sexta-feira, 18 de março de 2011

Lua Plena em Equinócio da Primavera

Amanhã dar-se-á Lua Plena em Equinócio da Primavera.

Um Ano verdadeiramente extraordinário, onde Tudo será possível

quinta-feira, 17 de março de 2011

Castelo de Seda


Versão Oficial:

Antecedentes
O primitivo povoamento humano desta região remonta a época pré-histórica, de que são testemunho cerca de uma dezena e meia de antas ali identificadas. A presença romana na região é testemunhada pela ponte de Vila Formosa, erguida entre o século I e o século II, e marcos miliários de uma estrada.

Alguns autores admitem que a primitiva fortificação da povoação remonte a um castro dos Lusitanos, ocupado por tropas romanas que sobre ele teriam erguido uma fortificação, o que não se encontra comprovado.

O castelo medieval
No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi conquistada pelas forças de D. Afonso Henriques, em 1160, vindo a ser doada pelo soberano aos cavaleiros da Ordem do Templo, que o haviam auxiliado na empreitada. Datará dessa época o início da primitiva cerca da povoação.

Sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279), Seda foi entregue aos cavaleiros da Ordem de Avis (1271), na pessoa de seu Mestre, Frei Fernão Soeiro, que lhe outorgou foral.

D. João I (1385-1433) concedeu-lhe Carta de Foral (30 de Outubro de 1427), elevando-a a vila, privilégio renovado à época de D. Manuel I (1495-1521), que lhe concedeu o Foral Novo (1 de Outubro de 1510). A sua importância é atestada pelo fato de que em 1527 passou a sede de Concelho, sob a jurisdição da Ordem de Avis, privilégio extinto em 1836.

Os nossos dias
Chegaram até aos nossos dias um troço da muralha medieval, reforçado por cubelos, em precário estado de conservação. Esses vestígios encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público, por Decreto publicado em 26 de Fevereiro de 1982.

(fonte: Wikipedia)

Descrição
Cerca urbana com 3 cubelos e vestígios de um quarto. Toda a estrutura tem terminação irregular.

Enquadramento
Rural, delimitando, a E., a zona N. do primitivo núcleo de habitações. As muralhas e cubelos situam-se, concretamente, entre hortas e quintais das habitações da R. do Castelo, do lado E., e uma encosta abrupta que é já propriedade agrícola.

Cronologia
Do período romano ao muçulmano - existiria um castelo com o nome de Arminho;
1160 - D. Afonso Henriques terá conquistado a povoação aos mouros; após a conquista - doação aos Templários;
1271, 18 de Maio - concessão de foral por Fr. Simão, mestre de Avis;
1427, 30 de Outubro - D. João I ter-lhe-á dado foral;
1510, 1 de Setembro - concessão de foral por D. Manuel I;
1527 - era sede concelho quando do Numeramento, da jurisdição da Ordem de Avis, possuindo 184 moradores;
1836 - extinção do concelho com a reforma administrativa;
1970 - derrocada de um troço de muralha e parte de um cubelo.

(fonte: IHRU)


O Castelo de Seda foi doado por D. Afonso Henriques à Ordem do Templo, porque foram os esforços dos Templários, e do seu Mestre, que o Castelo passou a ser parte de Portugal.
Ainda, o facto, de serem os Templários que iriam garantir a segurança e o povoamento da região ...
O Templo, garantia a Construção e Harmonia.

quarta-feira, 16 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Bushido: O Caminho do Guerreiro



Os homens devem moldar o seu Caminho.
A partir do momento em que vir o Caminho em tudo o que fizer, tornar-se-á o Caminho.


A vida é limitada, mas a Honra e o Respeito duram para sempre.
- Miyamoto Musashi

Bushido: significa, literalmente, "O Caminho do Guerreiro" - um código de honra não-escrito, uma filosofia de vida, uma auto-conduta, e um modo de vida para os samurais; fornece parâmetros para o Guerreiro viver e morrer com honra.
Para a classe guerreira, seguir o bushido, é dar ênfase à lealdade, fidelidade, auto sacrifício, justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial e Honra acima de tudo; morrer com dignidade.

Formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e Confucionismo, o código de honra do guerreiro samurai, conhecido como bushido, surgiu da combinação dessas doutrinas e religiões.

O Budismo relaciona-se com o bushido, através do destemor ao perigo e à morte.
O samurai não teme a morte pois assume os ensinamentos budistas, que fala da vida após a morte.
Voltar a ser guerreiro nas suas contínuas reencarnações, se assim o decidir.
Os samurais não têm medo do perigo, as técnicas de meditação Zen, são utilizadas como um meio de limitar qualquer temor.

Com os ensinamentos Zen, os samurais buscam harmonia com o seu Eu interior e com o mundo à sua volta. O desapego é a base para o samurai; com a prática do desapego, o samurai torna-se um verdadeiro Guerreiro.

Outras influências no bushido foram os preceitos do Xintoísmo: lealdade, o patriotismo e a reverência aos antepassados.
Com tal lealdade para com a memória dos ancestrais, os samurais empenham essa mesma reverência ao imperador e ao seu daimyo ou senhor feudal.
O Xintoísmo também dá importância ao patriotismo para com o país, o Japão. De acordo com o Xintoísmo, a Terra não existe apenas para suprir as necessidades das pessoas: "É a residência sagrada dos deuses e dos espíritos dos antepassados... A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada por um patriotismo intenso".

O Confucionismo oferece ao bushido, a relação entre os seres humanos e as suas famílias.
O Confucionismo ressalta o dever filial e as relações entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo, e entre amigos.

Em conjunto com estas virtudes, o bushido afirma a justiça, benevolência, amor, sinceridade, honestidade, e autocontrole.
A Justiça é um dos factores principais no código samurai, bem assim como o amor e a benevolência, que são sumptuosas virtudes dos samurais.

Ver ainda: Bushido, na Wikipedia

Igreja de Nossa Senhora do Rocamador

Castelo Rodrigo

Arquitectura religiosa, trecentista, maneirista e barroca. Igreja medieval de fundação românica e edificação durante o gótico inicial, conservando vestígios de várias campanhas de renovação, nomeadamente renascentistas, classicistas e chãs, que não alteraram a tipologia inicial de planimetria longitudinal de nave única, com seis tramos separados por arcos diafragma quebrados, semelhantes às Matrizes de Escarigo, Mata Lobos, Vermiosa, Vilar Formoso e Vilar Torpim. Contrafortes exteriores, semelhantes aos das Matrizes de Mata Lobos, Malpartida e Vilar Formoso. Capela-mor com cobertura autónoma e iluminada por janelas em capialço. Capelas adossadas ao alçado lateral direito. Retábulos de pedra e madeira, de estrutura maneirista, com nichos centrais, tabela e aletas, situados ao longo da nave. Retábulo principal e capela com decoração rococó, à base de volutas, acantos e concheados. Retábulo com nicho central, mísulas laterais, separados por colunas com fustes decorados com concheados e acantos. Remate com grande profusão decorativa, bem como nos apainelados do banco. Cobertura da capela-mor em caixotôes, com decoração hagiográfica. A nave é coberta com vigamento de madeira. Púlpito renascença sextavado com guarda de cantaria e assente sobre coluna, igual ao da Matriz de Vermiosa. Campanário com duas sineiras adossado ao alçado lateral direito e com acesso pelo interior do imóvel.

Descrição
Igreja de planta longitudinal, simples, composta por nave única prolongada pela capela-mor mais alta e estreita e capelas laterais inscritas do lado da Epístola, formando um conjunto de volumes escalonados que recebem coberturas individualizadas, sendo a do corpo em telhado de duas águas e a da capela-mor em quatro. A capela-mor encontra-se implantada sobre embasamento proeminente, acompanhando o desnível de cota do terreno. Torre campanário na fachada principal, adossada ao lado SO., de planta quadrangular e alçado de três andares divididos por cornija saliente. O primeiro registo está embebido no embasamento e não tem expressão na fachada principal; o segundo registo é também cego e o terceiro é aberto em quatro edículas sineiras. Os ângulos são coroados por pináculos.

Fachada principal voltada a NO. com remate em empena, de um só pano, sem eixo marcado, rasgada por portal de lintel recto do lado esquerdo e por janela rectangular moldurada um pouco desviada da cúspide que é coroada por cruz latina colocada sobre plinto.

Fachada lateral SO. fortemente marcada pela mole do campanário, apresenta pano mais recuado com contraforte de esbarro escalonado no meio e acesso com embasamento e escada sem guardas à entrada lateral por porta de lintel recto. Segue-se um corpo edificado em cantaria de granito, com alçado de dois pisos, cego no primeiro andar e com o segundo andar rasgado por três vãos de verga recta, apresentando-se o centro com cornija ligeiramente encurvada e alteada.

Na zona da capela-mor, rasga-se uma janela rectangular em capialço. Fachada tardoz cega. A fachada lateral NE. é igualmente cega e apresenta alguns cachorros zoomórficos sob a cornija. Pequeno contraforte marca a zona da nave.

O INTERIOR é desnivelado, com acesso por degraus, com a nave dividida em seis tramos separados por arcos diafragma ogivais, com forros de madeira individualizados. Do lado do Evangelho, inscreve-se uma sequência de altares entre os arcos. Um deles possui painéis pintados e nicho central que alberga uma imagem de roca e de vestir contra um fundo estrelado. Dividido por quarteirôes e enquadrado por colunas coríntias, com o fuste exterior com pontas de diamante, encimado por pináculos. Superiormente, tabela pintada, ladeada por aletas e coberta por frontão triangular.

Altar de cantaria aparelhada. Segue-se um retábulo de pedra inscrito por pilastras, coroado por aletas e pináculos, com duas imagens contemporâneas nas aberturas rectangulares laterais e uma imagem de Santa não identificada, de roca e de vestir, albergada por enquadramento de talha dourada formando duas colunas pseudo-salomónicas, que se prolongam em arquivoltas unidas no sentido do raio. Frontal decorado com acantos. Nicho em arco de volta perfeita com o paramento liso e uma base de colunelo de dois balaústres a meio, hoje ocupado por imagem de Nossa Senhora de Fátima. Retábulo enquadrado por pilastras, entablamento, cornija e arco abatido sobre o nicho com painel pintado e banqueta de altar em pedra, enquadradas por colunas espiraladas, prolongadas em arquivolta abatida. Frontal com relevos decorativos, formando concheados e motivos fitomórficos. No lado da Epístola, duas capelas de plantas quadrangular e rectangular, esta com cobertura em abóbada de aresta, pintada com motivos fitomórficos e concheados. Escadas de acesso à sineira, junto a um nicho de perfil curvo, em granito, uma porta de lintel recto flanqueada por capela rectangular escavada no paramento e revestida com cantaria, onde se conserva o Senhor dos Passos. Retábulo de talha dourada e policromada em arco apontado, com mísula central enquadrada por pilastras, que se prolongam em arquivoltas, unidas no sentido do raio.

Capela baptismal com arco de volta perfeito, onde se conserva a pia baptismal com taça hemisférica. Púlpito sextavado com guarda de pedra e sobre coluna. Sacristia de planta rectangular. A capela-mor está separada da nave por arco triunfal em volta perfeita e tem a testeira preenchida por retábulo de talha e recebe iluminação do vão rasgado do lado da Epístola. A cobertura é em tectos de vinte caixotôes pintados sobre madeira de castanho, representando figuras de Santos a meio-corpo *1, à excepção da fiada transversal, que é intersectada pelo retábulo, apresentando composição de motivos vegetalistas e concheados. Rectícula ornamentada com motivo em forma de espirais ligadas, motivo dourado e branco, apresentando florais dourados nas intersecçôes. Remate em cornija marmoreada em tons de azul com pintura a imitar triglifos e com mísulas em forma de folhas de acanto nos eixos da rectícula. Retábulo de três eixos, o central com tribuna e trono, tendo no fundo um resplendor. Lateralmente, duas mísulas, enquadradas por colunas de fuste decorado com motivos fitomórficos e concheados, sobrepujadas por enrolamentos. Ático forma frontão interrompido com profusão decorativa de acantos e concheados. Sobre a banqueta, sacrário. Inferiormente, elementos apainelados com decoração fitomórfica. Pintado de azul, vermelho e com marmoreados, tendo os pormenores decorativos a dourado. Lado do Evangelho com pintura mural, representando a Última Ceia.

Enquadramento
Urbano, isolado, destaca-se no largo a que deu o topónimo, situado a meia encosta e confinante com o Pelourinho, espaço caracterizado por construçôes rústicas de dois pisos, e com a rua que termina no Lg. de São João, onde se levanta o Marco Comemorativo dos Centenários. A fachada principal abre-se para o adro que acompanha o desnível do terreno, pavimentado com lajes de granito e murado por guardas baixas que o protegem.

Época Construção
Séc. XIII (conjectural) / XVI / XVII / XVIII

Cronologia
Séc. XIII - fundação da igreja, dedicada a Nossa Senhora do Rocamador ou Reclamador, na linguagem popular, pela Confraria dos Frades de Nossa Senhora de Rocamadour, congregação vocacionada para fins humanitários, nomeadamente para o apoio aos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela e que se estabeleceu em Portugal em 1192;

1209 - o texto dos foros concedidos por Afonso IX de Leão ao concelho de Castelo Rodrigo menciona a festa de Rocamador;

1321 - segundo o Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarve pelos anos de 1320 e 1321, pertence ao Bispado de Ciudad Rodrigo;

1403 - a paróquia é integrada no denominado "Bispado Novo" de Lamego, que incorporou as paróquias anteriormente sob a jurisdição da mitra de Ciudad Rodrigo;

Séc. XVI - construção da capela lateral;

1509 - a igreja surge representada no Livro das Fortalezas de Duarte de Armas com campanário de frontão triangular de dupla sineira;

Séc. XVII - execução de alguns retábulos, existentes no lado do Evangelho;

Séc. XVIII - transformaçôes arquitectónicas e no mobiliário litúrgico, colocação do tecto de caixotões na capela-mor, policromia da abóbada de cruzaria de ogivas da capela lateral;

1769 - a paróquia é integrada no Bispado de Pinhel, na visita de Riba Côa;

1770 - passagem da dependência do Bispado de Lamego para o Bispado de Pinhel, criado nessa data;

1882, 19 de Abril - por extinção do Bispado de Pinhel, a paróquia de Castelo Rodrigo é integrada no Bispado da Guarda. Foi reitoria da apresentação do Bispo.

Características Particulares
Igreja medieval de fundação românica e edificação durante o gótico inicial, conservando vestígios de várias campanhas de obras, nomeadamente renascentistas, chãs e barrocas. Fachada lateral mostra cachorrada zoomórfica sob a cornija. Torre campanário adossada à fachada principal, com o primeiro andar embebido no embasamento do adro, só visível a partir da fachada lateral. Mantém vários retábulos e imaginária seiscentista, bem como púlpito renascença e a primitiva pia baptismal. Dois contrafortes laterais. Pintura mural no lado do Evangelho da capela-mor, representando uma Última Ceia.

Materiais
Granito, cantaria com juntas argamassadas, sem revestimento, alvenaria reboca e caiada; telha de canudo; forros de madeira; pintura mural.

(fonte: IHRU)

Castelo Rodrigo


O Castelo de Castelo Rodrigo, designado como:

Muralhas do Castelo e Palácio de Cristóvão de Moura

Arquitectura militar e arquitectura residencial, medieval, manuelina e maneirista. Cerca de dupla muralha escalonada com cubelos e torreões ligada ao castelo, de montanha, de planta irregular, composto por castelejo e barbacã marcados por cubelos semi-circulares e torres de planta rectangular e portas em arco quebrado e pleno, com afinidades tipológicas com o castelo de Castelo Melhor. A alcáçova foi reaproveitada para Paço residencial do alcaide-mor, remodelado no período maneirista, arruinado, subsistindo algumas estruturas com pátio rectangular central, de onde parte corredor, distribuidor dos vários compartimentos. Fachadas interiores com vestígios de lançamento de vários pisos. Piso inferior com cisternas rectangulares.

Descrição
Recinto muralhado incompleto, de traçado irregular de configuração ovalada, envolvendo a povoação. Os troços de muralha existentes apresentam construções adossadas, à excepção dos lados N. e E.. A O. e S. existem cubelos ou torreões, de planta circular, observando-se quatro ainda erguidos, mas com os topos desmoronados, observando-se os anéis que os constituíam. No lado E., existe saliência quadrangular e, no lado N., uma torre de planta quadrada, parcialmente desmoronada. Subsistem três portas: a Porta do Sol, voltada a E., em arco quebrado provida de abóbada de berço quebrado, conservando os gonzos de cantaria; a Porta da Alverca, virada a N., em arco pleno e possuindo abóbada de berço e a Porta da Traição em arco quebrado, sendo o seu acesso feito a partir do Palácio, comunicando com pano de muralha envolvente, que compreende outra porta em arco quebrado e acesso a galeria subterrânea. No interior do recinto uma cisterna de planta rectangular irregular, sem cobertura, tendo a fachada N. cega e rematada por cornija, a O. possui três degraus no embasamento e é rasgada por duas portas, uma em arco quebrado e outra em arco de ferradura, que dá passagem a sequência de sessenta e três degraus de acesso ao interior da cisterna, de 13 m. de profundidade, segundo inscrição. O PALÁCIO de Cristóvão de Moura corresponde ao castelejo ou alcáçova, rodeado por panos de muralha a E. e a O., integrando este último seteiras cruciformes e, no ângulo SO., um cubelo de planta circular, encimado por torre sineira de registo único com quatro vãos em arco pleno. No lado E., um pano de muralha anexa a torreão semicircular em cantaria, de planta rectangular irregular e sem cobertura. A fachada N. é cega no primeiro registo, sendo o segundo rasgado por três janelões. A fachada O. tem, no primeiro registo, duas seteiras em arco pleno e, no segundo, vestígios do arranque de janelão. A S. duas torres de planta quadrada, que enquadram a porta principal, em arco abatido, de que apenas resta parte da moldura, com o remate das pilastras laterais, delimitando almofadas oblíquas e pedra de armas com brasão real invertido, encimado por frontão angular coroado por pináculo. Sobre este um arco pleno entaipado. Fachada E. apresenta, no primeiro registo, a Porta da Traição e, no segundo, três janelões e dois vãos abertos a toda a altura do pé-direito. INTERIOR: grande compartimento ou pátio rectangular central que comunica com as várias dependências, de que apenas se conservam parte das estruturas. Na ala E., lanço de escadas e sete compartimentos, surgindo, na O., quatro compartimentos. Um corredor longitudinal dá acesso à ala N.. Possui piso abaixo do nível do solo, integrando cisternas.

Enquadramento
Urbano. Constituem um cabeço fortificado destacado, a c. 821 m. de altitude, envolvendo a povoação, situada a O. da Serra da Marofa e da Serra da Vieira, englobando o núcleo urbano, circundadas por vasta área rural. Domina o extenso território de planalto, cujo arroteamento foi encabeçado pela comunidade monástica de Santa Maria de Aguiar, sediada a NE., abaixo do núcleo muralhado.

Época Construção
Séc. XII / XIII (conjectural) / XVI / XVII / XX

Cronologia
Séc. IV a.C. - segundo a tradição, os Túrdulos estabelecem-se no território;
Séc. I / IV - romanização do território de Castelo Rodrigo, confirmado por achados arqueológicos;
Séc. VIII / XI - provável construção de uma muralha com cubelos;
Séc. XII, início - Primeira edificação da fortaleza;
1129, 4 Agosto - notícia de um Conde Rodrigo Martim, senhor da terra de Aquilar e de outras povoações no reino de Leão;
1147 - a carta de couto concedida por D. Afonso Henriques a Santa Maria de Aguiar menciona Castelo Rodrigo;
1181 - documento que menciona o brasão de armas da povoação contendo um castelo assente em rochedo com um rio em face e uma águia de asas estendidas pousada na torre; 1209, 12 Setembro - concessão de carta de foral por D. Afonso IX de Leão;
1208 / 1210 - construção de muralhas;
1215, 1217 e 1230 - Afonso IX de Leão visita Castelo Rodrigo;
1252 - D. Afonso III, rei de Portugal, invade Ribacôa, conquistando grande parte do território, principalmente na região de Castelo Mendo e de Castelo Rodrigo;
1289 - O infante D. Pedro, filho de Afonso X de Castela, é donatário da povoação; 1297, 12 Setembro - com o Tratado de Alcanices, Castelo Rodrigo é incorporado no reino de Portugal;
Séc. XIV - D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e da cerca muralhada, com a construção de 13 torreões, torre de menagem, fossos e barbacã;
1301, 19 Outubro - nas Cortes de Lisboa, estão presentes, pela primeira vez, representantes de Castelo Rodrigo;
1373, 23 Maio - D. Fernando dá carta de feira e, pouco tempo depois, ordena a reparação das muralhas;
1383 / 1385 - segundo a tradição, em sequência do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz, recusando a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do brasão real invertido na porta da vila;
1387, Junho - D. João I assenta arraial na povoação; João das Regras tornou-se Senhor de Castelo Rodrigo;
1395 - referida nas Inquirições;
1410 - Vasco Fernandes de Gouveia era alcaide-mor;
1422 - no Rol dos Besteiros, é referida a existência de 4260 habitantes;
1438 - confirmação dos privilégios da vila;
1447 - nas Cortes de Évora, o procurador dos homens-bons do Concelho queixa-se do estado de ruína da fortaleza, tendo caído dois lanços de muralha porque era feita com pedra da região, de fraca qualidade, devendo ser reconstruída com argamassa, disso dependendo a segurança dos moradores da vila;
1449, 19 Novembro e 1451, 12 Maio - confirmações dos privilégios da vila;
1476 - a vila foi integrada na Casa de Marialva; 1480 - uma das torres da cerca servia de armaria;
1485, Janeiro - D. João II manda "pôr em recado as fortalezas e lugares da raia, de as prover e levar dinheiro para as reparar das cousas necessárias, assim do corregimento, como da provisão de alguma artilharia"; Diogo de Azambuja é encarregado da missão;
Séc. XV, década 80 - uma das torres é adaptada a armaria, sendo apetrechada com peças de artilharia;
1496 - na Inquirição, é referida a existência de 818 habitantes;
1499, 21 Novembro - início das inquirições sobre os costumes, foros e direitos, tendo em vista a reforma do foral;
1500 - reconstrução da torre de menagem, danificada durante as guerras com Castela, obra a cargo de Francisco Danzinho;
1508, 25 Junho - foral manuelino, nele constando a doação do termo da vila ao infente D. Duarte;
1508, 9 Setembro - D. Manuel I envia Mateus Fernandes, acompanhado pelo mestre pedreiro Álvaro Pires, inspeccionar as obras executadas na vila de Almeida por Francisco Danzinho, mandando que siga para as vilas de Castelo Rodrigo e Castelo Branco para avaliar as obras e respectivos materiais que eram necessários (recibo datado de 10 Novembro 1512);
1509 / 1510 - é alcaide o conde de Marialva; Duarte d'Armas representa o castelo localizado no extremo NE. da dupla cintura de muralhas, escalonada e parcialmente arruinada, reforçada por cubelos circulares e rectangulares (excepto do lado NE.), que circundava completamente a vila de casario de dois pisos onde sobressiam, na parte alta, duas igrejas com campanários duplos; a fortificação compunha-se de castelejo de planta irregular, aproximada ao rectangulo, envolvido por barbacã igualmente irregular, provida de um cubelo semi-circular do lado NO. e de um baluarte de planta em arco ultrapassado, ligado a murete que protegia a entrada, a SO.; a muralha era internamente percorrida por adarve protegido por merlões paralelepipédicos sob os quais se rasgavam seteiras cruciformes; o castelejo, igualmente provido de adarve e rematado por merlões, possuia um cubelo semi-circular e outro rectangular a NE. a ladearem a "porta falsa" em arco pleno, e um torreão rectangular e outro trapezoidal a SE. flanqueando um corpo mais estreito coberto por telhado onde se abria porta em arco pleno inscrita num grande arco cego do mesmo perfil; a torre de menagem, rectangular, adossava-se externamente a SO. e era superiormente circundada por balcões com matacães ladeados por seteiras cruciformes e coroada por merlões; no seu interior "tem três vãos e abobadada em todo cima"; o recinto muralhado tinha ao centro um pátio rectangular antecedido por átrio de topo curvo e circundado por dependências rectangulares, algumas sobradadas, uma cisterna rectangular, uma pequena capela a N. e uma arcada do lado S.; extra-muros uma pequena igreja a E., alguns redís e casebres a SO. e SE., um cercado e uma ribeira a N.;
1517, 7 Maio - os moradores do Concelho eram responsáveis pela conservação da fortaleza, contribuindo com mão-de-obra;
1517, 20 Maio - carta de quitação de D. Manuel passada a Rui de Andrade, cavaleiro da Ordem de Santiago, do desempenho do cargo de vedor e recebedor das obras das fortalezas de Almeida, Castelo Bom e Castelo Rodrigo;
1527 - no Numeramento, é referida a existência de 2097 habitantes;
1530 - após o casamento de D. Guiomar Coutinho com o infante D. Fernando, D. João III faz-lhe a doação da vila e respectivo termo;
1590 - início da construção do Palácio de Cristóvão de Moura *1;
1594 - D . Filipe I de Portugal elevou a vila a condado, provendo no título D. Cristóvão de Moura;
Séc. XVII - construção de novo reduto defensivo;
1600 / 1606 - Cristóvão de Moura habita na vila;
1640, 10 Dezembro - o Palácio de Cristóvão de Moura é incendiado pela população que apoiava a Restauração;
1662 - o duque de Osuna manda o marquês de Buncayolo, superintendente das Fortificações de Castela, fazer uma relação do sítio de Castelo Rodrigo;
1664, 7 Julho - Batalha da Salgadela, em que as tropas dirigidas por Pedro Jacques de Magalhães defrontou as tropas dirigidas pelo duque de Osuna;
1664, 26 Novembro - por alvará de D. Afonso VI, a alcaidaria-mor de Castelo Rodrigo é concedida a Pedro Jacques de Magalhães;
1675, 26 Outubro - o tenente-coronel Estêvão Leite de Carvalho toma posse do cargo de governador da Praça;
1721 - o Padre Luís Cardoso descreve o castelo e a cerca "com treze torres, seis para o Sul, três ao Nascente, duas ao Poente e duas ao Norte. Além destes muros tem seu fosso em roda. No castelo tem uma torre de cantaria, chamada de Homenagem, de extraordinária grandeza e altura: é quadrada, com seis janelas rasgadas e granadas de ferro", refere o Palácio como estando bastante arruinado, a cisterna em mármore com 63 degraus, a porta do Sol e a de Alverca e um poço de cantaria e muito fundo junto desta;
1758, 28 Abril - o Padre Reitor José Lourenço Ferreira faz uma descrição semelhante à do Padre Cardoso mas acrescenta que a cerca, parcialmente arruinada, tem um muro exterior mais baixo a que chamam "fosso" e que na torre de menagem havia a meio um sobrado de madeira, arruinado, e conserva outro mais abaixo, de tijolo; um dos torreões era conhecido por "negra"; do Palácio só restam paredes, portas e janelas e duas casas pequenas servindo de armazém; refere igualmente as portas do Sol e de Alverca e outras três entaipadas; na Praça de Armas assiste o Governador e uma guarnição de 30 soldados e oficiais provenientes de Almeida;
1762 - Ocupação pelo exército espanhol, comandado pelo Marquês de Soria, no contexto da guerra dos Setes Anos (1756-1763);
1798, 22 Março - Eugénio MacDonald, capitão de Infantaria, é nomeado governador;
1810 - com o objectivo de construir um hospital militar, as tropas britânicas provocaram danos consideráveis nas muralhas;
1834, 20 Abril - aclamação de D. Maria II na Praça de Armas;
1836, 25 Junho - a sede da freguesia é transferida para São Vicente de Figueira, depois Figueira de Castelo Rodrigo;
1874 - limpeza da cisterna por iniciativa popular;
1941 - as muralhas e o Castelo estão em estado de ruína, restando apenas uma cintura de muralha exterior;
1945, 11 Abril - a Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo delibera proibir a caiação das casas no interior da cerca;
1971, 10 Outubro - inauguração da iluminação eléctrica;
1992, 27 Fevereiro - a Câmara Municipal delibera lançar um concurso para consolidação das muralhas, instalação de equipamentos eléctricos, água e saneamento, arranjos exteriores e paisagistas;
1993 / 1994 - projecto de recuperação, efectuado pelos arquitectos João Rapagão e César Fernandes, engenheiro Óscar Prada Santos, Vítor Martins Rodrigues, engenheiro civil, e a arquitecta paisagista Luísa Genésio *2, estando a obra a cargo da STAP

Características Particulares
O palácio maneirista foi construído sobre pré-existência medieval do castelejo, facto visível na estruturação do espaço interno. Porta em arco de ferradura na grande cisterna revestida de mármore.

Observações
*1 - Cristóvão de Moura nasceu em Lisboa, em 1538, filho de Luís de Moura, alcaide-mor de Castelo Rodrigo e de D. Beatriz de Távora; foi educado por Lourenço Pires de Távora, embaixador em Espanha; regressou a Portugal no séquito da princesa D. Joana e foi nomeado embaixador de Filipe II em Lisboa, onde chega a 25 Agosto 1578; a 1 de Junho de 1600 recebe o cargo de governador e vice-rei de Portugal; morreu em Madrid a 28 de Dezembro de 1613.
*2 - "A acção estabelece (...) princípios para a valorização do Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo com a criação e dinamização de uma estrutura espacial e funcional que se disponibiliza para animar Castelo Rodrigo, reforçando a leitura dos seus espaços e procurando a glorificação e exaltação da ruína. A proposta de intervenção observa e interpreta o registo de Duarte Darmas criando um acesso capaz de dignificar e enriquecer a leitura do monumento e do documento que se revela com carácter didáctico e lúdico. Este acesso multiplica e prolonga o tempo e a leitura de aproximação ao imóvel, estimulado pelo desenho monumental da porta principal do Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo orientada para a Porta do Sol. O percurso proposto, criado com demolições efectuadas a S. do monumento, permite, ainda, a recriação do acesso indirecto ditado pelas regras defensivas do imóvel. Assim, a concepção propõe a consolidação das estruturas e a pavimentação dos espaços que acolhem e materializam esta ideia recorrendo ao granito e ao ferro, entre a tradição e a transformação dos elementos naturais e artificiais, assinando a contemporaneidade da acção. A planta revela um espaço doméstico, organizado a partir de um eixo estruturador longitudinal quebrado por uma diferença de cotas que percorre os dois pátios para os quais se voltam e com os quais se relacionam os sucessivos espaços que ocupavam, antes, dois pisos. O desenho proposto reforça a concepção do espaço existente, denunciado pelas estruturas encontradas em 1992."

(fonte: IHRU)

E pertinho do Castelo, a Igreja Matriz de: Nossa Senhora do Rocamador e Igreja e Mosteiro de Santa Maria de Aguiar

segunda-feira, 14 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Igreja Moçarabe de São Pedro de Balsemão

Arquitectura religiosa visigótica, maneirista. Planta de gramática basilical. Semelhanças com iconóstase. Decoração com motivos visigóticos: cordões circulares nas impostas, losangos gregos, espinhas, dentes de serra, impostas terminadas por modilhões enrolados. Afinidades decorativas com a Ermida do Paiva, Tarouquela e Sernancelhe.

Descrição
Planta longitudinal, composta, regular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas de telhados de 2 águas e não coincidência do exterior com o interior. Embasamento proeminente conferindo-lhe grande horizontalidade. Capela de 3 naves e capela-mor. Fachada do lado esquerdo com embasamento muito demarcado. Fachada principal delimitada por pilastras, com escadaria de 8 degraus rectangulares com rebordo no remate dos patins que dão acesso à porta, de perfil rectangular e ladeada por fenestração rectangular gradeada, encimada por 3 brasões de armas. Remate em cornija e pequena sineira sobre a porta. 2 registos epigráficos completam o muro da capela. O corpo da capela-mor, em plano mais recuado e de menores dimensões e altura, comporta pequena fenestração igual ao do corpo da capela. Fachada da capela-mor cega, embasamento e cornija. Lateralmente os muros, igualmente cegos, fecham o corpo da capela. Fachada do lado direito: Junto a muro, porta com arquitrave, a que se tem acesso por escadaria de 4 degraus semelhante à do alçado fronteiro, mas de menores dimensões. Pilastras e cornija. O alçado fronteiro ao altar-mor é cego por invasão de muro e construção que se prolonga até ao cunhal da capela. INTERIOR: 2 fiadas de 3 arcos de cada lado, a pleno centro, assentes em colunas cilíndricas atarracadas, com capitéis de decoração fitomórfica. Arco triunfal de arco em ferradura, assente em colunas adossadas ao pano murário divisor da capela com a capela-mor, lembrando iconóstase. Altar-mor de talha. Tectos de madeira, policromada, de caixotões.

Enquadramento
Rural, a meia-encosta, adossado parcialmente a antigo convento e depois Solar dos Pintos, destacado e harmonizado. Separado parcialmente por adro e caminho rural.

Época Construção
Séc. VII / XVII

Cronologia
Séc. VI - Balsemão já era paróquia;
Séc. XIII - nas Inquirições, surge referida como local bem povoado;
1562 - construção de um altar em honra de Santa Maria, cabeça do vínculo da Quinta da Régua, criado pelo bispo D. Afonso;
1981, 14 Setembro - o imóvel é afecto ao IPPAR, por auto de cessão.

Características Particulares
Planta da nave praticamente quadrada; portas de acesso laterais fronteiras entre si e ausência de pórtico fronteiro ao altar-mor

Observações
No interior, sarcófago lavrado e esculpido, com a estátua jacente do Bispo D. Afonso Pires, falecido em 1362. Não se apresentam fotos do interior por proibição do IPPAR - Porto

(fonte: IHRU)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ermida Moçarabe de São Gião



Arquitectura religiosa, visigótica, românica. Igreja com 3 naves e transepto, ábside de planta quadrangular, coberta por abóbada de berço, iconóstase, coro-alto.
Igreja de nave única, com iconóstase, transepto, ábside, celas monacais dos 2 lados da nave.
Segundo estes autores, a igreja foi construída no Séc. VII, integrando-se estilisticamente na arte visigótica, pelo tipo de decoração das impostas e frisos (que surge também em San Juan de Baños e São Frutuoso de Montélios), pelo uso do arco ultrapassado apenas em 1/3 do raio, pelas dimensões dos vários espaços idênticas às de outras igrejas visigóticas (São Pedro de Balsemão), mostrando a iconóstase influência bizantina. Para Ferreira de Almeida a igreja integra-se num período mais tardio, já de influências moçárabes (Séc. X): o espaço interno muito fechado, centrado em torno do cruzeiro (distinto do espaço mais aberto da arquitectura visigótica), a existência de tribuna elevada sobre a porta, a entrada adintelada com arco de descarga, a solução adoptada na iconóstase, os arcos peraltados e não ultrapassados, os capitéis, o desenho e o recorte dos elementos decorativos (palmetas e acantos), as fortes impostas de acentuada molduração e as possíveis arcadas cegas da capela-mor (cujo arranque é visível junto aos alicerces) são indícios que apontam para a época da reconquista.
Para Manuel Nuñez Rodriguez, trata-se de uma igreja monástica que dispunha, entre a nave e um suposto coro-alto, de uma porta e 2 janelas segundo disposição que vai dar à base orientativa da tripla abertura observada futuramente na Igreja de São Julião de los Prados, nas Astúrias. Esquema que marcaria a separação entre o espaço monástico e o ponto de acolhida aos fiéis.

Descrição
Planta rectangular; volume simples coberto por telhado de 2 águas.
Fachada principal virada a NO., com empena triangular, rasgada por porta de vão rectangular, com lintel encimado por arco a meio ponto adintelado, rematado por fresta; na fachada oposta reconhece-se o arranque de uma abóbada a berço rebaixado, contornando um arco ultrapassado cujo vão está tapado com tábuas; na parede O. rasga-se uma fresta e um nicho, adossando-se à parte terminal uma armação em madeira, protegendo a dupla arcada aí posta a descoberto.
O interior, com tecto em madeira com travejamento à vista, é dividido por uma parede transversal que sobe até ao telhado, em que se rasgam 3 arcos peraltados, uma porta e 2 vãos laterais assentes em muretes, a c. de 1m do primitivo pavimento (a iconóstase), com uma abertura quadrangular perto do telhado; nas paredes laterais do transepto arcos duplos peraltados, apoiando-se em coluna monolítica central e lateralmente em impostas, com relevos (quadrifólios e SS); na parede NO. rasga-se o arco peraltado, que dava acesso à capela-mor, quadrangular (cujos alicerces foram descobertos nas escavações) assente em impostas, com palmas esculpidas.
No chão distinguem-se restos de um pavimento em "opus signinum".

Enquadramento
Rural. Insere-se numa exploração agrícola, adossado a outro edifício mais recente, a cerca de 600 m do mar, numa língua de terra arável, entre o areal e uma encosta rochosa.

Época Construção
Séc. VII ou X

Cronologia
Séc. VII - data provável de construção, talvez sobre templo romano pré-existente (dedicado a Neptuno) ou pelo menos com aproveitamento de material romano;
Séc. X - data de construção. A igreja esteve ao culto até época recente, atendendo aos testemunhos arqueológicos encontrados nas escavações;
1962 - descoberta por Eduíno Borges Garcia;
1997 - aquisição do monumento e terrenos adjacentes pelo Ministério da Cultura / IPPAR.

Observações
A igreja situava-se outrora na margem da lagoa da Pederneira, entretanto assoreada. * A ZEP inclui uma área "non aedificandi".

(fonte: IHRU)

terça-feira, 8 de março de 2011

A Maria

No dia de hoje uma Homenagem a Maria, Matriz


Numa ânsia insofrida e misteriosa...
A isto chamo eu vida: e, d’este modo,

Que mais importa a forma? Silenciosa
Uma mesma alma aspira à luz e ao espaço
Em homem igualmente e astro e rosa!

A própria fera, cujo incerto passo
Lá vaga nos algares da deveza,
Por certo entrevê Deus – seu olho baço

Foi feito para ver brilho e beleza...
E se ruge, é que a agita surdamente
Tua alma turva, ó grande natureza!

Sim, no rugido há uma vida ardente,
Uma energia íntima, tão santa
Como a que faz trinar ave inocente...

Há um desejo intenso, que alevanta
Ao mesmo tempo o coração ferino,
E o do ingênuo cantor que nos encanta...

Impulso universal! forte e divino,
Aonde quer que irrompa! e belo e augusto.
Quer se equilibre em paz no mudo hino

Dos astros imortais, quer no robusto
Seio do mar tumultuando brade,
Com um furor que se domina a custo;

Quer durma na fatal obscuridade
Da massa inerte, quer na mente humana
Sereno ascenda à luz da liberdade...

É sempre eterna vida, que dimana
Do centro universal, do foco intenso,
Que ora brilha sem véus, ora se empana...

É sempre o eterno gérmen, que suspenso
No oceano do Ser, em turbilhões
De ardor e luz, evolve, ínfimo e imenso!

Através de mil formas, mil visões,
O universal espírito palpita
Subindo na espiral das criações!

Ó formas! vidas! misteriosa escrita
Do poema indecifrável que na Terra
Faz de sombras e luz a Alma infinita!

Surgi, por céu, por mar, por vale e serra!
Rolai, ondas sem praia, confundindo
A paz eterna com a eterna guerra!

Rasgando o seio imenso, ide saindo
Do fundo tenebroso do Possível,
Onde as formas do Ser se estão fundindo...

Abre teu cálix, rosa imarcescícel!
Rocha, deixa banhar-te a onda clara!
Ergue tu, águia, o vôo inacesssível!

Ide! crescei sem medo! Não e avara
A alma eterna que em vós anda e palpita...
Onda, que vai e vem e nunca pára!

Em toda a forma o Espírito se agita!
O imóvel é um deus, que está sonhando
Com não sei que visão vaga, infinita...

Semeador de mundos, vai andando
E a cada passo uma seara basta
De vidas sob os pés lhe vem brotando!

Essência tenebrosa e pura... casta
E todavia ardente... eterno alento!
Teu sopro é que fecunda a esfera vasta...
Choras na voz do mar... cantas no vento...


- Antero de Quental, I, Odes Modernas