terça-feira, 31 de maio de 2011



Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.


- Luís de Camões

domingo, 29 de maio de 2011

Lusitânia

(...) ha tres milannos que hua generosa ninfa chamada Lisibea, filha de hua Raynha da Berberia, & de um Principe marinho que a esta parte do sol ao pee da serra de Sintra que naquelle tempo se chamava a serra Solercia. E como per vezes o sol passasse polo apposito da lustrante Lisibea, & a visse nua sem nenhua cubertura, tam perfeyta em suas corporaes proporções, como de sua luz, que lhe poseram nome Lusitania, que foi dicta & senhora desta provincia.
Neste mesmo tempo avia na Grecia hum famoso cavaleyro & muy namorado em estremo & grandisimo caçador, que se chamava Portugal, o qual estando em Ungria ouvio dizer das diversas & famosas caças da serra solercia, & veyoa buscar.
E como este Portugal, todo fundado em amores, visse a fermosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela. (...)

- Gil Vicente, Auto de Lusitânia

sábado, 28 de maio de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O designado: Antigo Convento da Graça, Loulé


Analisemos um exemplo gritante da falsidade, mentira mesmo, dos escritores da dita História oficial e dos ditos, com honradas excepções claro, arquéologos e arquitectos da tugue.

As primeiras cinco (5) imagens são da década de 40 do Séc. XX (imagens ex-DGEMN), e a 6ª (de PortugueseEyes) é actual.
Reparem nas discrepâncias imediatas entre as imagens, todas elas, e a versão oficial do designado: Antigo Convento da Graça de Loulé.

Três comentários após a versão oficial:

Arquitectura religiosa, gótica. Igreja conventual da qual resta o portal de arco quebrado sobre um gablete com a última arquivolta lavrada, com motivos vegetalistas, colunas monolíticas sobre plintos altos, muito semelhante aos da Igreja Matriz de Loulé, Igreja de São Francisco de Santarém, ao lateral do Igreja do Convento Carmo, em Lisboa, entre outros.

Descrição
Dos restos da igreja da Graça o portal em ruínas é o elemento mais importante, todo o resto foi desvirtuado por construções modernas que se apoderaram das antigas capelas e do claustro. O portal de arco quebrado, sobre um gablete, quebrado no ângulo, assenta as suas arquivoltas em capitéis vegetalistas, sobre colunas monolíticas, cujas bases se apoiam em altos plintos. A última arquivolta é lavrada com flores estilizadas. Sobre esta encontra-se uma estrela de 6 pontas.

Enquadramento
Urbano; o portal em ruínas está entre construções modernas, embora feitas sobre os restos do antigo convento e abre para um amplo largo de circulação rodoviária.

Época Construção
Séc. XIV

Cronologia
Este convento terá pertencido primeiro aos Franciscanos ou aos Templários.
Em 1580 o Cardeal D, Henrique doou o convento à Ordem de S. Agostinho.
O convento foi vendido em 1834 por 500$000 réis e as suas duas cercas por 300$000.

(fonte: IHRU, um "estudo" realizado em 1991)

Comecemos pelo começo!

- «Este convento terá pertencido primeiro aos Franciscanos ou aos Templários.»
Sim senhor. É como o polícia da Régua, branco ou tinto, tanto faz ...
Ora, se repararem nas fotos, têm resposta imediata:
Trata-se originalmente de um templo, que pertenceu à Ordem do Templo.
Miraculosamente o Portal ainda existe.

- «A última arquivolta é lavrada com flores estilizadas. Sobre esta encontra-se uma estrela de 6 pontas.»
Bom ... o estudioso só pode ser vesgo.
Trata-se de um Estrela de 5 Pontas: Signum Salomonis.

Mas, as surpresas não se esgotam nestas simples palavras. Quem vir estas imagens e conhecer um determinado Templo, perceberá.

Este é, pois, o exemplo típico das entidades públicas cuja obrigação é o estudo, inventário e defesa do património português.

Pobre Património

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma história à espera de ser revelada

É um orgulho verificar que há pessoas com um Amor e uma generosidade tão grandes ao seu país, e a locais (tantos e tantos locais) especiais neste cantinho!

É o caso dos blogs:

Mogadoyro
De Antero Neto

Mosteiro de Seiça
Onde Inês Pinto e Sílvio Gaspar dão corpo à defesa do Mosteiro

Pereiros de Ansiães
De Hernâni Fidalgo (ânimo!)

Bem hajam e não percam o ânimo!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Margat

Qalaat al-Marqab ou Marqab, em Baniyas, Síria.

Alguns pensamentos

Hoje, uma Senhora fez um comentário, o qual agradeço.
Perguntou-me a origem/fonte da informação; sucede que a fonte vinha expressa no final do texto.

Questionava, e bem, sobre a Ordem que realmente tinha exercido jurisdição sobre o local. E questionou muito bem ...
Sucede, que se tivesse reparado na fonte, teria percebido que se tratava de uma 'fonte oficial' ... aqueles que tenham a gentileza de lerem de vez em quando este blog, já terão percebido que as 'fontes oficiais' para mim, são mera alegoria, e tão só e apenas, fornecedores de alguns dados mais facciosos e inverdadeiros, do que de real credibilidade; as 'entidades oficiais' estão mais interessadas em enterrar, deturpar e apagar a História, do que mostrarem com tudo de bom e menos bom, aquilo que ela verdadeiramente tem.

No artigo em questão, mas como em muito outros, existem umas fotografias a preto e branco; as fotografias a preto e branco são em regra, em regra, aqui publicadas porque antigas. Séc. XIX - XX.
Essas fotografias são habitualmente bem mais esclarecedoras que qualquer texto 'versão oficial', e colocam em causa toda a propaganda da história oficial.

E essa, é a ideia da publicação dos mesmos: texto e imagens. A fonte, expressa sempre no final, dará conhecimento da "oficialidade" ... e da incoerrência face às imagens apresentadas; felizmente ainda subsistem imagens antigas, as quais colocam em causa toda a parafernália oficial.

Assim que o exercício da análise, da ponderação, da compreensão e do ir mais além, é uma necessidade nos artigos deste blog.
Aqui nada é servido pronto; tem que ser descascado e cozinhado. As respostas, cabem a cada indivíduo que vê e lê - um desafio, portanto.

Se pensavam chegar aqui e ter a 'papa feita', sem terem qualquer cuidado em ponderar, analisar e compreender, então estão a perder o Vosso tempo aqui.

Nada é o que parece.
O que parece, raramente é.

Não se fiquem pela espuma do tempo. Excedam-se em Vós próprios.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Capela da Senhora do Salto

Dizem que

O Inferno é no lugar do Salto, uma garganta apertada, onde corre o rio Sousa.

Uma lenda diz que um cavaleiro perseguido pelo Diabo sob a forma de um veado (ou perseguindo o mesmo sob a forma de uma lebre), saltou sobre o abismo nesse Lugar.

Caíndo invocou com fervor a protecção de Nossa Senhora:

- Valei-me Virgem Senhora,

Valei-me sou pecador

E o milagre aconteceu:

o cavalo e o cavaleiro pousaram sãos e salvos na outra margem do rio, num sítio onde ainda se vêm as marcas das ferraduras do cavalo...

Em sinal de agradecimento, o cavaleiro mandou construir uma pequena capela à Nossa Senhora do Salto.

Outra forma da lenda acrescenta: "a imagem da Nossa Senhora foi aí encontrada numa gruta, por umas crianças que lá pastoriavam o gado.
Levada para a igreja umas três vezes, por outras tantas, ela voltava a ser encontrada na gruta, pelo que o abade lhe edificou a capela decente onde apenas estava uma tosca ermida".

Essa imagem é objecto de veneração popular...

Os meus Respeitos D. Guido.

Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

Arquitectura militar, medieval. Castelo medieval, com torre de planta quadrangular, descentrada em relação à muralha de contorno ovalóide.



Descrição
Vestígios de torre de planta quadrangular, descentrada relativamente aos restos de um contorno de muralha de forma ovalóide. Uma das faces da torre apresenta uma interrupção , possível lugar de porta, com uma pequena escada de um único lanço. A marcar as ombreiras duas pedras paralelepipédicas apoiam nos muros. Em cada uma das faces da torre e ao mesmo nível dois orifícios.

Enquadramento
Rural, isolado, implanta-se no cimo de uma elevação de forma cónica, entre dois altos eucaliptos, junto a uma espécie de ravina rochosa. O acesso à torre dificultado pela quantidade de vegetação, vai-se constituindo num percurso elicoidal até uma plataforma. Aí são visíveis alguns muros de aparelho regular de alvenaria de xisto , constituindo-se na zona mais elevada numa espécie de muralha com degraus integrados. No cimo dos muros da base da torre disfruta-se do vale do Rio Sousa e das serras envolventes.

Época Construção
Séc. X (atr.)

Cronologia
Séc. X - Provável construção do Castelo;
995 - Foi tomado por Almançor;
1220 - Nas inquirições, esta zona é dominada pelos Sousas, e é designada pelo Termo de Ferreira e Termo de Aguiar, sendo o centro administrativo no Castelo de Aguiar de Sousa;
1258 - É criado o Julgado de Aguiar de Sousa;
1411- Foral de D. João I;
1513, 25 Novembro - D. Manuel II atribui o Foral a "Aguyar de Soussa";
1758 - Aguiar de Sousa pertencia à Comarca de Penafiel;
1837 - Aguiar de Sousa é extinto como concelho e é integrado em Paredes;
Séc. XX (primeira metade) - restauro parcial da torre;
1999 - a proprietária era a viúva do Sr. Amável Costa.

Características Particulares
A Torre é o vestígio mais visível do Castelo da Aguiar de Sousa. É um ponto central e estratégico relativamente às serras envolventes.

(fonte: IHRU)

segunda-feira, 23 de maio de 2011