalus

1147

Trata-se de uma tese de mestrado em História Medieval:

1147, uma conjuntura vista a partir de fontes muçulmanas.

Não concordando com conclusões e/ou análises da autora, não deixo de considerar que se trata de um documento interessante para a "leitura" dos acontecimentos de então.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Distinção



Não nos tornamos um com Deus.
Mantemos a nossa distinção, a
nossa individualidade,
enquanto colaboradores com Deus.


- Harold Klemp, Amor - A Chave da Vida


Fostes agredida, mas ainda aí estás
Desproveram-te de símbolos
Mas tu, ainda aí estás

O Tempo passou
Passou por ti, passou por Todos
Os Corpos passaram por ti
Mas, tu, ainda aí estás

Tens o meu Respeito
Saúdo-te


Durante as noites, no meu leito, busquei aquele que o meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar.

Vou levantar-me e percorrer a cidade, as ruas e as praças, em busca daquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar.

Os guardas encontraram-me quando faziam sua ronda na cidade: Vistes acaso aquele que meu coração ama?

Mal passara por eles, encontrei aquele que meu coração ama. Segurei-o, e não o largarei antes que o tenha introduzido na casa de minha mãe, no quarto daquela que me concebeu.

(...)

Saí, oh filhas de Sião, contemplai o rei Salomão, ostentando o diadema recebido da sua Mãe no dia das suas núpcias, no dia da alegria do seu coração.


- Cântico dos Cânticos

domingo, 31 de julho de 2011

Aos amigos Sufi

Na Celebração do Ramadão


Sou como um viciado em ópio
Em meu anseio por um estado sublime,

Por aquele solo de Nada Consciente
Onde a Rosa desabrocha
Sempre.

Veja, o Amigo
Fez-me um grande favor
Arruinou a minha vida completamente;

O que esperava
Que ver Deus causaria?

Das cinzas dessa moldura partida
Há um filho nobre em crescimento ansiando pela morte,

Pois,
Desde que nos encontrámos pela primeira vez, Amado,
Tornei-me um estrangeiro

A todos os mundos,
Excepto àquele
No qual existe apenas Você
Ou – Eu.

Agora que o Coração guardou
Aquilo que jamais pode ser tocado
A minha subsistência é Desolação Abençoada,
E dali eu clamo por mais solidão.

Eu sou solitário.
Sou tão solitário, querido Amado,
Pois Deus é a quintessência da solidão,
O que é mais solitário do que Deus?

Hafiz,
O que é mais puro e mais solitário,
Magnificentemente Soberano,
Do que Deus?


- Hafiz

Tau'ma - Didymus

Tomás ou Tomé pregou junto de muitos e diferentes povos. Nomeadamente, os Partos, os Medos, os Persas, em Hyrcania e Bactria.

Acredita-se que por último tenha rumado à Índia e aí ficado (o seu apostolado é mencionado por Efrém da Síria, pelo abençoado Jerónimo, e outros) que, devido à sua sua vida santa, obteve muitos seguidores, e os cristianizou. Razão pela qual é dito que teria provocado a ira do rei idólatra, o qual o condenou a ser trespassado com lanças. O seu apostolado ficou marcado pelo martírio.

Deu-se a cerca de 12km de Madras, no grande monte na costa de Coromandel (denominado Calamina), é o local tido como o da sua passagem.

Tomé tem um papel importante na lenda do rei Abgar V de Edessa (Urfa), por ter enviado Tadeu de Edessa a pregar na cidade mesopotâmica (hoje síria) de Edessa após a sua passagem/ascensão.

A tradição mantida pela igreja de Edessa afirma que Tomé é o Apóstolo da Índia, gerando inúmeras lendas também atribuídas a S. Efreu, copiadas em códices dos Sécs. VIII e IX.

As lendas preservam a crença de que os ossos de Tomé foram transportados da Índia para Edessa por um mercador, e que as suas relíquias operaram milagres tanto na Índia, quanto em Edessa. As tradições tomasianas ganharam corpo na liturgia siríaca.

De Edessa as suas relíquias foram transportadas para Chios no mar Egeu, e mais tarde para Ortona em Abruzzi, onde aparentemente ainda hoje se encontram, e onde são veneradas pelos fiéis.

Gémeo