terça-feira, 5 de abril de 2011

De Soria a Coria, de rio a rio

Soria e Coria

Para além do facto de compartilharem o oria, compartilham ainda o facto de estarem na orilla de um grande rio:
o Douro e o Tejo.

A Água fonte de Vida
O Espírito, sempre presente

Em ambas, e por ambas, andaram os Templários.
E se foram tempos de sacríficio e luta, foram também tempos de construção e de grande fruição da beleza e do encanto de ambos os locais.

Mapas: os designados Povos Promíscuos

Junto à linha da fronteira do concelho de Chaves, de um e do outro lado do vale do Tâmega, existem três lugares – Soutelinho, Cambedo e Lama de Arcos – onde, durante muito tempo, promiscuamente viveram os povos de ambos os países. Nestas aldeias, em tudo semelhantes a outras, os habitantes falavam uns o português e outros o espanhol “porque os sinais que designam a raia e que todos sabem muito bem onde ficam, estão nas ruas, nas paredes das casas, e alguns dentro delas. Disto nasce a falta de respeito às leis e às autoridades (…)”. Em Soutelinho, “nós mesmos vimos num pequeno largo em que há casas situadas em terreno português, estarem os contrabandistas a comprar cereais para introduzir neste reino, quando isto não era permitido, e estarem os empregados fiscais, mesmo ao pé deles, sem poderem dizer a mais insignificante palavra” (Vasconcelos e Sá, 1861, publicado por J. B. Barreiros). Aqui, era sobretudo o contrabando a grande preocupação de ambos os governos. Tendo sido rectificada a linha de fronteira pelos membros da comissão mista em 1856, que a encontrou tal qual aparecia descrita nos antigos tombos, a proposta portuguesa, já que ambos os países estavam de acordo em pôr fim a esta situação que consideravam anómala e lesiva, era de que a linha de demarcação deveria passar, em cada um destes lugares, por fora das últimas casas e a uma certa distância delas; quanto à sua pertença a um ou outro país, ela seria determinada pelo maior número de fogos se situarem de um ou de outro lado. A ser assim, Lama de Arcos (52 e 25 fogos, portugueses e espanhóis, respectivamente) e Soutelinho (80 e 12) passariam a pertencer a Portugal, enquanto Cambedo (13 e 25), a única que no tombo do século XVI era só portuguesa, passaria para Espanha. Mas, nas negociações diplomáticas, Cambedo seria trocado pelas pretensões portuguesas a Santiago e Rubiás do Couto Misto e os três “Povos Promíscuos” integrados em território nacional. Diferente era a situação de Rio de Onor, um lugar muito antigo (provavelmente até anterior à independência de Portugal), situado a Nordeste de Bragança, com dois núcleos separados pela fronteira. Junto ao rio Racha (entretanto também apelidado da mesma forma que o lugar por onde passa) e à sombra das serranias que formam as suas margens tortuosas, a parte portuguesa, a de “Baixo” e maior, dispõe-se a jusante da espanhola ou de “Arriba” (hoje, Rihonor de Castilla), que uns 150 metros separam. No momento da demarcação, chegou a considerar-se que deveria ser tratado este lugar como o haviam sido os Povos Promíscuos, já que, por um lado, as difíceis comunicações obrigavam a passar nos dois países e, por outro, os seus habitantes, vivendo de modo diferente, quando lhes convinha mudavam “de bairro e de nação”. Mas o Tratado manteria a situação anterior, com a demarcação feita numa margem por um pequeno ribeiro e na outra pelas cumeadas das serras. Se, em muitos locais da fronteira transmontana, os conflitos entre moradores vizinhos atrasaram a demarcação preparatória do Tratado de Limites, o mesmo não se passou depois de Rio de Onor, onde grande parte da delimitação se apoiou no encaixado vale do Douro.

- Finis

Y los caramellos?
Molitos; muy buenos

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Civitas Baniensium

Proveniência: Mesquita. Vilariça. Torre de Moncorvo

Ara trabalhada nas quatro faces. Capitel composto por frontão sub-triangular e toros laterais; no topo apresenta um fóculo circular central escavado; moldura sob a cornija e na base. Face frontal profusamente decorada com motivos vegetalistas, quer a nível do capitel e da base, como na moldura do fuste que enquadra a inscrição. Campo epigráfico moldurado e com superfície rebaixada. A paginação do texto alinha-se sensivelmente segundo o eixo de simetria. A dedicatória, que envolve a oferta de uma ara de consideráveis dimensões e riqueza artística, é feita simultaneamente a IVPITER OPTIMVS MAXIMVS (essencialmente por extenso) e à CIVITAS BANIENSIVM, ou seja, à própria cidade dos Banienses.

Tradução: A Júpiter Óptimo (e) Máximo e à Cidade dos Banienses, Sulpicius Bassus como oferenda doou (ou dedicou). (Segundo ficha de Catálogo da Exposição "Religiões da Lusitânia" da autoria de José Cardim Ribeiro). IOVI / OPTIMO / MAX(imo) / CIVITATI / BANIENSV/S (sic) L(ucius) BASVS/ CVRAVIT//.

- Museu Nacional de Arqueologia

Historiadores e arqueólogos ainda não chegaram a uma conclusão quanto ao local exacto onde se situa a Civitas Baniensium. Várias são as teorias. De acordo com Jorge Alarcão em "Notas de Arqueologia", podemos considerar o seguinte:

Admitindo Valle Aritia ou Vallericia como nome correcto do pagus, não parece possível fazê-lo corresponder a Ariz (no concelho de Marco de Canaveses), dada a provável origem germânica deste topónimo (Piel, 1936, p. 35; Piel e Kremer, 1976, p. 67; Fernandes, 1999, s.v. Ariz, com testemunhos documentais aos quais se deve acrescentar pelo menos DMP, DP., III, n.º 278, de 1108). O nome de Valle Aritia suscita ainda outra dúvida: o Parochiale suévico recorda-o como pagus da diocese portucalense mas repete o nome, sob a forma Vallariza, na diocese bracarense, entre os pagus Tureco e Auneco. Pierre David (1947, p. 33, 35 e 46) considerou que um primitivo pagus portucalense terá sido posteriormente integrado na diocese de Braga e identificou Valle Aritia/Vallericia/Vallariza com Vilariça, no concelho de Torre de Moncorvo. Parece difícil aceitar a hipótese de Pierre David, não obstante a autoridade do mestre. O rio Corgo (na área de Vila Real) foi a fronteira das dioceses de Braga e Portucale (ainda que possa aceitar-se alguma dúvida sobre se tal fronteira remonta à época suévica (Costa, 1959, p. 106-113, 1997, p. 35-37). A oriente do rio Corgo, o pagus Pannonias pertencia a Braga; a ocidente, o pagus Aliobrio integrava a diocese portucalense. Se Valle Aritia da diocese portucalense se identificasse com a Vilariça de Torre de Moncorvo, teríamos, de ocidente para oriente, um pagus portucalense de Aliobrio, um pagus bracarense de Pannonias e, de novo, um pagus portucalense de Vallericia — isto é, teríamos um pagus bracarense de Pannonias metido em cunha no território do bispado de Portucale e interrompendo a continuidade geográfica deste último. Parece-nos isso pouco credível. Aliás, também Avelino de Jesus da Costa (1997, p. 36, nota 38) contestou a identificação dos dois pagi. Se houve um único pagus Valle Aritia, que terá sido, em determinada altura, transferido da diocese portucalense para a bracarense, o mais aceitável será imaginá-lo em área fronteiriça entre as duas dioceses. Mas, não obstante a similitude dos nomes, não se tratará efectivamente de dois pagi diferentes? (...) No Parochiale, (...) Vallariza é apenas o nome actualizado do pagus Tureco. Mas também é verdade que o pagus Vallariza pode corresponder a circunscrição eclesiástica diferente de Tureco e acrescentada à diocese bracarense em época visigótica ou posterior. Uma cunhagem de Viterico (603-610) (Mateu y Llopis, 1936, p. 362) deixa crer que Vallearitia já existia nessa data — ainda que possa discutir-se se a cunhagem foi feita em Vallearitia da diocese portucalense ou em Vallearitia do actual vale da Vilariça (Torre de Moncorvo). Em trabalho anterior (Alarcão, 2001a, p. 36), admitimos a possibilidade de o pagus Tureco corresponder à antiga civitas dos Banienses, cuja capital ficaria em Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça (Torre de Moncorvo). Carlos Cruz (2000, p. 222) identificou, porém, essa capital no sítio de Chão da Capela, próximo da povoação de Junqueira, na freguesia de Adeganha do concelho de Torre de Moncorvo. Por outro lado, a Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça foi, há alguns anos, objecto de escavações realizadas por Miguel A. Rodrigues e Nelson Rebanda (1998) e, segundo estes investigadores, não foram encontrados materiais que possam ou devam atribuir-se a época anterior à de D. Sancho I, época na qual o sítio terá sido pela primeira vez povoado, conforme se declara nas Inquirições de 1258 (PMH, Inq.: 1271 e 1274). O foral de Santa Cruz de Vilariça foi dado à vila por D. Sancho II, em 1225. Ainda que as onze estelas funerárias da capela do Roncal, mesmo junto da Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça (Lemos, 1993, IIa, p. 347-348; Cruz, 2000, p. 302-303), nos deixem algumas dúvidas sobre a total ausência de povoamento romano naquela vila, aceitaremos a identificação do sítio de Chão da Capela com a capital dos Banienses.

San Saturio, Soria

Ubicada sobre la que en tiempos fuera la ermita de San Miguel de la Peña -nótese la semejanza fonética con el impresionante monasterio de San Juan de la Peña, en Jaca, depositario en tiempos del Santo Grial, que hoy día se custodia en la catedral de Valencia- sería una auténtica aberración por mi parte hablar de Soria, su comarca, sus lugares, leyendas y misterios, sin dedicarle un comentario especial a la ermita barroca de San Saturio, su santo Patrón.

Aseveran las crónicas que Saturio -nótese la similitud del nombre con Saturno, dios del inframundo, como ha dejado de manifiesto en numerosas ocasiones Angel Almazán de Gracia, incansable investigador del pasado soriano-, un noble godo nacido en Soria en el año 493, decidió, a la edad aproximada de cuarenta años, repartir todos sus bienes entre los pobres, retirándose -cito textualmente las palabras de Francisco Aldea Chacobo, canónigo de la Concatedral de San Pedro- 'a la inhóspita soledad de ermitaño cerca del río Duero'.

Es muy posible que el visitante que acuda por primera vez a visitar la ermita, apenas se detenga un momento a meditar cómo sería el entorno en esa época nebulosa en la que el noble Saturio/Saturius -sin duda hastiado de batallas, de cortejos galantes y de indigestos festines logrados a costa de las piezas que sólo los nobles tenían derecho a cazar- decidió echárselo todo al coleto y buscar a Dios, eligiendo una vida de privaciones, retiro y completa soledad.

Si dejar que su imaginación se una con libertad y sin tapujos al 'espíritu universal' del lugar, puede que alcance a descubrir que -si no fuera por el asfalto del camino, algunas farolas y los puentes de hierro tendidos sobre el Duero- llegue a la honesta conclusión de que el sitio apenas se diferencia de aquél otro que acogió al hastiado godo en su seno, revelándole, con el tiempo, todos sus secretos.

- Soria

Soria, a Encantada (e o Douro sempre perto)


No entanto, na actual muralha do castelo foram descobertos restos de uma povoação, associados, com certeza, à existência de Numância.

Bartolomé de Torres, na sua topografía da cidade de Numância, assegura que o castelo desta cidade tomou o nome de Oria de um cavaleiro grego chamado Dórico, capitão dos dorios, que chegou a Sória desde Acaya, na Grécia.

Alguns historiadores deduzem desta afirmação que os primeiros habitantes de Soria foram os dorios. Não obstante, não há vestígios arqueológicos que confirmem esta teoria.

Outro grupo de especialistas acredita que os primeiros povoadores de Sória foram os suevos, cujos reis ali estabeleceram as suas cortes (de acordo com Tutor e Malo no seu Compendio historial de las dos Numancias).

Contudo, ainda nenhum documento as confirmou de forma inequívoca.

Parece lógico supor que a palabra «Sória» derive de Dauria, que por sua vez deriva de Daurius, ou seja, Douro.

A estas versões sobre a origem do nome de Sória, somam-se ainda a de Pedro de Rúa, que deriva Soria de Sarra, nome da cidade de Tiro, e sorianos de sarranos, os seus habitantes.

Num livro de armas, conta-se que quando Afonso VII, O Imperador, reedificou Sória, descobriu-se uma pedra enorme com um sinal gravado que parecia com a letra «S», a qual foi acrescentada ao castelo de Oria e deu então origem à actual Soria.

(...)

- Wikipedia

domingo, 3 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

A lenda de: O Raio de Lua


Era noble, había nacido entre el estruendo de las armas, y el insólito clamor de una trompa de guerra no le hubiera hecho levantar la cabeza un instante ni apartar sus ojos un punto del oscuro pergamino en que leía la última cantiga de un trovador.

Los que quisieran encontrarle, no lo debían buscar en el anchuroso patio de su castillo, donde los palafreneros domaban los potros, los pajes enseñaban a volar a los halcones, y los soldados se entretenían los días de reposo en afilar el hierro de su lanza contra una piedra.

-¿Dónde está Manrique, dónde está vuestro señor? -preguntaba algunas veces su madre.

-No sabemos -respondían sus servidores:- acaso estará en el claustro del monasterio de la Peña, sentado al borde de una tumba, prestando oído a ver si sorprende alguna palabra de la conversación de los muertos; o en el puente, mirando correr unas tras otras las olas del río por debajo de sus arcos; o acurrucado en la quiebra de una roca y entretenido en contar las estrellas del cielo, en seguir una nube con la vista o contemplar los fuegos fatuos que cruzan como exhalaciones sobre el haz de las lagunas. En cualquiera parte estará menos en donde esté todo el mundo.

En efecto, Manrique amaba la soledad, y la amaba de tal modo, que algunas veces hubiera deseado no tener sombra, porque su sombra no le siguiese a todas partes.

Amaba la soledad, porque en su seno, dando rienda suelta a la imaginación, forjaba un mundo fantástico, habitado por extrañas creaciones, hijas de sus delirios y sus ensueños de poeta, tanto, que nunca le habían satisfecho las formas en que pudiera encerrar sus pensamientos, y nunca los había encerrado al escribirlos.

Creía que entre las rojas ascuas del hogar habitaban espíritus de fuego de mil colores, que corrían como insectos de oro a lo largo de los troncos encendidos, o danzaban en una luminosa ronda de chispas en la cúspide de las llamas, y se pasaba las horas muertas sentado en un escabel junto a la alta chimenea gótica, inmóvil y con los ojos fijos en la lumbre.

Creía que en el fondo de las ondas del río, entre los musgos de la fuente y sobre los vapores del lago, vivían unas mujeres misteriosas, hadas, sílfides u ondinas, que exhalaban lamentos y suspiros, o cantaban y se reían en el monótono rumor del agua, rumor que oía en silencio intentando traducirlo.

En las nubes, en el aire, en el fondo de los bosques, en las grietas de las peñas, imaginaba percibir formas o escuchar sonidos misteriosos, formas de seres sobrenaturales, palabras ininteligibles que no podía comprender.

¡Amar! Había nacido para soñar el amor, no para sentirlo. Amaba a todas las mujeres un instante: a ésta porque era rubia, a aquélla porque tenía los labios rojos, a la otra porque se cimbreaba al andar como un junco.

Algunas veces llegaba su delirio hasta el punto de quedarse una noche entera mirando a la luna, que flotaba en el cielo entre un vapor de plata, o a las estrellas que temblaban a lo lejos como los cambiantes de las piedras preciosas. En aquellas largas noches de poético insomnio, exclamaba:

-Si es verdad, como el prior de la Peña me ha dicho, que es posible que esos puntos de luz sean mundos; si es verdad que en ese globo de nácar que rueda sobre las nubes habitan gentes, ¡qué mujeres tan hermosas serán las mujeres de esas regiones luminosas, y yo no podré verlas, y yo no podré amarlas!... ¿Cómo será su hermosura?... ¿Cómo será su amor?...

Manrique no estaba aún lo bastante loco para que le siguiesen los muchachos, pero sí lo suficiente para hablar y gesticular a solas, que es por donde se empieza.

Sobre el Duero, que pasaba lamiendo las carcomidas y oscuras piedras de las murallas de Soria, hay un puente que conduce de la ciudad al antiguo convento de los Templarios, cuyas posesiones se extendían a lo largo de la opuesta margen del río.

En la época a que nos referimos, los caballeros de la Orden habían ya abandonado sus históricas fortalezas; pero aún quedaban en pie los restos de los anchos torreones de sus muros, aún se veían, como en parte se ven hoy, cubiertos de hiedra y campanillas blancas, los macizos arcos de su claustro, las prolongadas galerías ojivales de sus patios de armas, en las que suspiraba el viento con un gemido, agitando las altas hierbas.

En los huertos y en los jardines, cuyos senderos no hollaban hacía muchos años las plantas de los religiosos, la vegetación, abandonada a sí misma, desplegaba todas sus galas, sin temor de que la mano del hombre la mutilase, creyendo embellecerla. Las plantas trepadoras subían encaramándose por los añosos troncos de los árboles; las sombrías calles de álamos, cuyas copas se tocaban y se confundían entre sí, se habían cubierto de césped; los cardos silvestres y las ortigas brotaban en medio de los enarenados caminos, y en dos trozos de fábrica, próximos a desplomarse, el jaramago, flotando al viento como el penacho de una cimera, y las campanillas blancas y azules, balanceándose como en un columpio sobre sus largos y flexibles tallos, pregonaban la victoria de la destrucción y la ruina.

Era de noche; una noche de verano, templada, llena de perfumes y de rumores apacibles, y con una luna blanca y serena, en mitad de un cielo azul, luminoso y transparente.

Manrique, presa su imaginación de un vértigo de poesía, después de atravesar el puente, desde donde contempló un momento la negra silueta de la ciudad, que se destacaba sobre el fondo de algunas nubes blanquecinas y ligeras arrolladas en el horizonte, se internó en las desiertas ruinas de los Templarios.

La media noche tocaba a su punto. La luna, que se había ido remontando lentamente, estaba ya en lo más alto del cielo, cuando al entrar en una oscura alameda que conducía desde el derruido claustro a la margen del Duero, Manrique exhaló un grito leve y ahogado, mezcla extraña de sorpresa, de temor y de júbilo.

En el fondo de la sombría alameda había visto agitarse una cosa blanca, que flotó un momento y desapareció en la oscuridad. La orla del traje de una mujer, de una mujer que había cruzado el sendero y se ocultaba entre el follaje, en el mismo instante en que el loco soñador de quimeras o imposibles penetraba en los jardines.

-¡Una mujer desconocida!... ¡En este sitio!..., ¡a estas horas! Esa, esa es la mujer que yo busco -exclamó Manrique; y se lanzó en su seguimiento, rápido como una saeta.

Llegó al punto en que había visto perderse entre la espesura de las ramas a la mujer misteriosa. Había desaparecido. ¿Por dónde? Allá lejos, muy lejos, creyó divisar por entre los cruzados troncos de los árboles como una claridad o una forma blanca que se movía.

-¡Es ella, es ella, que lleva alas en los pies y huye como una sombra! -dijo, y se precipitó en su busca, separando con las manos las redes de hiedra que se extendían como un tapiz de unos en otros álamos. Llegó rompiendo por entre la maleza y las plantas parásitas hasta una especie de rellano que iluminaba la claridad del cielo... ¡Nadie!

-¡Ah!, por aquí, por aquí va -exclamó entonces-. Oigo sus pisadas sobre las hojas secas, y el crujido de su traje que arrastra por el suelo y roza en los arbustos; -y corría y corría como un loco de aquí para allá, y no la veía. -Pero siguen sonando sus pisadas -murmuró otra vez;- creo que ha hablado; no hay duda, ha hablado... El viento que suspira entre las ramas; las hojas, que parece que rezan en voz baja, me han impedido oír lo que ha dicho; pero no hay duda, va por ahí, ha hablado... ha hablado... ¿En qué idioma? No sé, pero es una lengua extranjera... Y tornó a correr en su seguimiento, unas veces creyendo verla, otras pensando oírla; ya notando que las ramas, por entre las cuales había desaparecido, se movían; ya imaginando distinguir en la arena la huella de sus propios pies; luego, firmemente persuadido de que un perfume especial que aspiraba a intervalos era un aroma perteneciente a aquella mujer que se burlaba de él, complaciéndose en huirle por entre aquellas intrincadas malezas. ¡Afán inútil!

Vagó algunas horas de un lado a otro fuera de sí, ya parándose para escuchar, ya deslizándose con las mayores precauciones sobre la hierba, ya en una carrera frenética y desesperada.

Avanzando, avanzando por entre los inmensos jardines que bordaban la margen del río, llegó al fin al pie de las rocas sobre que se eleva la ermita de San Saturio.

-Tal vez, desde esta altura podré orientarme para seguir mis pesquisas a través de ese confuso laberinto -exclamó trepando de peña en peña con la ayuda de su daga.

Llegó a la cima, desde la que se descubre la ciudad en lontananza y una gran parte del Duero que se retuerce a sus pies, arrastrando una corriente impetuosa y oscura por entre las corvas márgenes que lo encarcelan.

Manrique, una vez en lo alto de las rocas, tendió la vista a su alrededor; pero al tenderla y fijarla al cabo en un punto, no pudo contener una blasfemia.

La luz de la luna rielaba chispeando en la estela que dejaba en pos de sí una barca que se dirigía a todo remo a la orilla opuesta.

En aquella barca había creído distinguir una forma blanca y esbelta, una mujer sin duda, la mujer que había visto en los Templarios, la mujer de sus sueños, la realización de sus más locas esperanzas. Se descolgó de las peñas con la agilidad de un gamo, arrojó al suelo la gorra, cuya redonda y larga pluma podía embarazarle para correr, y desnudándose del ancho capotillo de terciopelo, partió como una exhalación hacia el puente.

Pensaba atravesarlo y llegar a la ciudad antes que la barca tocase en la otra orilla. ¡Locura! Cuando Manrique llegó jadeante y cubierto de sudor a la entrada, ya los que habían atravesado el Duero por la parte de San Saturio, entraban en Soria por una de las puertas del muro, que en aquel tiempo llegaba hasta la margen del río, en cuyas aguas se retrataban sus pardas almenas.

Aunque desvanecida su esperanza de alcanzar a los que habían entrado por el postigo de San Saturio, no por eso nuestro héroe perdió la de saber la casa que en la ciudad podía albergarlos. Fija en su mente esta idea, penetró en la población, y dirigiéndose hacia el barrio de San Juan, comenzó a vagar por sus calles a la ventura.

Las calles de Soria eran entonces, y lo son todavía, estrechas, oscuras y tortuosas. Un silencio profundo reinaba en ellas, silencio que sólo interrumpían, ora el lejano ladrido de un perro; ora el rumor de una puerta al cerrarse, ora el relincho de un corcel que piafando hacía sonar la cadena que le sujetaba al pesebre en las subterráneas caballerizas.

Manrique, con el oído atento a estos rumores de la noche, que unas veces le parecían los pasos de alguna persona que había doblado ya la última esquina de un callejón desierto, otras, voces confusas de gentes que hablaban a sus espaldas y que a cada momento esperaba ver a su lado, anduvo algunas horas, corriendo al azar de un sitio a otro.

Por último, se detuvo al pie de un caserón de piedra, oscuro y antiquísimo, y al detenerse brillaron sus ojos con una indescriptible expresión de alegría. En una de las altas ventanas ojivales de aquel que pudiéramos llamar palacio, se veía un rayo de luz templada y suave que, pasando a través de unas ligeras colgaduras de seda color de rosa, se reflejaba en el negruzco y grieteado paredón de la casa de enfrente.

-No cabe duda; aquí vive mi desconocida -murmuró el joven en voz baja sin apartar un punto sus ojos de la ventana gótica;- aquí vive. Ella entró por el postigo de San Saturio... por el postigo de San Saturio se viene a este barrio... en este barrio hay una casa, donde pasada la media noche aún hay gente en vela... ¿En vela? ¿Quién sino ella, que vuelve de sus nocturnas excursiones, puede estarlo a estas horas?... No hay más; ésta es su casa.

En esta firme persuasión, y revolviendo en su cabeza las más locas y fantásticas imaginaciones, esperó el alba frente a la ventana gótica, de la que en toda la noche no faltó la luz ni él separó la vista un momento.

Cuando llegó el día, las macizas puertas del arco que daba entrada al caserón, y sobre cuya clave se veían esculpidos los blasones de su dueño, giraron pesadamente sobre los goznes, con un chirrido prolongado y agudo. Un escudero reapareció en el dintel con un manojo de llaves en la mano, restregándose los ojos y enseñando al bostezar una caja de dientes capaces de dar envidia a un cocodrilo.

Verle Manrique y lanzarse a la puerta, todo fue obra de un instante.

-¿Quién habita en esta casa? ¿Cómo se llama ella? ¿De dónde es? ¿A qué ha venido a Soria? ¿Tiene esposo? Responde, responde, animal -ésta fue la salutación que, sacudiéndole el brazo violentamente, dirigió al pobre escudero, el cual, después de mirarle un buen espacio de tiempo con ojos espantados y estúpidos, le contestó con voz entrecortada por la sorpresa:

-En esta casa vive el muy honrado señor D. Alonso de Valdecuellos, montero mayor de nuestro señor el rey, que herido en la guerra contra moros, se encuentra en esta ciudad reponiéndose de sus fatigas.

-Pero ¿y su hija? -interrumpió el joven impaciente;- ¿y su hija, o su hermana; o su esposa, o lo que sea?

-No tiene ninguna mujer consigo.

-¡No tiene ninguna!... Pues ¿quién duerme allí en aquel aposento, donde toda la noche he visto arder una luz?

-¿Allí? Allí duerme mi señor D. Alonso, que, como se halla enfermo, mantiene encendida su lámpara hasta que amanece.

Un rayo cayendo de improviso a sus pies no le hubiera causado más asombro que el que le causaron estas palabras.

-Yo la he de encontrar, la he de encontrar; y si la encuentro, estoy casi seguro de que he de conocerla... ¿En qué?... Eso es lo que no podré decir... pero he de conocerla. El eco de sus pisadas o una sola palabra suya que vuelva a oír, un extremo de su traje, un solo extremo que vuelva a ver, me bastarán para conseguirlo. Noche y día estoy mirando flotar delante de mis ojos aquellos pliegues de una tela diáfana y blanquísima; noche y día me están sonando aquí dentro, dentro de la cabeza, el crujido de su traje, el confuso rumor de sus ininteligibles palabras... ¿Qué dijo?... ¿qué dijo? ¡Ah!, si yo pudiera saber lo que dijo, acaso... pero aún sin saberlo la encontraré... la encontraré; me lo da el corazón, y mi corazón no me engaña nunca. Verdad es que ya he recorrido inútilmente todas las calles de Soria; que he pasado noches y noches al sereno, hecho poste de una esquina; que he gastado más de veinte doblas en oro en hacer charlar a dueñas y escuderos; que he dado agua bendita en San Nicolás a una vieja, arrebujada con tal arte en su manto de anascote, que se me figuró una deidad; y al salir de la Colegiata una noche de maitines, he seguido como un tonto la litera del arcediano, creyendo que el extremo de sus holapandas era el del traje de mi desconocida; pero no importa... yo la he de encontrar, y la gloria de poseerla excederá seguramente al trabajo de buscarla.

¿Cómo serán sus ojos?... Deben de ser azules, azules y húmedos como el cielo de la noche; me gustan tanto los ojos de ese color; son tan expresivos, tan melancólicos, tan... Sí... no hay duda; azules deben de ser, azules son, seguramente; y sus cabellos negros, muy negros y largos para que floten... Me parece que los vi flotar aquella noche, al par que su traje, y eran negros... no me engaño, no; eran negros.

¡Y qué bien sientan unos ojos azules, muy rasgados y adormidos, y una cabellera suelta, flotante y oscura, a una mujer alta... porque... ella es alta, alta y esbelta como esos ángeles de las portadas de nuestras basílicas, cuyos ovalados rostros envuelven en un misterioso crepúsculo las sombras de sus doseles de granito! ¡Su voz!... su voz la he oído... su voz es suave como el rumor del viento en las hojas de los álamos, y su andar acompasado y majestuoso como las cadencias de una música.

Y esa mujer, que es hermosa como el más hermoso de mis sueños de adolescente, que piensa como yo pienso, que gusta como yo gusto, que odia lo que yo odio, que es un espíritu humano de mi espíritu, que es el complemento de mi ser, ¿no se ha de sentir conmovida al encontrarme? ¿No me ha de amar como yo la amaré, como la amo ya, con todas las fuerzas de mi vida, con todas las facultades de mi alma?

Vamos, vamos al sitio donde la vi la primera y única vez que le he visto... ¿Quién sabe si, caprichosa como yo, amiga de la soledad y el misterio, como todas las almas soñadoras, se complace en vagar por entre las ruinas, en el silencio de la noche?

Dos meses habían transcurrido desde que el escudero de D. Alonso de Valdecuellos desengañó al iluso Manrique; dos meses durante los cuales en cada hora había formado un castillo en el aire, que la realidad desvanecía con un soplo; dos meses, durante los cuales había buscado en vano a aquella mujer desconocida, cuyo absurdo amor iba creciendo en su alma, merced a sus aún más absurdas imaginaciones, cuando después de atravesar absorto en estas ideas el puente que conduce a los Templarios, el enamorado joven se perdió entre las intrincadas sendas de sus jardines.

La noche estaba serena y hermosa, la luna brillaba en toda su plenitud en lo más alto del cielo, y el viento suspiraba con un rumor dulcísimo entre las hojas de los árboles.

Manrique llegó al claustro, tendió la vista por su recinto y miró a través de las macizas columnas de sus arcadas... Estaba desierto.

Salió de él, encaminó sus pasos hacia la oscura alameda que conduce al Duero, y aún no había penetrado en ella, cuando de sus labios se escapó un grito de júbilo.

Había visto flotar un instante y desaparecer el extremo del traje blanco, del traje blanco de la mujer de sus sueños, de la mujer que ya amaba como un loco.

Corre, corre en su busca, llega al sitio en que la ha visto desaparecer; pero al llegar se detiene, fija los espantados ojos en el suelo, permanece un rato inmóvil; un ligero temblor nervioso agita sus miembros, un temblor que va creciendo, que va creciendo y ofrece los síntomas de una verdadera convulsión, y prorrumpe al fin una carcajada, una carcajada sonora, estridente, horrible.

Aquella cosa blanca, ligera, flotante, había vuelto a brillar ante sus ojos, pero había brillado a sus pies un instante, no más que un instante.

Era un rayo de luna, un rayo de luna que penetraba a intervalos por entre la verde bóveda de los árboles cuando el viento movía sus ramas.

Habían pasado algunos años. Manrique, sentado en un sitial junto a la alta chimenea gótica de su castillo, inmóvil casi y con una mirada vaga e inquieta como la de un idiota, apenas prestaba atención ni a las caricias de su madre, ni a los consuelos de sus servidores.

-Tú eres joven, tú eres hermoso -le decía aquélla;- ¿por qué te consumes en la soledad? ¿Por qué no buscas una mujer a quien ames, y que amándote pueda hacerte feliz?

-¡El amor!... El amor es un rayo de luna -murmuraba el joven.

-¿Por qué no despertáis de ese letargo? -le decía uno de sus escuderos;- os vestís de hierro de pies a cabeza, mandáis desplegar al aire vuestro pendón de ricohombre, y marchamos a la guerra: en la guerra se encuentra la gloria.

-¡La gloria!... La gloria es un rayo de luna.

-¿Queréis que os diga una cantiga, la última que ha compuesto mosén Arnaldo, el trovador provenzal?

-¡No! ¡No! -exclamó el joven incorporándose colérico en su sitial-; no quiero nada... es decir, sí quiero... quiero que me dejéis solo... Cantigas... mujeres... glorias... felicidad... mentiras todo, fantasmas vanos que formamos en nuestra imaginación y vestimos a nuestro antojo, y los amamos y corremos tras ellos, ¿para qué?, ¿para qué?, para encontrar un rayo de luna.

Manrique estaba loco: por lo menos, todo el mundo lo creía así. A mí, por el contrario, se me figuraba que lo que había hecho era recuperar el juicio.

- Gustavo Adolfo Bécquer

sexta-feira, 1 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

Castelo de Algoso

Castelo

Arquitectura militar, medieval. Castelo roqueiro de planta rectangular, mantendo muralhas com cubelos rectilíneos e a torre de menagem quadrangular, de três pisos, com porta de acesso num nível superior, em arco apontado e com matacães, e coroada por merlões, com seteiras; mantém, ainda, a cisterna quadrangular, com interior abobadado e o recinto da primitiva praça de armas.

Descrição
Pequeno castelo roqueiro, de planta rectangular, de que subsistem alguns troços de muralha, interrompidos por rochas, com cerca de 12 m. de altura, a torre de menagem, alguns cubelos e pequeno pátio, correspondente à primitiva praça de armas. Na muralha, é visível um cubelo de perfil rectilíneo e, a N., uma porta em arco pleno com moldura constituída pelas aduelas do arco, protegida por barbacã com cubelo que já não apresenta os merlões. Torre de menagem, de planta poligonal irregular, com cunhais de cantaria, actualmente com três pisos, ficando a porta a um nível elevado, correspondente ao segundo piso, em arco apontado, com moldura de cantaria e vestígio de matacães; no interior da torre, são visíveis os vestígios dos três registos, sendo os dois primeiros para habitação e o último de defesa, rematado por merlões com seteiras. Mantém zonas com coberturas em abóbadas de berço. Em época incerta, construíram um muro que dividia estes dois pisos em duas dependências. Em frente à torre, vestígios de edificações mais pequenas, correspondentes às primitivas cavalariças e cozinha. O recinto que está intramuros é de reduzidas dimensões e possui afloramentos rochosos de várias toneladas, bom como uma estrutura baixa, com acesso por porta de verga recta, a primitiva cisterna, de planta quadrangular irregular, com cerca de 30 metros quadrados e com 3 de altura, tendo capacidade para cerca de 90 mil litros de água, com interior abobadado e com estrutura em terraço, onde é possível ainda ver a clarabóia, apesar de totalmente obstruída.

Enquadramento
Rural, isolado, situado numa escarpa maciça rochosa de 690 m. de altitude, denominado Cabeço da Penenciada, sobranceiro à margem direita do rio Angueira, ao fundo do desfiladeiro dominado pelo imóvel. Para N., fica a vila.

Cronologia
Séc. XII - D. Mendo Rufino (ou Bofino), senhor da região por doação de D. Afonso Henriques, ordena a construção da fortificação, para vigiar a fronteira com Leão, apesar de alguns autores defenderem uma construção posterior, do tempo dos mouros;
Séc. XII / XIII - o alcaide oferece o castelo de "Ulgoso" a D. Sancho I, que, em recompensa, oferece o senhorio de Vimioso a Mendo Rufino; o monarca planeava converter Algoso em cabeça de um vasto território, que abrangeria as circunscrições de Miranda do Douro e Penas Róias;
1212-1213 - invasão e ocupação do castelo pelas tropas do rei de Leão, Afonso IX, como represália à contestação do rei português contra as doações às suas irmãs;
1219 - estabelece-se a paz entre os reinos de Leão e Portugal;
1224, Abril - D. Sancho II doa o castelo com "todos os seus termos e pertenças" ao prior D. Rui Pais e seus "sucessões, irmãos freires";
1226 - no castelo ficava a primitiva matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção ou do Castelo;
1258 - nas Inquirições, aponta-se como autor da doação do castelo à Ordem do Hospital, quer a D. Afonso Henriques quer a D. Sancho II;
1291 - o comendador de então, Fr. Pedro Lourenço, aparece numa demanda e contenda entre D. Dinis e a Ordem do Hospital, onde se mencionam como pertencendo à Ordem e unido à Comenda de "Ulgoso" as aldeias de Serapicos, Vila Chã da Beira, Uva, Mora, Saldanha, Sendim, Picote, Vilar Seco, Vinhão e casais de Cerceo;
1298 - D. Dinis manda reedificar a fortaleza;
1341, Agosto - carta-sentença de D. Afonso IV informando que, nesse ano, Fr. D. Álvaro Gonçalves Pereira era "Priol do Spital nos seus reynos, e que lhe pertencia o Castello de Ulgoso com seu termo desde tempo immemorial";
1480 - D. Afonso V outorga foral à povoação;
1510 - D. Manuel I concede novo foral à vila;
1530 - castelo possui cisternas, com revelim e respectivas casernas onde vivia o alcaide;
1588 - era alcaide Frei Gonçalo de Azevedo, nomeado por Filipe II;
Séc. XVII - possível abandono desta zona do castelo, surgindo a nova povoação num planalto, correspondente à localização actual;
1684, 22 Junho - no Tombo dos Bens da Comenda de Algoso faz-se uma descrição do imóvel e do respectivo estado de conservação *1;
1689 / 1690 - a municipalidade de Vimioso manda fazer trabalhos de consolidação e restauro;
1710 - última ocupação militar da fortaleza, no contexto da Guerra de Sucessão de Espanha;
1935 - descrição do castelo pelo Padre Miranda Lopes;
1944, Junho - o município requer à DGEMN obras no imóvel;
1974, Junho - verifica-se ser necessária a desobstrução da torre, consolidação de alvenarias e abóbadas;
1992, 1 Junho - o imóvel foi afecto ao IPPAR, pelo Decreto-lei 106F/92;
2002 - assinatura de um protocolo entre a Câmara de Vimioso e o IPPAR para transformação do imóvel em núcleo museológico;
2006 - projecto de criação de um centro de interpretação, pelo IPPAR.

Características Particulares
Castelo fronteiriço para vigia e defesa do perigo proveniente do reino de Leão, parecendo-se mais com uma atalaia, ao jeito de Penas Róias, elevado entre vales, bem defendido pela orografia, visionando uma vasta região fronteiriça. A cisterna mantém-se relativamente bem conservada, com abóbada de aresta, junto à muralha, bem como a torre de menagem românica, com reconstrução gótica, como se depreende do vão apontado da porta de acesso.

Observações
*1 - "Para a parte do poente estava hua porta de carvalho chapeada de ferro com o ferrolho grosso da parte de dentro, e um postigo na mesma porta, na qual já faltavam algumas barras, e por esta se entra em um fortim de obra morta, que fica para a parte do norte, dentro do qual, no muro do castelo, à mão direita, fica hua porta, e desta se sobe por uns degraus de pedra que ficam entre o muro e a tôrre; e logo se entra por terceira porta chapeada de pregos e barras de ferro, com fechaduras e ferrolhos pela parte de dentro, e desta porta se entra em uma casa, no meio da qual havia um "asapão" (sic), que decia para um fallço, e dentro da dita casa, que se acha arruinada de telhados, estão quatro portas, uma em entrando e outra entrando nela; à mão direita se entra em hua casa que serviu de tulha, com uma fenestra para o poente; desta se passa a outra casa que servia de almazem de polvora com duas fenestras, uma para o poente e outra para o norte; segunda porta que sobre uma escada de pedra tosqua para a tôrre e muro; terceira porta, a primeira e principal do muro, que sai a um patim, que tem hua porta grande para uma casa, que serve de cavalariça, arruinada; e deste patim se entra em outra casa grande com dois fornos e hua pia de cantaria grande, que tudo se acha arruinado, e no mesmo patim está outra porta fronteira à principal do patim, porque se entra em uma casa de cavalariça e lenha arruinada, e desta casa se sai a outro patim que fica para a parte do sul, sobre o rio Angueira; quarta porta na primeira casa do muro, para a parte do sul, por que se entra em uma casa de sisterna de abobada, com janela no tecto da abobada, e sobre esta um fortim com suas guarnições e campo para uma peça; junto da porta sisterna, na primeira casa sobre uma escada de pedra tosqua, da parte do nassente para o norte, que colhe a mayor parte do muro, e (...) sobe ao alto da torre donde está hua caza que servia de armas, donse se sae para hua porta que, à parte do sul, faz hua ponte sobre o dito rio, com suas ameyas; e junto desta casa dece hua esquada de pedra tosqua, e vem dar à segunda porta da primeira caza dentro da primeira salla; da primeira porta se sobe por hua esquada de madeira que dá em outra salla que a cobre, e na caza das armas nesta salla está hua porta ao nassente que dizem sahia para hua varanda de madeira; e desta mesma caza se sobe por hua esquada de mão para a tallaya da torre; e fica todo o castelo fundado sobre o muro da parte do poente, continuando ao norte e da parte do norte, ao sul e nascente, fiquão muros divididos da torre, dentro dos quais se acham as cazas assima sobreditas e declaradas, e tudo arruinado emcapaz de defeza e abitação; e não tem o dito castello o barbaquão nem foços por não lhe serem necessarios pella eminencia do monte em que está fundado, nem tem armas nem monição, carretas nem peças; tem hua torre no meyo em que se achão as cazas de que se tem feito menção, a qual torre é coadrada sem abertura nem ruyna no corpo dela".

(fonte: IHRU)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nabância: uma praça

Como L. Manini viu uma praça de Nabância

terça-feira, 29 de março de 2011

A Pedra Oblíqua, de novo

Esta é uma imagem recente da designada "Pedra Oblíqua" de Santa Maria do Olival

Esta é uma imagem antiga de 1871 (de José Artur Leitão Bárcia)

Estas outras, são da DGEMN, a 1ª das obras realizadas durante a década de 1940 (1940-42) e a 2ª dos finais do Séc. XIX


A imagem antiga de 1871, vem comprovar a teoria que em 2009 referi: a "Pedra Oblíqua" de Santa Maria do Olival, não existia naquela posição até às décadas de 40/50 do Séc. XX. Diria que ali foi colocada entre as obras da década de 40 e 50 (Séc. XX). Diria mais, terá sido colocada durante o período da 2ª Guerra Mundial, e após uma indesejada 'visitação' ... por parte de "convidados" indesejados e indesejáveis, à procura daquilo que nunca deveriam ter visto, e eventualmente - espero bem que não - subtraído.


- Nota: A foto de José Artur Leitão Bárcia foi obtida hoje a partir do Arquivo de Lx, graças à publicação no Facebook por Rui Ferreira, a quem agradeço a menção da existência de espólio de Thomar num Arquivo que consulto há anos, e que pensava só ter coisas de Lx! Obrigada

segunda-feira, 28 de março de 2011