sábado, 26 de março de 2011

Carta de Teodomiro, rei dos suevos


Carta de Teodomiro, rei dos suevos, escrita aos bispos que se encontram reunidos no Concílio de Lugo sobre as igrejas que ficam pertencendo às várias dioceses

- Jan. de 569 (TT)

Mosteiro de Santa Maria de Moreruela

«...fratres de Moreyrola populaverunt villam de Constantim et villam Sancti Johanis in Miranda...»

Monasterio de Santa María de Moreruela

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cabido da Sé de Coimbra

A existência do cabido da sé de Coimbra é anterior à data de 13 de Abril de 1086, tradicionalmente atribuída para a sua fundação. O documento que refere este facto contém uma interpolação de narrativa histórica. A sua constituição poderá, efectivamente, ser anterior.

A sé de Coimbra desempenhava um papel de relevo, porque estava situada na futura capital do reino e porque o seu território abrangia extensos e ricos povoados. Esta diocese, que se estendia, para o norte, até ao Douro, manteve permanentes contendas sobre a jurisdição de igrejas e os direitos episcopais com as sés do Porto, de Braga e, ao sul, com a sé de Lisboa.

Eram constantes os conflitos de poder com outros prelados, facto atestado pelo grande número de bulas destinadas a apaziguar estes confrontos.

A 23 de Março de 1102, a bula " Apostolicae sedis", de Pascoal II, outorgou à sé de Coimbra a administração das sés de Viseu e Lamego, nas quais não havia prelados e que detinham um baixo índice populacional, por terem sido muito fustigadas pelas guerras da Reconquista. Esta administração manteve-se até 1147.
As questões de jurisdição sobre as igrejas pertencentes ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra foram regulamentadas no tempo de Inocêncio III, pela bula "Cum olim",de 26 de Junho de 1203.

Após a segunda reconquista cristã (1064), observou-se uma proliferação de mosteiros e conventos que tiveram um papel decisivo na fixação das populações.

Posteriormente, com a reforma dos mosteiros e conventos (Santa Cruz, Santa Maria de Celas, Santa Clara e Santa Maria de Lorvão), a vida regular conheceu um grande desenvolvimento.

D. Paterno, bispo de Coimbra (1080-1087), reuniu, durante a sua prelatura, pela necessidade de evangelização, um grupo de jovens clérigos, o cabido catedralício, para o auxiliar nas tarefas pastorais, litúrgicas e de administração diocesana.
O cabido, dirigido por um "prepositus" ou prior, tinha vida comunitária, organização interna estabelecida, difundia a liturgia romana e a reforma gregoriana e praticava a regra de Santo Agostinho. As dignidades dos cónegos eram as seguintes: deão ou prior, a quem competia, também, a administração patrimonial; chantre, que tratava do canto e das cerimónias; mestre-escola, para ensinar, entre outras artes, a gramática; tesoureiro, guardava os livros, documentos e alfaias litúrgicas; arcediagos (quatro, no séc. XII), auxiliados pelos arciprestes. Designavam-se porcionários (raçoeiros, terciários) outros eclesiásticos que substituíam os cónegos nos seus impedimentos.

Com o conde D. Sesnando, D. Paterno fundou a escola catedralícia, sob a orientação do arcediago e, depois, do mestre-escola, onde os jovens estudavam as humanidades e eram preparados para a vida eclesiástica.

Ainda existia em 1140, como catedral, uma igreja moçárabe com a invocação de Nossa Senhora.

D. Afonso Henriques mandou erguer no mesmo local um templo românico, hoje Sé Velha. Em 1772, a antiga igreja do Colégio dos Jesuítas passou a funcionar enquanto sé. É a Sé Nova que assim permaneceu até aos nossos dias.

Desde tempos remotos que a catedral de Coimbra é dedicada a Santa Maria e promoveu, largamente, a difusão do culto mariano, a par de outras cerimónias litúrgicas. Com D. Egas Fafe (1248-1267), os cónegos cantavam, diariamente, a "Salve Regina". Em 1295, D. Aymerico d' Ébrard (1279-1295) instituiu a celebração do "Corpus Christi" e, em 1320, D. Raimundo d' Ébrard (1319-1324), a festividade da Imaculada Conceição.
O Livro Preto, enquanto cartulário da Sé, e o Livro das Calendas, contêm o registo dessas actividades de canto e de assistência à pobreza.

Nas primeiras décadas de 200, generalizou-se, em território nacional, a formação das mesas capitulares. As prebendas, rendimentos da mesa capitular, eram atribuídas, de acordo com a hierarquia, em porções fixas, e constituíam a base do sustento de cada cónego.

O cabido era então constituído, no século XI, por cerca de uma dezena de cónegos; com D. Gonçalo (1109-1127), por trinta cónegos; com D. Martinho (1183-1191) , encontramos já cónegos em número de quarenta. Com D. Pedro Soares (1192-1232), por uma carta estatutária de 17 de Março de 1210, deu-se, a exemplo da sé de Braga, a cisão definitiva entre a mesa episcopal e a mesa capitular.

As "Constituições do bispado de Coimbra"não contém informações acerca da organização e gestão dos bens das duas mesas e depósito dos livros e documentos da chancelaria. Estas funções foram exercidas do mesmo modo das levadas a efeito no bispado do Porto, para as quais existe documentação.

Em 1210, as rendas da sé são divididas em três partes (duas para o bispo e uma para o cabido).

O cabido tinha a seu cargo os assuntos de carácter económico, que diziam respeito à administração do seu vasto património, e as procurações passadas pela canónica aos seus mandatários para sua representação, com uma produção documental de tipologia variada. A documentação do séc. XIX (1836) refere que ocabido nunca teve a seu cargo o paço episcopal e os seus móveis.

O mais antigo documento capitular selado data de 1242 mas o primeiro selo do cabido de Coimbra é bastante anterior (início do séc. XIII). Até ao 1318, a canónica da catedral utilizou sete matrizes, todas com o formato de dupla ogiva e de invocação mariana.

O colégio canonical transformou-se, progressivamente, num corpo autónomo, que defendia os seus direitos, muitas vezes em oposição declarada face aos interesses da prelatura.

Durante os séculos XII e XIII, o cabido da sé de Coimbra sofreu uma progressiva secularização, integrada na evolução seguida no contexto nacional e europeu, com a acumulação de benefícios e rendimentos próprios, e expressa nos estatutos outorgados, em 1229, pelo legado papal, Jean d'Abbeville, bispo de Sabina, encarregado de implementar as decisões do IV concílio de Latrão (1215). A forma de vida do cabido deixou de ser comunitária e as principais obrigações dos cónegos eram as litúrgicas.

Em 1414, o número de canonicatos era de 38.
Com a diminuição das rendas, deu-se o decréscimo do número de cónegos, que eram 27 em 1453, chegando, no tempo dos liberais, a 12, nomeados pelo governo.

Os estatutos foram alterados, de novo, em 1572, por D. João Soares e, em 1741, por D. Miguel da Anunciação.

(fonte: TT)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Palaçoulo

Palatiolum ou Palaçuolo

Há indícios de que o seu povoamento tenha tido inicio em épocas pré-históricas.
Esta conclusão é fundamentada pela descoberta de figuras rupestres em Palaçoulo.
O espólio aqui encontrado é composto, para alem de desenhos gravados em rocha, por algumas escavações feitas na pedra, identificadas como possível Santuário rupestre, sendo distinguidos, nas rochas marcas de espaços rectangulares e do que parecem ser pias. Estes achados são de extrema importância histórica e valor arqueológico.

Há também manifestações da permanência romana no território da freguesia, confirmados pela existência de vestígios de um Castro talvez romanizado (Penhal Castro), a Oeste da povoação, e ainda vestígios de um povoado romano, o “Toural”.
Crê-se que o seu topónimo tenha tido origem na língua Latim, com o termo “Palatiolum”, sofrendo uma transformação para Palaciolo na Idade Média, sofrendo evolução para Palaçuolo, em Língua Mirandesa.

A Heráldica da freguesia, cujo o parecer foi emitido a 24 de Abril de 2001, é composta por Brasão, Bandeira e Selo, figurando em cada um deles o seguinte: Brasão – Escudo de ouro, feixe de uma espiga de trigo e duas de centeio, de verde, passadas e atadas de vermelho, entre duas rodas dentadas de vermelho, tudo alinhado em faixa. Em chefe, cruz da Ordem de Cristo.

Palaçoulo, adonde bás
Cun tanto porgresso, tanto
Que yá sós i mais serás
La tierra de l mui ancanto

Coro
Nossa tierra mirandesa
Nuosso rincon sim eigual,
Sós tan çfrente na beleza
De quando hai na Pertugal!

Cun palicos a bater
Tenemos danças antigas
I mocicas que hai que ber
Báilan i cántan cantigas!

Yé honra i pruoa pr’a nós
Nuossa fala mirandesa,
Lhiéngua de ls nuossos abós,
Harmana d’la pertuguesa.


- Hino de Palaçoulo

(Disponibilizado pela Junta de Freg.)

Da falta de discernimento

Existe um livro com o título:

«Libro, de la conuersion de la Magdalena, en que se ponen los tres estados que tuuo de peccadora, y de penitente, y de gracia»

escrito por fr. Pedro Malon de Chaide, da Ordem de S. Agostinho.

Uma vez mais, Maria Madalena, símbolo de Mulher, retratada como uma pecadora, uma devassa, penitente, e posteriormente, e após uma prolongada angústia e sofrimento, em graça ...

O problema foi, de facto, o Concílio de Trento? Ou de uma forma básica e rude a incapacidade de discernimento, cobardia, ou, tão só, a incapacidade de sentir?

A Torre do Templo, Paris

Archivo Popular


quarta-feira, 23 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

A Capela de D. Estevão Peres Espinhel

O Cavaleiro do Templo D. Estevão Peres Espinhel conjuntamente com sua Mulher D. Maria, instituiram em 1281 uma Capela quotidiana (uma Capela quotidiana, é o rezar de missa(s) diariamente, sob determinadas condições estabelecidas pelos seus instituidores, e fazendo os seus instituidores reverter determinadas rendas para tal efeito).

Tal Capela foi instituída na Ermida de São Til Afonso, junto a Santa Maria dos Olivais.
(Ficaram estupefactos? ...)

Para a manutenção da Capela, deixou uma Quinta em Travanca.

Entretanto, com a extinção da Ordem do Templo, as rendas foram apropriadas e andaram a ser consumidas pelos vigários (faz juz ao sentido atribuído pelo calão ...) de Santa Maria dos Olivais, sem que tais indíviduos tenham rezado uma missa sequer ao longo de 300 anos ... pelos instituidores de tal Capela.

Oucidres

Oucidres foi cabeça de Comenda da Ordem de Cristo e do Padroado Real.



Foi reitoria da apresentação da mitra, ou, segundo a estatística paroquial de 1862, da apresentação alternada da sé e da mitra.
Foi cabeça de comenda da Ordem de Cristo, no termo da vila de Monforte de Rio Livre.
Pertenceu ao concelho de Monforte do Rio Livre, extinto em 31 de Dezembro de 1853, passando nessa data a integrar o de Chaves.
A freguesia é composta pelos lugares de Oucidres, Vila Nova e Vilar de Iseu.
A paróquia de Oucidres pertence ao arciprestado de Chaves e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922.

O seu orago é Santo André.

No centro da aldeia ergue-se um interessante cruzeiro, e a umas dezenas de metros deste uma bela capela, conhecida por Capela do Larouco, de um só altar e com a frontaria ocupada por uma galilé. A padroeira é a Senhora do Rosário. É nesta capelinha que segundo dizem guardam umas santas relíquias, que o povo diz terem grandes virtudes contra a doença da raiva ou hidrofobia.

A designação Larouco poderá indiciar a cristianização desta divindade pagã.

Possui ainda uma interessante fonte de mergulho.

No espaço das terras de cultura eleva-se uma pequena eminência a que o povo dá o nome de Alto da Torre o que poderá indicar que ali poderia ter existido uma fortaleza medieval.

(Fotos e texto em citação: Ribeiro D. C.)


O monte Larouco, deus protector das terras de Barroso


Juro que voltarei
ainda que morresse ontem!
Voltarei aceso na cor louca da açucena
na inocência do homem
nos mil lírios do poema
voltarei!
Voltarei no pó do granito cinzento
na saudade do sorriso breve
no volteio alucinante do regibó no vento
na redonda monotonia da neve.
No jovem capaz de admirar-te
na memória do velho que se adivinha
Juro que voltarei!
Juro que voltarei para amar-te;
voltarei, pátria minha,
porque sempre te amei.


- José Dias Baptista, A Pátria Barrosã

segunda-feira, 21 de março de 2011

Castro Laboreiro: Santuário pré-romano

A designada Tutela (entidade nacional que é suposto garantir a preservação do património nacional ...) apelida o Santuário de: "Gravuras Rupestres do Fieiral".


"Um estudo muito bem feito, sim senhor" ...

A versão da Tutela para o Santuário:

Descrição
Conjunto de gravuras rupestres distribuídas pela superfície de dois afloramentos graníticos, um dos quais de grandes dimensões. Os motivos são de carácter geométrico-simbólico. Embora as rochas ainda estejam em estudo *1 parecem ser dominantes composições com base nos motivos de quadrados de cantos redondos segmentados por dois diâmetros. Visualizam-se igualmente alguns podomorfos e paletas.

Enquadramento
Rural. Planalto de Castro Laboreiro, já próximo das brandas da margem direita do rio Laboreiro. Vegetação dominante degradada, tojos, carqueja e urzes, substrato granítico. Pequeno anfiteatro natural virado a SO., dominando o vale do Laboreiro e, em fundo, as cristas da Serra da Peneda. Vêem-se em primeiro plano os últimos campos agricultados das brandas mais orientais e corre próxima a levada de água que as abastece.

Cronologia
Bronze Final / Idade do Ferro - gravação dos motivos.

(fonte: IHRU)

Castro Laboreiro: Santa Maria do Castelo


Como em tantos e tantos Castelos Templários do Séc. XII em Portugal, construídos e/ou reconstruídos pelos Templários, também o de Castro Laboreiro teve um templo dedicado a Santa Maria; o templo de Santa Maria do Castelo.

Também como em tantos e tantos Castelos Templários portugueses do Séc. XII, enfrenta-se uma desarrazoada destruição das construções, e acima de tudo, do espírito do local.

Dos templos dedicados a Santa Maria nos Castelos Templários, muito pouco ou quase nada existe hoje.

O Castelo de Castro Laboreiro teve no seu interior o: templo de Santa Maria, do Castelo.

Castro Laboreiro: Castelo

Este Castelo foi reconstruído pelos Templários.

Descrição
Planta oval, orientada no sentido N. / S., com restos de pano de muralha erguidas sobre as fragas, por vezes fazendo reentrâncias, que correspondem às antigas torres assinaladas por Duarte Darmas. A entrada principal - Porta do Sol - abre-se a nascente e a da traição - Porta do Sapo - a N., de arco pleno sobre pés-direitos. Pano de muralha no sentido E. / O. cria recinto fechado, com acesso por ponte de arco pleno sobre pés-direitos, e utilizado para recolha de gado e bens em época de invasão. Junto a esta muralha conservam-se ruínas da antiga cisterna.

Época Construção
Séc. XIII (conjectural)

Cronologia
Séc. 09 - D. Afonso III das Astúrias, o Magno, dá povoação de Castro Laboreiro e Castro ao Conde D. Hermenegildo, avô de São Rosendo, por este ter vencido Witiza que se havia revoltado; durante o domínio do Conde galego, o Castro foi adaptado a castelo, caindo depois no poder dos mouros;
1144 - D. Afonso Henriques conquista-o;
1145 - restaura-o; [adivinhem quem o restaurou, e assegurou a segurança e povoamento ...]
Séc. XIII - segundo inscrição, D. Sancho I completou a obra [!];
1212 - arrasado durante a invasão Leonesa;
1290 - reconstruído por D. Dinis; os Gomes de Abreu, de Merufe, tiveram durante muitos anos a alcaidaria de Laboreiro, que andava junta com a de Melgaço;
1375 - D. Fernando deu a alcaidaria a Estevão Anes Marinho;
Séc. XIV - depois da conquista de Melgaço, D. João I usou Castro Laboreiro para deter as várias incursões castelhanas vindas da Galiza;
1441 - era alcaide-mor Martim de Castro, que foi afastado devido a queixas dos moradores da vila;
1666, Maio - Baltazar Pantoja tomou o castelo de supresa depois de 4 horas de luta; deixou como Governador D. Pedro Esteves Ricarte, que se rendeu ao 3º Conde de Prado, D. Francisco de Sousa;
1671 - o rei, ao contrário do parecer de Michel Lescole, decide conservar o castelo de Castro Laboreiro;
1715 - depois de estabelecida a paz, ficou desguarnecido;
1766 / 1778 - o Conde de Bobadela, Governador das Armas da Província, ali mandou recolher 400 homens e mulheres que se negaram a apresentar seus filhos recenseados para o serviço militar;
1746 / 1779 - foi Governador da vila de Castro Laboreiro Manuel de Araújo Machado;
1801 - ocupado por tropas e defendido com 4 peças.

Características Particulares
Castelo construído no cimo de um monte, de difícil acesso, adaptando-se à morfologia do terreno. Foi construído por D. Dinis onde anteriormente se erguia um outro referenciado documentalmente desde há muito.

Observações
Segundo os desenhos de Duarte de Armas, o castelo de Castro Laboreiro tinha, por volta de 1506, as muralhas reforçadas por 5 torres quadrangulares envolvendo a torre de menagem central, precedida por outra construção e com cisterna mais para N. A S. erguia-se junto à torre construção não identificada. Na planta assinala apenas 1 porta a S., contudo no desenho lateral assinalou 2, as mesmas marcadas na planta actual do castelo.

(fonte: IHRU)