
Lemúria
Choveu bastante, a terra encontra-se fertilizada…
Estava ressequida, motivo duma seca prolongada!
Novas sementes na próxima aurora germinarão,
Ao encontro de suas congéneres já amadurecidas
Ansiosas por conhecer outras formas de vidas!
A água em excesso segue a corrente dos rios
Em direcção ao oceano contornando os desafios
Na descida dará de beber a quem tem sede.
O caudal vai deslizando de forma suave
Alcança o mar que o abraça e absorve…
Esse é o instante em que o rio renasce!
- Rui Pais, Uma nova semente

Pelo Vale de Lucefecit - Pelo Vale da Luz
Estrela d' Alva, Estrela da Manhã

No dia 22 de Abril de 1500, naus com a cruz da Ordem de Cristo chegaram à Terra de Vera Cruz, onde é hoje a Bahia.
Foi o espírito dos cruzados que guiou a aventura das grandes navegações portuguesas.
Lisboa, 08 de Março de 1500, um domingo. Terminada a missa campal, o rei D. Manuel I sobe ao altar, montado no cais da Torre de Belém, toma a bandeira da Ordem de Cristo e entrega-a a Pedro Álvares Cabral. O capitão vai içá-la na principal nave da frota que partirá daí a pouco para a Índia.
Era uma esquadra respeitável, a maior já montada em Portugal, com treze navios e 1500 homens. Além do tamanho, tinha outro detalhe incomum. O comandante não possuía a menor experiência como navegador. Cabral só estava ao comando da esquadra porque era cavaleiro da Ordem de Cristo e, como tal, tinha duas missões: criar uma feitoria na Índia e, no caminho, tomar posse de uma terra já conhecida, o Brasil.
A Presença de Cabral à frente do empreendimento era indispensável, porque só a Ordem de Cristo, uma companhia religiosa-militar autónoma do Estado e herdeira da Ordem dos Templários, tinha autorização papal para ocupar - tal como nas cruzadas - os territórios tomados aos infiéis (no caso brasileiro, os índios). No dia 26 de Abril de 1500, quatro dias depois de avistar a costa brasileira, o cavaleiro Pedro Álvares Cabral cumpriu a primeira parte da sua tarefa. Levantou onde hoje é Porto Seguro a bandeira da Ordem e mandou rezar a primeira missa no novo território. O futuro país era formalmente incorporado nas propriedades da organização. O escrivão Pero Vaz de Caminha, que reparava em tudo, escreveu ao rei sobre a solenidade: «Ali estava com o capitão a bandeira da Ordem de Cristo, com a qual saíra de Belém, e que sempre esteve alta». Para o monarca português, a primazia da Ordem era conveniente. É que atrás das descobertas dos novos cruzados vinham as riquezas que faziam a grandeza e a glória do reino. A seguir perceberá como a Ordem de Cristo transformou a pequena nação ibérica num império espalhado pelos quatro cantos do planeta.

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Contributo para o Núcleo de Amigos do Elmo de D. Sebastião.
Trata-se de uma gravura conforme com a descrição seguinte do Museu Histórico do Brasil:
Miniatura de D. Sebastião, Rei de Portugal, Séc. XVI. Pintura sobre aço.
Adquirida pelo Museu Histórico ao Sr. J. Washt. Rodrigues, que a encontrou no interior de Minas Gerais, Brasil.
A iconografia de D. Sebastião é pouco abundante. Sobre este pequeno retrato fez o gravador Deboié a sua estampa “Sebastianus, XVI rex Portugaliae”, em 1737, Nº 47, do Catálogo de Estampas dos Anais da Biblioteca Nacional”, XVIII, 37. O pintor foi Afonso Sanches Coelho (1525 – 1590), natural de Valência, segundo uns, português, segundo outros, que floresceu nas cortes de Lisboa e Madrid, sendo chamado o Ticiano Lusitano. É possível que a miniatura do Museu Histórico seja uma cópia do original desse pintor. Contudo, é anterior ao Séc. XVIII. Aliás, os biógrafos de D. Sebastião não o conheceram, sendo o último em data, Antero de Figueiredo, tanto que esse retrato, não está indicado entre os do pincel de Afonso Sanches Coelho. Nem outra referência se encontra na obra conscienciosa e documentada, ultimamente publicada em Portugal sobre D. Sebastião, pelo grande historiador Queiroz Veloso.
Como teria ido parar ao interior de Minas, a mãos de um velho coleccionador de objectos antigos?

Enquadramento
Rural. Isolado num vale que termina na ribeira de Lucefece.
A cerca de 50 m encontra-se a casa de habitação do casal que guarda a capela.
Descrição
Um cruzeiro, pouco depois do cemitério, marca o início do arruamento que conduz ao santuário; a c. de metade do percurso, outro cruzeiro a partir do qual um alinhamento ténue de árvores marca o percurso até ao terreiro da capela; este apresenta ligeira pendente, sendo definido por murete com banco que em toda a sua extensão oferece locais de estadia em redor do santuário. Fronteiro à entrada da capela, aglomerado de construções e um alinhamento de palmeiras constituindo uma cortina. Capela em planta de cruz grega com braços desiguais totalmente abobadada no interior. Cobertura exterior em telhado de linhas radiadas. As quatro fachadas apresentam o mesmo aspecto. A fachada principal a O., a fachada N. e a fachada S. têm uma porta simples de arco quebrado sobrepujada por uma estreita fresta, sobre a qual há um balcão avançado do tipo de matacães. A fachada principal é encimada pelo campanário com um sino de bronze. No extradorso da capela-mor, fachada E., abre-se uma fresta, obstruida pela montagem interior do retábulo. O edifício é rematado em todo o redor por uma coroação de merlões e ameias de tipo claramente defensivo. Cobertura exterior em telhado de várias pendentes. Espaço interior diferenciado. A capela-mor ocupa totalmente o braço E. A abóbada tem uma composição mural que cobre totalmente o tecto em 20 quadros rectangulares com temas bíblicos do Apocalipse de São João e com representações de reis da primeira dinastia. Os restantes braços da igreja apresentam várias pinturas murais do início do século, representando figuras de santos, segundo cópias oitocentistas, enquadradas por molduras de estuque. Os altares colaterais têm retábulos em talha.
Utilização Actual
Religiosa: santuário (Festa móvel em honra de Nossa Senhora da Boa Nova, da responsabilidade da Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova, realiza-se no Domingo de Pascoela)
Cronologia
1340 - Fundação por voto de D. Maria, mulher de Afonso X de Castela e filha de D. Afonso V, relacionado com a vitória da Batalha do Salgado;
1700 - Arranjo da igreja ordenado pelo comendador Luís Lencastre; construção do actual campanário;
Séc. XVIII - construção dos dois altares colaterais.
Tipologia
Arquitectura religiosa, gótica, fortificada. Santuário com capela-fortaleza em cruz grega totalmente abobadada, evidenciando paralelismos com a igreja-fortaleza da Flor da Rosa, no Crato.
Características Particulares
O carácter religioso é reforçado e fortalecido, pela relação com a paisagem envolvente.
Dados Técnicos
Paredes portantes reforçadas por cunhais em silharia e travadas por abóbadas sob coberturas de pendentes.
Materiais
Alvenaria de pedra argamassada, rebocada e caiada *1. Silharia dos cunhais em granito. Cobertura em telha com drenagem lateral em algeroz e saída em gárgulas de granito. Caixilharia em madeira pintada. Revestimentos interiores em reboco caiado ou com pinturas em fresco. Pavimentos interiores em tijoleira e lages de xisto. Exteriores em calçada de mármore. Vivos: Palmeiras e Eucaliptos. Inertes: muros de suporte e terra batida.
Observações
*1 - parte deste revestimento foi demolido; Afonso X, o Sábio, refere-se nas cantigas de Santa Maria, ao Templo de Terena.

- AA. VV., Literatura Portuguesa de Tradição OralContam que, quando houve as invasões dos Mouros, foi enterrado um tesouro no lugar das Penices, entre Balazar e Gondifelos, e que até aos dias de hoje ali está guardado por uma cobra moura. Esta cobra tem uma diferença em relação às outras.
Dizem que na parte superior do seu corpo, ela está revestida por uma espécie de cabeleira. Muitas pessoas admitem tê-la visto a deambular pelos montes.
Segundo se conta, de vez em quando ouve-se a partir da meia-noite sinos a tocar no cimo do monte, que têm um toque diferente do normal. Muitas pessoas dizem ter ouvido esse toque e tentaram descobrir o local exacto seguindo o som da melodia. No entanto, até agora ninguém conseguiu lá chegar, por mais que tentassem, já que eram detidos a meio do caminho.
Um dos casos mais conhecidos foi o de uma senhora que morava perto do local.
Certa noite, encantada pelo som melodioso dos sinos, tentou subir o monte para descobrir o que lá existia realmente. Contudo, quando chegou a meio do caminho, sem saber como, caiu, mas nem sequer apresentou ferimentos graves.
Corre o rumor de que, para descobrir esse tesouro, terá de se encontrar a cobra moura e picá-la sem a matar.
No local das Penices foram descobertos de facto vestígios sobre a vida dos Mouros. Mas o tesouro até à data não foi descoberto. E ainda hoje há moradores que afirmam ouvir o toque dos sinos a partir da meia-noite.





