domingo, 10 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Nossa Senhora da Abadia



Diz a lenda que no mosteiro do Bouro, na capela de São Miguel da Abadia, ficou somente um monge eremita de hábito negro, da ordem de São Bernardo.
Os outros religiosos abandonaram o Mosteiro durante as guerras com os árabes.
Um fidalgo da corte foi juntar-se ao eremita solitário. O fidalgo queria afogar a tristeza causada pela morte da sua esposa.
Em certa noite, os dois religiosos viram aparecer na garganta da serra, uma luz misteriosa e viva.
Correram logo para aquele lugar e encontraram uma imagem da Virgem, esculpida em pedra.
Resolveram construir ali uma capela.
Outros solitários uniram-se a eles, e começaram a construir uma Abadia.
Dom Afonso Henriques, em 1148, engrandeceu a Abadia, concedendo-lhe muitas rendas e o senhorio do Couto do Bouro.
Mais tarde os monjes, já professos, sentido que o local da Abadia era muito áspero e desabrigado, resolveram construir mais adiante aquilo que é hoje o actual Convento.
Foi então que confirmaram o milagre da Virgem.
Por mais esforço que fizessem, a imagem não se mantinha no novo convento, reaparecendo sempre na Abadia.
Hoje, ao fundo de um grande largo, com alpendres avarandados, está o templo de Nossa Senhora da Abadia, e na sua frontaria, em oratório, protegida por grades de ferro fica a imagem da Virgem.
A cada dia 15 de agosto, aí acorrem numerosos romeiros, que assistem à missa de joelhos, espalhando-se pelo grande largo, alpendres e arcadas.
- Lendas de Portugal
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Fr. Rogério Flor
Roger la Flor
Roger la Flor, 1ª parte
Roger la Flor, 2ª parte
Homem intrépido, sagaz e lutador; um Robin Wood dos Mares.
Como era folgazão e bem disposto, deram-lhe a alcunha de: Jolly Roger.
O Irmão Rogério, adoptou como pavilhão:

quarta-feira, 6 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Do primeiro Capitão Donatário da Ilha de Santa Maria e S. Miguel

- Historia InsulanaO primeiro Capitão foi o muito illustre, e famoso fidalgo Frei Gonçalo Velho Cabral, Commendador de Almourol da Ordem de Christo, e senhor das terras de Pias, Bezelga, e Cardiga, na jurisdicção do Thomar; chamava-se por antonomásia o Famoso, pelas famosas acções que obrou, acompanhando aos Reis de Portugal na conquista de Africa; porque os Commendadores professos da Ordem de Christo, ainda então não casavão, e el-rei D. Manoel foi o primeiro que lhes alcançou dispensa para casarem: Frei Gonçalo (que antes florecera) nunca casou; e como descubrio a Ilha de S. Miguel, diremos abaixo tratando d'ella; consta porém que a ambas governou com tanto valor, prudencia, e brandura, que de todos foi sempre muito obedecido, e amado.
Depois vendo-se já velho o dito Fr. Gonçalo, e que comsigo tinha trazido para a Ilha a dous sobrinhos, ainda meninos, Nuno Velho de Travassos, e Pedro Velho de Travassos, filhos ambos daquelle grande fidalgo Diogo Gonçalves de Travassos, e da irmã delle, Capitão: Violante Cabral, e que ambos erão já homens capazes, e muito aptos para governar, resolveo-se voltar a Lisboa, como voltou, e pedio ao Infante D. Henrique lhe confirmasse a renuncia que queria fazer das duas Capitanias das Ilhas de Santa Maria, e São. Miguel nos ditos dous seus sobrinhos; porém como na casa do Infante tinha ficado outro sobrinho de Frei Gonçalo, filho de outra sua irmã D. Tareja Velho Cabral, e do fidalgo da casa dos Soares de Albergaria; e este sobrinho tinha feito grandes serviços ao Infante, que o estimava muito, e inclinava para elle, o mesmo foi saber isto Frei Gonçalo, que renunciar as Capitanias ambas no sobrinho João Soares de Albergaria, e aos mais sobrinhos repartir a Commenda, e senhorios de terras que mais tinha, e tudo approvou o Infante com especial agrado, e confirmou por carta patente que veremos.
A este primeiro Capitão Donatário das Ilhas de S. Maria, e S. Miguel passou o infante o Alvará seguinte, que diz assim no seu antigo modo de fallar:
«Eu o Infante D. Henrique, Duque de Vizeu, senhor da Covilhã, etc, mando a vós Frey Gonçalo Velho, meu Cavalleyro, e (Capitão por mim em minhas Ilhas de Santa Maria, e São Miguel dos Açores, que tenhais esta maneyra suso escrita, acerca da justiça, e feitos civeys. Vós mandareys aos Juizes das terras, que oução as Partes que em litigio forem, e as mandem vir perante si, e lhes facão cumprimento de direito; e se das sentenças que os Juizes derem, quizerem appellar, appellem para vós, e vós confirmareis as sentenças dos Juizes, ou as corregey, qual virdes que he direyto; o se de vossa sentença elles quizerem appellar, vós lhes não recebereis as appellações, nem lhes dareis, salvo estromento de aggravo, ou carta testimunhavel para mim com vossa reposta: e eu então denunciarey o que vir que he direyto, e vos mandarey o que façais: porém vós não deixeis de mandar executar as ditas sentenças, posto que com os estromentos, ou cartas testimunhaveis a mim venhão. E se for em feyto o crime, em que algum, ou alguma fação o que não devem, e mereção pena de justiça, vós manday prender, e apenar em dinheyro, e degradar para onde vos prouver, e açoutar manday aquelles que o merecem, sem dardes para mim appellação. E se for feyto tão crime, perque mereção morte, ou talhamento de membro, vós mandareys aos Juizes que dem a sentença, e o julguem, e da sentença que derem, appellarão por parte da justiça, e inviarão a mim a appellação, e de mim irá cá casa d'el-rei meu Senhor, e eu vos enviarey a denunciação que de lá vier. Outrosi avisareys aos moradores d"essas Ilhas, que não vão com nenhum aggravos, nem appellações, nem estromentos, nem cartas testimunhaveis a outra justiça, senão a mim, ou a meus Ouvidores, por que a jurisdicção toda he minha, civel, e crime, e de mim irão as appellações das mortes dos homens, e talhamentos dos membros á casa d'el-rei meu Senhor, por que vós, nem outro algum Capitão, não tem poder de matar, nem de mandar talhar membro: e nos outros casos vós tende a maneyra susodita:
e quem quer que o contrario fizer, e em esto usurpar minha jurisdicção, pagará por cada vez, e cada hum, mil réis para minha Chancellaria.
E outrosi se o Tabeliião de si errar em seu officio por falsidade, vós o suspendereys do officio, e me fareis a saber o erro, como he, e vos eu mandarey a maneyra que tenhais. E outrosi sereis avisado, que se a essa ilha forem Diogo Lopes, e Rodrigo de Bayona, sem vos mostrarem minha licença, que os prendays, e tenhays bem prezos, até m'o fazeres a saber, e vos mandar como façais, e m'os enviem prezos á minha cadea. E quanto he á inquirição que me cá enviastes, vós vede lá o feito, e o determinay, como virdes que he direyto, cumprindo todo assim, e pela guiza, que por mim he mandado, sem nel-o pordes outra briga, nem embargo, porque assim he minha mercê.
Feyta em minha Villa de Lagos a dezanove dias de Maio.
João de Gorizo o fez, anno do Nascimento do Senhor de mil e quatrocentos e setenta.»
Renunciadas pois as Capitanias pelo primeiro Capitão Frei Gonçalo, deteve-se este tanto em Portugal, que lá morreo sem tornar ás Ilhas; e jaz na sua capella da Igreja Matriz de N. Senhora da Assumpção da Villa do Porto.
Frei Gonçalo Velho
Frei Gonçalo Velho I
sábado, 2 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Igreja de São Martinho de Mouros

Planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais estreita, sacristia adossada à fachada lateral direita e torre sineira quadrangular na fachada principal, de volumes articulados e escalonados e disposição verticalista das massas, com coberturas diferenciadas em telhados de uma, duas e quatro águas. Fachadas em cantaria de granito aparente, percorridas por embasamento, com excepção da fachada E., rematadas em cornijas assentes em cachorrada, excepto na fachada O., onde a cobertura se apoia directamente no pano mural; no corpo da torre, o remate processa-se em banda lombarda, assente em cachorros com decoração zoomórfica, possivelmente cabeças de bovinos. As fenestrações ostentam vidros do tipo catedral. Fachada principal, voltada a O., constituída pelo corpo da torre, com a zona da sineira mais estreita e vazada por duas sineiras de volta perfeita, assentes em impostas salientes, em cada uma das faces, possuindo dois sinos de bronze; o corpo é escorado por dois contrafortes nos cunhais. É rasgado por portal axial escavado, em arco apontado, com quatro arquivoltas, envolvidas por uma faixa axadrezada, que assentamem três colunelos de bases simples e capitéis esculpidos com decoração vegetalista e zoomórfica; o tímpano assenta em impostas salientes e, dos ábacos dos colunelos, parte um friso, que se prolonga até aos contrafortes nos cunhais; sobre o portal, à altura do gume do arco, a espaços regulares, surgem quatro mísulas, que suportariam uma estrutura anterior, talvez um alpendre. Sobre o portal, uma fresta. Fachada lateral esquerda, virada a N., com quatro frestas estreitas, correspondendo, três delas, à nave, seccionada por um contraforte, e uma à capela lateral. O corpo da capela-mor tem duas fenestrações rectangulares e outra quadrada de reduzidas dimensões. Na última fila da cantaria mais antiga, silhar com inscrição. Fachada lateral direita, virada a S., composta por vários corpos, sendo o da nave rasgada por portal de verga recta, flanqueado por pilastras e entablamento, sobre o qual é visível o perfil de um antigo arco de volta perfeita; o portal está encimado por fresta rectilínea em capialço. No corpo da capela, é visível o vestígio de outro arco de volta perfeita e, no corpo adossado da sacristia, surge uma janela rectilínea em capialço e, na face O., uma porta de verga recta, encimado por janela semelhante à anterior. Na nave, surge um contraforte, ostentando uma estreita fresta. A fachada posterior, virada E., é cega, rematada em empena e encimada por cruz latina de pedra. Sobre esta é visível o corpo da nave, rasgado por um óculo com uma cruz pomeada vazada. INTERIOR em cantaria de granito aparente, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira de castanho, formando 49 caixotões e pavimento em taburnos de madeira. O corpo da torre é sustentado, por três arcos de volta perfeita, apoiados em altos pilares com capitéis esculpidos, o central bastante mais elevado, subindo até ao apainelado do tecto; dão origem a um espaço com cobertura em abóbadas de berço, em cantaria. No lado da Epístola, uma escada de ferro dá acesso ao torreão. O portal axial está protegido por guarda-vento com duas portadas de madeira, com lemes e fechos de ferro. No lado do Evangelho, capela lateral, rasgada por duplo arco quebrado. No lado da Epístola, púlpito quadrangular, assente em bacia de cantaria, com guarda balaustrada de madeira e marchetados de bronze, com acesso por porta de verga recta, de madeira almofadada e pintada de vermelho, encimado por guarda-voz, também de madeira. Sucede-se uma capela lateral em arco de volta perfeita, revestida a talha e contendo retábulo, dedicada à Sagrada Família. Arco triunfal apontado, formando três arquivoltas, a última decorada com denticulado, assentes em colunelos embebidos na parede, com capitéis decorados por elementos vegetalistas. A ladear o arco triunfal, no lado do Evangelho, existe uma pintura mural representando São Martinho com vestes de bispo, com mitra e báculo, abençoando com a mão direita e, no lado da Epistola, em muito mau estado, uma figura feminina religiosa e um cavalo*1. Ascende-se à capela-mor através de dois degraus, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, com caixotões pintados com cenas religiosas, emoldurados com talha dourada, decorados com torcidos e motivos fitomórficos, assente em friso e cornija, com mísulas equidistantes e reforçada com tirante metálico. No lado da Epistola, abrem para a sacristia, porta e amplo arco abatido, ornamentado com bozantes*2. Sobre supedâneo de três degraus de cantaria, o retábulo-mor, de talha dourada, de planta côncava e três eixos definidos por seis colunas torsas, ornadas por pâmpanos e assentes em consolas e numa ordem inferior de cariátides, que se prolongam em três arquivoltas torsas, unidas no sentido do raio e formando apainelados ornados por acantos e querubins; ao centro, tribuna de volta perfeita, com a boca ornada por friso rendilhado, contendo trono expositivo de três degraus, na base do qual surge o sacrário, envolvido por acantos e tendo, na porta, a imagem de Cristo Redentor. Os eixos laterais formam apainelados com mísulas. Altar paralelepipédico, com frontal tripartido, ladeado pelas portas de verga recta e almofadadas, de acesso à sacristia.
Cronologia
Séc. XII, finais - XII, início - fundação da igreja;
Séc. XVI - obras de pintura por Cristóvão de Utrecht, Garcia Fernandes e Gregório Lopes, por ordem de D. Fernando de Meneses Coutinho;
1537, 14 Março - com a morte de D. Guiomar Coutinho, último membro da Casa de Marialva, a que a igreja pertencia, o padroado foi transferido, para a Universidade de Coimbra por D. João III, através do Breve CIRCA OFICII QUOD, do Papa Paulo III; Séc. XVI - feitura das pinturas murais a ladear o arco triunfal;
Séc. XVII - provável abertura de porta lateral na fachada S., execução de algumas talhas e do púlpito;
Séc. XVIII - feitura do retábulo-mor;
Séc. XVIII, final - segundo testemunho de D. Joaquim Azevedo, a igreja era uma colegiada com 8 beneficiados simples e 1 reitor;
1920 - retirado do exterior o alpendre que cobria a porta de entrada, tendo ficado apenas as mísulas que lhe serviam de suporte;
1944, 18 Novembro - desmoronamento de uma parte da parede N. da igreja;
1958, Maio - caiu a cruz exterior do arco da capela-mor e estilhaçou o telhado;
1960 - devido ao mau tempo a igreja sofreu alguns danos, nomeadamente entrada de chuva;
1962 - tecto, altar-mor e parede lateral S. ameaçavam ruína; a capela-mor estava isolada do corpo da igreja por uma "tapagem" de madeira e a sacristia estava completamente obstruída com pedra apeada da parede lateral e, o restante espaço, estava ocupado com os caixotões do tecto que ainda não tinham sido colocados;
1963, 14 Fevereiro - ruiu o corpo superior externo da parede testeira da capela-mor;
1976 - exposição de Arte Sacra do Arcebispado de Resende, por ocasião das celebrações centenárias da diocese.
Características Particulares
Fachada principal marcada por corpo rectangular formando uma torre medieval o que lhe confere um aspecto defensivo, constituindo um verdadeiro templo fortificado, que se explica pela necessidade das populações cristãs se defenderem contra ataques dos muçulmanos refugiados nas vizinhanças após a reconquista (COSTA, 1979). Esta estrutura é suportada, interiormente por arcos de volta perfeita, que descarregam em pilares, sustentados, exteriormente, por contrafortes. O portal principal apresenta características semelhantes ao da Igreja de Santa Maria de Almacave em Lamego (v. PT011805010002) e que segundo alguns autores (FURTADO, 1986 / 1987 e COSTA, 1979), tem à sua esquerda dois traços feitos na pedra correspondendo à medida padrão da vara e do côvado, antigas medidas de comprimento equivalentes respectivamente a 110cm e a 70cm. Siglas sobre silharia. No interior, surge estranho vão de volta perfeita, na capela-mor, constituindo o reaproveitamento de uma estrutura de outra zona do templo. De destacar a capela lateral, profunda, totalmente revestida a talha dourada, com retábulo de planta côncava, contendo sacrário em forma de templete. Existência de pinturas murais quinhentistas a ladear o arco triunfal, alusivas ao orago do templo. A capela-mor apresenta cobertura em caixotões pintados com temática hagiográfica, que sobreviveu à intervenção de restauro purista dos anos 50 do Séc. XX. Arco triunfal de perfil abatido, formando várias arquivoltas com capitéis decorados, assentes em colunas embebidas nas paredes.
Observações
*1 - Existiam aqui dois altares laterais, que foram levados para o Santuário do Senhor do Calvário, para se poderem ver as pinturas murais, que na época estavam ocultas pela talha.
*2 - Este arco é provavelmente do séc. XVI, dava acesso ao coro e abre agora para a sacristia. Esteve entaipado pelo menos até ao séc. XVII, quando os painéis que o cobriam foram destruídos.
(fonte: IHRU)










