Um Ano verdadeiramente extraordinário, onde Tudo será possível
sexta-feira, 18 de março de 2011
Lua Plena em Equinócio da Primavera
Um Ano verdadeiramente extraordinário, onde Tudo será possível
quinta-feira, 17 de março de 2011
Castelo de Seda



Antecedentes
O primitivo povoamento humano desta região remonta a época pré-histórica, de que são testemunho cerca de uma dezena e meia de antas ali identificadas. A presença romana na região é testemunhada pela ponte de Vila Formosa, erguida entre o século I e o século II, e marcos miliários de uma estrada.
Alguns autores admitem que a primitiva fortificação da povoação remonte a um castro dos Lusitanos, ocupado por tropas romanas que sobre ele teriam erguido uma fortificação, o que não se encontra comprovado.
O castelo medieval
No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi conquistada pelas forças de D. Afonso Henriques, em 1160, vindo a ser doada pelo soberano aos cavaleiros da Ordem do Templo, que o haviam auxiliado na empreitada. Datará dessa época o início da primitiva cerca da povoação.
Sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279), Seda foi entregue aos cavaleiros da Ordem de Avis (1271), na pessoa de seu Mestre, Frei Fernão Soeiro, que lhe outorgou foral.
D. João I (1385-1433) concedeu-lhe Carta de Foral (30 de Outubro de 1427), elevando-a a vila, privilégio renovado à época de D. Manuel I (1495-1521), que lhe concedeu o Foral Novo (1 de Outubro de 1510). A sua importância é atestada pelo fato de que em 1527 passou a sede de Concelho, sob a jurisdição da Ordem de Avis, privilégio extinto em 1836.
Os nossos dias
Chegaram até aos nossos dias um troço da muralha medieval, reforçado por cubelos, em precário estado de conservação. Esses vestígios encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público, por Decreto publicado em 26 de Fevereiro de 1982.
(fonte: Wikipedia)
Descrição
Cerca urbana com 3 cubelos e vestígios de um quarto. Toda a estrutura tem terminação irregular.
Enquadramento
Rural, delimitando, a E., a zona N. do primitivo núcleo de habitações. As muralhas e cubelos situam-se, concretamente, entre hortas e quintais das habitações da R. do Castelo, do lado E., e uma encosta abrupta que é já propriedade agrícola.
Cronologia
Do período romano ao muçulmano - existiria um castelo com o nome de Arminho;
1160 - D. Afonso Henriques terá conquistado a povoação aos mouros; após a conquista - doação aos Templários;
1271, 18 de Maio - concessão de foral por Fr. Simão, mestre de Avis;
1427, 30 de Outubro - D. João I ter-lhe-á dado foral;
1510, 1 de Setembro - concessão de foral por D. Manuel I;
1527 - era sede concelho quando do Numeramento, da jurisdição da Ordem de Avis, possuindo 184 moradores;
1836 - extinção do concelho com a reforma administrativa;
1970 - derrocada de um troço de muralha e parte de um cubelo.
(fonte: IHRU)
O Castelo de Seda foi doado por D. Afonso Henriques à Ordem do Templo, porque foram os esforços dos Templários, e do seu Mestre, que o Castelo passou a ser parte de Portugal.
Ainda, o facto, de serem os Templários que iriam garantir a segurança e o povoamento da região ...
O Templo, garantia a Construção e Harmonia.
quarta-feira, 16 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
Bushido: O Caminho do Guerreiro

Os homens devem moldar o seu Caminho.
A partir do momento em que vir o Caminho em tudo o que fizer, tornar-se-á o Caminho.
A vida é limitada, mas a Honra e o Respeito duram para sempre.
- Miyamoto Musashi

Para a classe guerreira, seguir o bushido, é dar ênfase à lealdade, fidelidade, auto sacrifício, justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial e Honra acima de tudo; morrer com dignidade.
Formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e Confucionismo, o código de honra do guerreiro samurai, conhecido como bushido, surgiu da combinação dessas doutrinas e religiões.
O Budismo relaciona-se com o bushido, através do destemor ao perigo e à morte.
O samurai não teme a morte pois assume os ensinamentos budistas, que fala da vida após a morte.
Voltar a ser guerreiro nas suas contínuas reencarnações, se assim o decidir.
Os samurais não têm medo do perigo, as técnicas de meditação Zen, são utilizadas como um meio de limitar qualquer temor.
Com os ensinamentos Zen, os samurais buscam harmonia com o seu Eu interior e com o mundo à sua volta. O desapego é a base para o samurai; com a prática do desapego, o samurai torna-se um verdadeiro Guerreiro.
Outras influências no bushido foram os preceitos do Xintoísmo: lealdade, o patriotismo e a reverência aos antepassados.
Com tal lealdade para com a memória dos ancestrais, os samurais empenham essa mesma reverência ao imperador e ao seu daimyo ou senhor feudal.
O Xintoísmo também dá importância ao patriotismo para com o país, o Japão. De acordo com o Xintoísmo, a Terra não existe apenas para suprir as necessidades das pessoas: "É a residência sagrada dos deuses e dos espíritos dos antepassados... A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada por um patriotismo intenso".
O Confucionismo oferece ao bushido, a relação entre os seres humanos e as suas famílias.
O Confucionismo ressalta o dever filial e as relações entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo, e entre amigos.
Em conjunto com estas virtudes, o bushido afirma a justiça, benevolência, amor, sinceridade, honestidade, e autocontrole.
A Justiça é um dos factores principais no código samurai, bem assim como o amor e a benevolência, que são sumptuosas virtudes dos samurais.
Ver ainda: Bushido, na Wikipedia
Igreja de Nossa Senhora do Rocamador

Arquitectura religiosa, trecentista, maneirista e barroca. Igreja medieval de fundação românica e edificação durante o gótico inicial, conservando vestígios de várias campanhas de renovação, nomeadamente renascentistas, classicistas e chãs, que não alteraram a tipologia inicial de planimetria longitudinal de nave única, com seis tramos separados por arcos diafragma quebrados, semelhantes às Matrizes de Escarigo, Mata Lobos, Vermiosa, Vilar Formoso e Vilar Torpim. Contrafortes exteriores, semelhantes aos das Matrizes de Mata Lobos, Malpartida e Vilar Formoso. Capela-mor com cobertura autónoma e iluminada por janelas em capialço. Capelas adossadas ao alçado lateral direito. Retábulos de pedra e madeira, de estrutura maneirista, com nichos centrais, tabela e aletas, situados ao longo da nave. Retábulo principal e capela com decoração rococó, à base de volutas, acantos e concheados. Retábulo com nicho central, mísulas laterais, separados por colunas com fustes decorados com concheados e acantos. Remate com grande profusão decorativa, bem como nos apainelados do banco. Cobertura da capela-mor em caixotôes, com decoração hagiográfica. A nave é coberta com vigamento de madeira. Púlpito renascença sextavado com guarda de cantaria e assente sobre coluna, igual ao da Matriz de Vermiosa. Campanário com duas sineiras adossado ao alçado lateral direito e com acesso pelo interior do imóvel.
Descrição
Igreja de planta longitudinal, simples, composta por nave única prolongada pela capela-mor mais alta e estreita e capelas laterais inscritas do lado da Epístola, formando um conjunto de volumes escalonados que recebem coberturas individualizadas, sendo a do corpo em telhado de duas águas e a da capela-mor em quatro. A capela-mor encontra-se implantada sobre embasamento proeminente, acompanhando o desnível de cota do terreno. Torre campanário na fachada principal, adossada ao lado SO., de planta quadrangular e alçado de três andares divididos por cornija saliente. O primeiro registo está embebido no embasamento e não tem expressão na fachada principal; o segundo registo é também cego e o terceiro é aberto em quatro edículas sineiras. Os ângulos são coroados por pináculos.
Enquadramento
Urbano, isolado, destaca-se no largo a que deu o topónimo, situado a meia encosta e confinante com o Pelourinho, espaço caracterizado por construçôes rústicas de dois pisos, e com a rua que termina no Lg. de São João, onde se levanta o Marco Comemorativo dos Centenários. A fachada principal abre-se para o adro que acompanha o desnível do terreno, pavimentado com lajes de granito e murado por guardas baixas que o protegem.
Época Construção
Séc. XIII (conjectural) / XVI / XVII / XVIII
Cronologia
Séc. XIII - fundação da igreja, dedicada a Nossa Senhora do Rocamador ou Reclamador, na linguagem popular, pela Confraria dos Frades de Nossa Senhora de Rocamadour, congregação vocacionada para fins humanitários, nomeadamente para o apoio aos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela e que se estabeleceu em Portugal em 1192;
Características Particulares
Igreja medieval de fundação românica e edificação durante o gótico inicial, conservando vestígios de várias campanhas de obras, nomeadamente renascentistas, chãs e barrocas. Fachada lateral mostra cachorrada zoomórfica sob a cornija. Torre campanário adossada à fachada principal, com o primeiro andar embebido no embasamento do adro, só visível a partir da fachada lateral. Mantém vários retábulos e imaginária seiscentista, bem como púlpito renascença e a primitiva pia baptismal. Dois contrafortes laterais. Pintura mural no lado do Evangelho da capela-mor, representando uma Última Ceia.
Materiais
Granito, cantaria com juntas argamassadas, sem revestimento, alvenaria reboca e caiada; telha de canudo; forros de madeira; pintura mural.
(fonte: IHRU)
Castelo Rodrigo



O Castelo de Castelo Rodrigo, designado como:
Muralhas do Castelo e Palácio de Cristóvão de Moura
Arquitectura militar e arquitectura residencial, medieval, manuelina e maneirista. Cerca de dupla muralha escalonada com cubelos e torreões ligada ao castelo, de montanha, de planta irregular, composto por castelejo e barbacã marcados por cubelos semi-circulares e torres de planta rectangular e portas em arco quebrado e pleno, com afinidades tipológicas com o castelo de Castelo Melhor. A alcáçova foi reaproveitada para Paço residencial do alcaide-mor, remodelado no período maneirista, arruinado, subsistindo algumas estruturas com pátio rectangular central, de onde parte corredor, distribuidor dos vários compartimentos. Fachadas interiores com vestígios de lançamento de vários pisos. Piso inferior com cisternas rectangulares.
Descrição
Recinto muralhado incompleto, de traçado irregular de configuração ovalada, envolvendo a povoação. Os troços de muralha existentes apresentam construções adossadas, à excepção dos lados N. e E.. A O. e S. existem cubelos ou torreões, de planta circular, observando-se quatro ainda erguidos, mas com os topos desmoronados, observando-se os anéis que os constituíam. No lado E., existe saliência quadrangular e, no lado N., uma torre de planta quadrada, parcialmente desmoronada. Subsistem três portas: a Porta do Sol, voltada a E., em arco quebrado provida de abóbada de berço quebrado, conservando os gonzos de cantaria; a Porta da Alverca, virada a N., em arco pleno e possuindo abóbada de berço e a Porta da Traição em arco quebrado, sendo o seu acesso feito a partir do Palácio, comunicando com pano de muralha envolvente, que compreende outra porta em arco quebrado e acesso a galeria subterrânea. No interior do recinto uma cisterna de planta rectangular irregular, sem cobertura, tendo a fachada N. cega e rematada por cornija, a O. possui três degraus no embasamento e é rasgada por duas portas, uma em arco quebrado e outra em arco de ferradura, que dá passagem a sequência de sessenta e três degraus de acesso ao interior da cisterna, de 13 m. de profundidade, segundo inscrição. O PALÁCIO de Cristóvão de Moura corresponde ao castelejo ou alcáçova, rodeado por panos de muralha a E. e a O., integrando este último seteiras cruciformes e, no ângulo SO., um cubelo de planta circular, encimado por torre sineira de registo único com quatro vãos em arco pleno. No lado E., um pano de muralha anexa a torreão semicircular em cantaria, de planta rectangular irregular e sem cobertura. A fachada N. é cega no primeiro registo, sendo o segundo rasgado por três janelões. A fachada O. tem, no primeiro registo, duas seteiras em arco pleno e, no segundo, vestígios do arranque de janelão. A S. duas torres de planta quadrada, que enquadram a porta principal, em arco abatido, de que apenas resta parte da moldura, com o remate das pilastras laterais, delimitando almofadas oblíquas e pedra de armas com brasão real invertido, encimado por frontão angular coroado por pináculo. Sobre este um arco pleno entaipado. Fachada E. apresenta, no primeiro registo, a Porta da Traição e, no segundo, três janelões e dois vãos abertos a toda a altura do pé-direito. INTERIOR: grande compartimento ou pátio rectangular central que comunica com as várias dependências, de que apenas se conservam parte das estruturas. Na ala E., lanço de escadas e sete compartimentos, surgindo, na O., quatro compartimentos. Um corredor longitudinal dá acesso à ala N.. Possui piso abaixo do nível do solo, integrando cisternas.
Enquadramento
Urbano. Constituem um cabeço fortificado destacado, a c. 821 m. de altitude, envolvendo a povoação, situada a O. da Serra da Marofa e da Serra da Vieira, englobando o núcleo urbano, circundadas por vasta área rural. Domina o extenso território de planalto, cujo arroteamento foi encabeçado pela comunidade monástica de Santa Maria de Aguiar, sediada a NE., abaixo do núcleo muralhado.
Época Construção
Séc. XII / XIII (conjectural) / XVI / XVII / XX
Cronologia
Séc. IV a.C. - segundo a tradição, os Túrdulos estabelecem-se no território;
Características Particulares
O palácio maneirista foi construído sobre pré-existência medieval do castelejo, facto visível na estruturação do espaço interno. Porta em arco de ferradura na grande cisterna revestida de mármore.
Observações
*1 - Cristóvão de Moura nasceu em Lisboa, em 1538, filho de Luís de Moura, alcaide-mor de Castelo Rodrigo e de D. Beatriz de Távora; foi educado por Lourenço Pires de Távora, embaixador em Espanha; regressou a Portugal no séquito da princesa D. Joana e foi nomeado embaixador de Filipe II em Lisboa, onde chega a 25 Agosto 1578; a 1 de Junho de 1600 recebe o cargo de governador e vice-rei de Portugal; morreu em Madrid a 28 de Dezembro de 1613.
(fonte: IHRU)
E pertinho do Castelo, a Igreja Matriz de: Nossa Senhora do Rocamador e Igreja e Mosteiro de Santa Maria de Aguiar
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Igreja Moçarabe de São Pedro de Balsemão

Arquitectura religiosa visigótica, maneirista. Planta de gramática basilical. Semelhanças com iconóstase. Decoração com motivos visigóticos: cordões circulares nas impostas, losangos gregos, espinhas, dentes de serra, impostas terminadas por modilhões enrolados. Afinidades decorativas com a Ermida do Paiva, Tarouquela e Sernancelhe.
Descrição
Planta longitudinal, composta, regular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas de telhados de 2 águas e não coincidência do exterior com o interior. Embasamento proeminente conferindo-lhe grande horizontalidade. Capela de 3 naves e capela-mor. Fachada do lado esquerdo com embasamento muito demarcado. Fachada principal delimitada por pilastras, com escadaria de 8 degraus rectangulares com rebordo no remate dos patins que dão acesso à porta, de perfil rectangular e ladeada por fenestração rectangular gradeada, encimada por 3 brasões de armas. Remate em cornija e pequena sineira sobre a porta. 2 registos epigráficos completam o muro da capela. O corpo da capela-mor, em plano mais recuado e de menores dimensões e altura, comporta pequena fenestração igual ao do corpo da capela. Fachada da capela-mor cega, embasamento e cornija. Lateralmente os muros, igualmente cegos, fecham o corpo da capela. Fachada do lado direito: Junto a muro, porta com arquitrave, a que se tem acesso por escadaria de 4 degraus semelhante à do alçado fronteiro, mas de menores dimensões. Pilastras e cornija. O alçado fronteiro ao altar-mor é cego por invasão de muro e construção que se prolonga até ao cunhal da capela. INTERIOR: 2 fiadas de 3 arcos de cada lado, a pleno centro, assentes em colunas cilíndricas atarracadas, com capitéis de decoração fitomórfica. Arco triunfal de arco em ferradura, assente em colunas adossadas ao pano murário divisor da capela com a capela-mor, lembrando iconóstase. Altar-mor de talha. Tectos de madeira, policromada, de caixotões.
Enquadramento
Rural, a meia-encosta, adossado parcialmente a antigo convento e depois Solar dos Pintos, destacado e harmonizado. Separado parcialmente por adro e caminho rural.
Época Construção
Séc. VII / XVII
Cronologia
Séc. VI - Balsemão já era paróquia;
Séc. XIII - nas Inquirições, surge referida como local bem povoado;
1562 - construção de um altar em honra de Santa Maria, cabeça do vínculo da Quinta da Régua, criado pelo bispo D. Afonso;
1981, 14 Setembro - o imóvel é afecto ao IPPAR, por auto de cessão.
Características Particulares
Planta da nave praticamente quadrada; portas de acesso laterais fronteiras entre si e ausência de pórtico fronteiro ao altar-mor
Observações
No interior, sarcófago lavrado e esculpido, com a estátua jacente do Bispo D. Afonso Pires, falecido em 1362. Não se apresentam fotos do interior por proibição do IPPAR - Porto
(fonte: IHRU)
quarta-feira, 9 de março de 2011
Ermida Moçarabe de São Gião









Igreja de nave única, com iconóstase, transepto, ábside, celas monacais dos 2 lados da nave.
Segundo estes autores, a igreja foi construída no Séc. VII, integrando-se estilisticamente na arte visigótica, pelo tipo de decoração das impostas e frisos (que surge também em San Juan de Baños e São Frutuoso de Montélios), pelo uso do arco ultrapassado apenas em 1/3 do raio, pelas dimensões dos vários espaços idênticas às de outras igrejas visigóticas (São Pedro de Balsemão), mostrando a iconóstase influência bizantina. Para Ferreira de Almeida a igreja integra-se num período mais tardio, já de influências moçárabes (Séc. X): o espaço interno muito fechado, centrado em torno do cruzeiro (distinto do espaço mais aberto da arquitectura visigótica), a existência de tribuna elevada sobre a porta, a entrada adintelada com arco de descarga, a solução adoptada na iconóstase, os arcos peraltados e não ultrapassados, os capitéis, o desenho e o recorte dos elementos decorativos (palmetas e acantos), as fortes impostas de acentuada molduração e as possíveis arcadas cegas da capela-mor (cujo arranque é visível junto aos alicerces) são indícios que apontam para a época da reconquista.
Para Manuel Nuñez Rodriguez, trata-se de uma igreja monástica que dispunha, entre a nave e um suposto coro-alto, de uma porta e 2 janelas segundo disposição que vai dar à base orientativa da tripla abertura observada futuramente na Igreja de São Julião de los Prados, nas Astúrias. Esquema que marcaria a separação entre o espaço monástico e o ponto de acolhida aos fiéis.
Descrição
Planta rectangular; volume simples coberto por telhado de 2 águas.
Fachada principal virada a NO., com empena triangular, rasgada por porta de vão rectangular, com lintel encimado por arco a meio ponto adintelado, rematado por fresta; na fachada oposta reconhece-se o arranque de uma abóbada a berço rebaixado, contornando um arco ultrapassado cujo vão está tapado com tábuas; na parede O. rasga-se uma fresta e um nicho, adossando-se à parte terminal uma armação em madeira, protegendo a dupla arcada aí posta a descoberto.
O interior, com tecto em madeira com travejamento à vista, é dividido por uma parede transversal que sobe até ao telhado, em que se rasgam 3 arcos peraltados, uma porta e 2 vãos laterais assentes em muretes, a c. de 1m do primitivo pavimento (a iconóstase), com uma abertura quadrangular perto do telhado; nas paredes laterais do transepto arcos duplos peraltados, apoiando-se em coluna monolítica central e lateralmente em impostas, com relevos (quadrifólios e SS); na parede NO. rasga-se o arco peraltado, que dava acesso à capela-mor, quadrangular (cujos alicerces foram descobertos nas escavações) assente em impostas, com palmas esculpidas.
No chão distinguem-se restos de um pavimento em "opus signinum".
Enquadramento
Rural. Insere-se numa exploração agrícola, adossado a outro edifício mais recente, a cerca de 600 m do mar, numa língua de terra arável, entre o areal e uma encosta rochosa.
Época Construção
Séc. VII ou X
Cronologia
Séc. VII - data provável de construção, talvez sobre templo romano pré-existente (dedicado a Neptuno) ou pelo menos com aproveitamento de material romano;
Séc. X - data de construção. A igreja esteve ao culto até época recente, atendendo aos testemunhos arqueológicos encontrados nas escavações;
1962 - descoberta por Eduíno Borges Garcia;
1997 - aquisição do monumento e terrenos adjacentes pelo Ministério da Cultura / IPPAR.
Observações
A igreja situava-se outrora na margem da lagoa da Pederneira, entretanto assoreada. * A ZEP inclui uma área "non aedificandi".
(fonte: IHRU)
terça-feira, 8 de março de 2011
A Maria


Numa ânsia insofrida e misteriosa...
A isto chamo eu vida: e, d’este modo,
Que mais importa a forma? Silenciosa
Uma mesma alma aspira à luz e ao espaço
Em homem igualmente e astro e rosa!
A própria fera, cujo incerto passo
Lá vaga nos algares da deveza,
Por certo entrevê Deus – seu olho baço
Foi feito para ver brilho e beleza...
E se ruge, é que a agita surdamente
Tua alma turva, ó grande natureza!
Sim, no rugido há uma vida ardente,
Uma energia íntima, tão santa
Como a que faz trinar ave inocente...
Há um desejo intenso, que alevanta
Ao mesmo tempo o coração ferino,
E o do ingênuo cantor que nos encanta...
Impulso universal! forte e divino,
Aonde quer que irrompa! e belo e augusto.
Quer se equilibre em paz no mudo hino
Dos astros imortais, quer no robusto
Seio do mar tumultuando brade,
Com um furor que se domina a custo;
Quer durma na fatal obscuridade
Da massa inerte, quer na mente humana
Sereno ascenda à luz da liberdade...
É sempre eterna vida, que dimana
Do centro universal, do foco intenso,
Que ora brilha sem véus, ora se empana...
É sempre o eterno gérmen, que suspenso
No oceano do Ser, em turbilhões
De ardor e luz, evolve, ínfimo e imenso!
Através de mil formas, mil visões,
O universal espírito palpita
Subindo na espiral das criações!
Ó formas! vidas! misteriosa escrita
Do poema indecifrável que na Terra
Faz de sombras e luz a Alma infinita!
Surgi, por céu, por mar, por vale e serra!
Rolai, ondas sem praia, confundindo
A paz eterna com a eterna guerra!
Rasgando o seio imenso, ide saindo
Do fundo tenebroso do Possível,
Onde as formas do Ser se estão fundindo...
Abre teu cálix, rosa imarcescícel!
Rocha, deixa banhar-te a onda clara!
Ergue tu, águia, o vôo inacesssível!
Ide! crescei sem medo! Não e avara
A alma eterna que em vós anda e palpita...
Onda, que vai e vem e nunca pára!
Em toda a forma o Espírito se agita!
O imóvel é um deus, que está sonhando
Com não sei que visão vaga, infinita...
Semeador de mundos, vai andando
E a cada passo uma seara basta
De vidas sob os pés lhe vem brotando!
Essência tenebrosa e pura... casta
E todavia ardente... eterno alento!
Teu sopro é que fecunda a esfera vasta...
Choras na voz do mar... cantas no vento...
- Antero de Quental, I, Odes Modernas







