sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Igreja de São Salvador de Bravães

O portal de Bravães é, no contexto da arte românica portuguesa, o mais eloquente testemunho de portal como Porta do Céu ou como Porta da Salvação.

Nesse sentido, o tímpano mostra uma Maiestas Domini, ou seja, Cristo na Glória do Céu, dentro de mandorla segura por dois personagens.

Numa das arquivoltas figura-se o apostolado e, no seu seguimento, há duas estátuas-coluna onde se representa a Anunciação.

No fuste da esquerda está representada a Nossa Senhora com a mão esquerda sobre o ventre o que, iconograficamente, se reporta a Nossa Senhora do Ó (ou Santa Maria de Ante-Natal), motivo muito glosado na escultura medieval hispânica. No fuste que fica à direita do observador está representado o Anjo São Gabriel, com barba.

A estes elementos associam-se fustes onde se enroscam serpentes, outros por onde sobem quadrúpedes e ainda outros com aves tratadas à maneira de aduelas, constituindo todo este conjunto uma Porta da Salvação simbolizada pela Anunciação.
Enquanto que a cabeceira aparenta ser a parte mais antiga da igreja, sendo datável de meados do século XII, o portal deve ser enquadrado em data pouco anterior aos meados do século XIII.
Ele apresenta elementos decorativos nos capitéis que se aproximam de modelos derivados da Sé de Braga.
(fonte: Rota do Românico)

Enquadramento
Rural. Implanta-se numa zona plana do vale do Lima junto à estrada Ponte da Barca - Ponte de Lima, e tendo o adro envolvido por muro de pedra.
A S., por detrás da capela-mor, estrutura com sineira. Algumas construções dispõem-se nas redondezas.

Descrição
Planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor rectangular, mais baixa e estreita, com sacristia anexa a N. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas.
Fachada principal orientada terminada em empena, portal aberto em alfiz, constituído por 4 colunas com capitéis apoiando arquivoltas, todos profusamente decorados. Imposta corrida e de feição zoomórfica sobre a porta.
Tímpano com Cristo em mandorla segura por 2 anjos. Fachadas laterais com cornija (enxaquetada na capela-mor) sobre cachorrada lisa, geométrica ou historiada. A S. portal de arco quebrado sobre pé-direito com impostas zoomórficas e Agnus Dei no tímpano; dupla arquivolta decorada por filete perlado e bosantes. Encima-o e ladeia-o friso de apoio a telhados das antigas dependências conventuais. A N. portal também de arco quebrado sobre pés-direitos e ombreira exterior com folhas; tímpano com cruz e 2 animais.
No INTERIOR, nave corrida por friso enxaquetado, com quatro frestas ladeadas por colunas com capitéis e impostas decoradas por motivos vegetalistas e geométricos apoiando arcos plenos.
Sobre o pórtico axial dupla arquivolta e tímpano com nó de Salomão, encimado por vão cego, possivelmente uma fresta.
Cobertura em madeira.
Arco triunfal decorado por friso com leões e folhas, colunas com capitéis e imposta corrida esculpida; bases com gripos.
É ladeado por dois frescos representando Martírio de São Sebastião e a Virgem, de pé, com o Menino nos braços.
Encima-o rosácea esculpida. Capela-mor percorrida por friso enxaquetado, com três frestas e cobertura de madeira.

Descrição Complementar
As colunas do portal axial são decoradas com macacos, figuras humanas, interpretadas como a Virgem e o anjo Gabriel, serpentes enlaçadas e águias com bicos numa cornucópia.
Os capitéis são vegetalistas ou zoomórficos. A 1ª arquivolta tem rosetas e anéis, a 2ª macacos, a 3ª misólitos e figuras humanas, a 4ª torsa e a 5ª enxaquetado e boleado.
As pinturas murais com representação do Martírio de São Sebastião, com 171 de altura e 140 de largura, do Lava-pés, com 215.5 cm de altura e 172.5 cm de largura, da Deposição no túmulo, com 216 cm de altura e 119 cm de largura, da Descida da cruz, com 216 cm de altura e 180 cm de largura, e da Sagrada Família, com 150.5 cm de altura e 130.7 de largura, datados de entre 1540 - 1550, e a do Salvador, com 172 cm de altura e 67.5 de largura, de cerca de 1500, foram transferidos para o Museu Alberto Sampaio, em Guimarães.

Cronologia
1080 - Data apontada por alguns autores para a sua fundação;

1140 / 1141 - o seu prior Egeas figura como notário na carta de couto passada por D. Afonso Henriques a favor do mosteiro de Vila Nova de Muia, o que mostra que o mosteiro já gozava de certo prestígio;

1180, antes de 28 Julho - segundo Avelino de Jesus da Costa, deve ter sido coutado por D. Afonso Henriques;

1258 - declara-se nas Inquirições que Bravães é Couto e que ouviram dizer que D. Afonso Henriques o dera a D. Pelágio Velasquez;

Séc. XIII, finais - segundo inscrição, prior D. Rogrigo manda construir torre no lado N.;

Séc. XIV - Comenda de Bravães transita da Ordem dos Templários para a de Cristo, que ali se manteve até o 1º quartel do Séc. XV;

1420 - por Breve de D. Martinho V, o mosteiro foi secularizado pelo arcebispo de Braga, D. Fernando da Guerra, que ali fundou uma reitoria vulgar;

1434, 12 Fevereiro - mosteiro reduzido a igreja paroquial;

1500, cerca - execução da pintura mural com representação do Salvador;

1540 - 1550, entre - execução das pinturas murais, com representação do Martírio de São Sebastião;

Séc. XV, último quartel - provável entaipamento da fresta testeira da capela-mor e execução de composição pictórica com imagens do orago, bem como pinturas na nave;

Séc. XVI - pinturas em forma de tríptico sobre as já existentes na capela-mor e outras sobre as da nave; 1535 - provável pintura dos grotescos à romana, semelhantes aos de Nossa Senhora da Azinheira, em Outeiro Seco;

1639 - natural da terra anexa à capela-mor capela particular;

1755, 27 Novembro - escritura de contrato da obra de madeiramento da igreja feita por Francisco Vieira Pinto, homem de negócios, morador em Lisboa e procurador meirinho do reino e o carpinteiro Tomás de Araújo, morador em Ponte da Barca, e Jerónimo da Costa, morador no lugar do Pedreiro, freguesia de Bravães, por 147$000; o ajuste incluía os telhados da igreja, escadas de acesso ao coro, forro do coro e de todo o corpo da igreja, usando madeira de castanho; a pintura do forro do tecto da igreja era da obrigação dos carpinteiros;

1843, 12 Janeiro - requerimento da Junta da Paróquia de Bravães, acompanhando um orçamento destinado às obras da igreja da freguesia.

Tipologia
Arquitectura religiosa, românica.
Igreja rural da 2ª fase do românico português, que adopta, entre outros elementos, cabeceira quadrangular e portais mais profundos; insere-se na 1ª fase do românico do Alto Minho e, pela sua decoração, nas construções típicas da Ribeira Lima, exceptuando-se a decoração do arco triunfal que, segundo Lourenço Alves, é inspirada no foco bracarense.

Características Particulares
Ao contrário do que acontece normalmente no românico da Ribeira Lima, aqui os cachorros têm pouca decoração.
O portal é talvez o melhor exemplo de um portal retábulo, "porta da salvação" ou "porta do céu". A sua leitura simbólica continua bastante incipiente e falha. Para além dos elementos vegetalistas e geométricos, é notório uma certa preocupação catequista, elucidando os fiéis sobre as virtudes e os vícios *1.
Os capitéis têm temas tradicionais e o tímpano é 1 dos 4 do Alto Minho onde surge o tema do Cristo em Magestade, em mandorla. Como outras igrejas do Norte, este pórtico tem duplo tímpano tendo o do interior decoração semelhante ao da fachada N., onde as folhas da arquivolta se repetem no arco triunfal e suporte. O Agnus Dei do tímpano S. é também um tema muito frequente. Os frescos devem ser do séc. 14 e, segundo Jaime Catarino, possuem muitas semelhanças com os de Castro Marim e os de Penacova.

Observações
*1 - Caso da astúcia, pelo macaco, o pecado original ou a volúpia pelas serpentes, a graça inesgotável pelas águias com os bicos em cornocópias de flores, a universalidade da redenção do homem pelas figuras da arquivolta que, contudo, são interpretadas por outros autores como sendo os Apóstolos. De leitura problemática são também as 2 figuras hieráticas e sem módulo das colunas, normalmente tidas como a Virgem e anjo Gabriel na cena da "Anunciação", mas que Lourenço Alves interpreta como 2 monges.
*2 - Do antigo mosteiro de Bravães resta apenas a igreja, ao que parece reconstruída na 1ª metade do séc. 13 com granito mais áspero e duro, em dente de cavalo, como se vê na cabeceira e na parte superior da nave, mas utilizando elementos da construção anterior.
*3 - O frontespício devia ser fenestrado, possivelmente por uma fresta de que ainda vemos vestígios no interior. *4 - A Câmara Municipal de Ponte da Barca estuda, neste momento, a hipótese de criação de um núcleo museológico, junto à igreja, onde seriam integrados, eventualmente, alguns frescos retirados do imóvel e que, presentemente, se encontram no Museu Nacional de Arte Antiga.

Mosteiro de Tarouquela


Enquadramento
Rural, a meia encosta, destacado, harmonizado com a paisagem, nas margens do Rio Douro. Isolado e separado dos terrenos envolventes, a maior parte cultivados com vinha, por adro. Na zona posterior e lateral direita, situa-se o cemitério.
No exterior, três arcas tumulares.

Descrição
Planta longitudinal composta irregular, volumes articulados (nave única, torre sineira, capela-mor e capela adossada ao lado esquerdo da capela-mor) e disposição horizontalista das massas.
Cobertura diferenciada de telhado a uma e duas águas.
Fachada principal voltada a O., com pórtico de arco apontado, seis colunelos com capitéis insculpidos, três arquivoltas e tímpano. Sobre as impostas, dois mamíferos, quadrúpedes, abocanham, pelos pés, o que parece ser uma criança. Sobre o pórtico, uma fenestração de arco a pleno centro e empena angular com cornija encimada por cruz.
Lateralmente, torre sineira cega e campanário com arco a pleno centro.
Remate em cornija, pináculos e cobertura em pirâmide coroada por bola e cruz metálica. Alçado N. tem, no volume da nave, duas fenestrações de arco a pleno centro.
Remate em cornija, apoiada em cachorros.
No corpo da capela-mor, contrafortes até sensivelmente 2/3 do comprimento.
Existência de friso decorado.
Duas fenestrações de arco apontado, cachorros portantes da cornija. Alçado E. é cego na capela-mor, com remate em empena, tendo cornija e cruz no vértice.
No corpo da capela lateral, óculo polilobado.
Alçado S. marcado pelo corpo da torre sineira e escadaria de acesso.
Pórtico lateral com arco apontado e tímpano.
Existência de friso e duas fenestrações de arco apontado.
Cachorrada, suportando a cornija.
Capela lateral com duas janelas geminadas. Cachorrada sustentando a cornija.
A sua frontaria nasce do contraforte do cruzeiro da igreja e é rasgada por uma porta ogival de toros e meias canas nas arquivoltas internas. Os modilhões da cornija apresentam-se decorados com motivos fito e zoomórficos.
Existência de contrafortes e gárgulas.
INTERIOR de nave única com capela-mor profunda e arco triunfal de arco apontado, com vestígios de policromia, ladeado por dois altares. Tecto de madeira. As paredes laterais da igreja encontram-se marcadas com arcos ricamente decorados apoiados em colunelos de capitéis historiados, o mesmo sucedendo com os interiores das fenestrações. Dois altares laterais em talha encontram-se respectivamente do lado do Evangelho e da Epístola. Frisos insculturados rodeiam a igreja.
Do lado do Evangelho, um púlpito com guarda em talha dourada, nicho onde se insere a pia baptismal. Capela-mor com três arcos de volta perfeita, decorados, apoiados em colunelos de capitéis historiados. São cegos e encimados por friso decorado. Duas fenestrações de arco de volta perfeita com o perfil e os colunelos decorados.
Altar-mor de talha.
Dois arcos de volta perfeita, decorados, ladeiam a porta, de arco a pleno centro, de acesso à Capela lateral.
Existência de friso decorado. No segundo registo, dois arcos de volta perfeita, decorados, um deles cego, o outro encimando a porta, com fenestração à laia de seteira.
Tecto em falsa abóbada de berço, de madeira pintada.
Capela lateral com porta comunicante com a capela-mor.
Friso decorado, com motivos geométricos, sobre o qual assenta a janela de arco de volta perfeita, fenestrada como seteira, com duplo par de colunelos.
Iluminação efectuada através de óculo polilobado e 2 janelas geminadas.

Época Construção
Séc. XII / XIII / XVII

Cronologia
Séc. XI - a vila de Tarouquela é citada em documentação;

Séc. XII - construção da igreja pela Ordem das Cónegas Regrantes de Santo Agostinho;

1162 - é referida a existência do mosteiro;

1170 - o mosteiro pagava anualmente 3 áureos à Sé de Lamego;

1185 - o mosteiro passou para a Ordem de São Bento;

1194 - doação de D. Urraca Viegas;

Séc. XII, final - era abadessa D. Urraca Viegas, filha de Egas Moniz, que se recolheu ao mosteiro após a morte do esposo;

1226 - as freiras pagavam 3 móios de pão à Sé, do qual foram dispensadas em 1230;

1298, 16 Agosto - o bispo de Lamego, D. Vasco, doa a D. Aldonça Martins, abadessa de Tarouquela, o censo que o mosteiro deveria entregar ao bispado;

Séc. XIV - na face S. da Igreja, foi adossada capela gótica dedicada a São João Baptista, mandada construir por Vasco Lourenço;

1536 - as monjas foram transferidas para o Mosteiro de São Bento da Avé-Maria, no Porto;

1943, 22 Junho - a Junta da Província do Douro Litoral escreve à DGEMN a sugerir a classificação do imóvel;

1946, 10 Setembro - a Junta de Freguesia de Tarouquela pede autorização para construir um ramal de estrada de acesso à igreja;

1977, 17 Maio - existência de dois túmulos na capela-mor, de antepassados de Pedro de Sousa Vasconcelos, proprietário da Capela de São João Baptista, anexa à igreja;

1983, 29 Dezembro - aquisição, pelo Estado, da Capela anexa à Igreja, a Pedro Sousa de Vasconcelos e outros por 319.000$00, para adaptação a sacristia.

Tipologia
Arquitectura religiosa, românica, gótica e maneirista.
Mosteiro feminino da Ordem regrante de Santo Agostinho, reaproveitado pela Ordem de São Bento, de que resta a igreja, de nave única, com capela-mor mais estreita e baixa, com contrafortes exteriores.
Escassamente iluminada por óculos e seteiras e pórticos de volta perfeita ou apontados.
Remate em cornija com cachorrada. Retábulo de talha policromada maneirista.

Características Particulares
Capela-mor de desproporcionada dimensão. Profusão de decoração românica nas impostas, frisos, colunelos e capitéis. Afinidades decorativas com as Igrejas de Balsemão e Sernancelhe.

Observações
*1 - a desproporção da capela-mor dever-se-á possivelmente a acrescento em campanha de obras posteriores; como suporte teórico a interrupção do friso, a ausência de contraforte a partir de determinada altura; situação que se verifica dos dois lados da capela-mor.

(fonte: IHRU)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mosteiro de S. Miguel de Refojos


Os cronistas regulares não acordam no nome do fundador deste notável Mosteiro, para uns Hermínio Fafes, para outros Gomes Soeiro. Porém estas afirmações não merecem crédito, embora na então sala do Capítulo do Mosteiro se tivesse colocado um pretenso retrato do segundo, como fundador, nem deverá conceder-se maior importância ao informe de Frei Leão de S. Tomás, de que no Mosteiro haviam aparecido sepulturas datadas de 670 e 701. Certo é que o Mosteiro existia já em princípios do Séc. XII, não se conhecendo com exactidão desde quando, e que os seus padroeiros eram os descendentes do rico-homem D. Gomes Mendes, “Guedeão”, que viveu em meados desse século, certamente porque foi dele o Mosteiro próprio de seus antepassados, dominantes na terra de Basto e, por aquela possessão, seus fundadores e senhores do luar de “Refúgios”.

O mais antigo desses nobres possessores é um “domno” Mendo, que viveu na segunda metade do século XI e de cuja ascendência nada se pode determinar de provável. Sucedeu-lhe nestas propriedades – “Villa” e respectivo “acistério” de S. Miguel – o filho, que os linhagistas medievais registaram com o nome de D. Gueda “O Velho”, para o distinguirem de outros homónimos, seus descendentes. É, indubitavelmente, um grande rico-homem da “escola” do Conde D. Henrique, D. Teresa e de D. Afonso Henriques.

No século XIII, a maior parte do padroado do Mosteiro passou de Gomes Mendes “Guedeão” a seu filho D. Egas Gomes Barroso. Dele passou à sua descendência, principalmente Gonçalo Viegas e Gomes Viegas “de Basto”. Estes e muitos outros padroeiros de Refojos eram proprietários nobres de locais à roda do convento nos séculos XII e XIII.

No século XIV, foi o Vasco Gonçalves “Barroso”, primeiro marido da que foi esposa do condestável D. Nuno Álvares Pereira, D. Leonor de Alvim; e esse seu filho de algo dotou o Mosteiro com muitos haveres. O rei D. Afonso Henriques havia coutado este Mosteiro ao seu abade Bento Mendes, por 800 maravedis; e pela inquirição se vê que nele se compreenderam, além do Mosteiro, as paróquias de S. Pedro de Alvite e Sta. Maria de Outeiro, respectivamente com dezassete e trinta casas. A igreja do Mosteiro era obrigada a dar apenas por ano quarenta maravedis velhos à Coroa.

D. Dinis, em 20/12/1223, deu carta “a Martim Gil priol do mosteyro de Reffojos de Basto e procurador do Abade e Convento do dito mosteyro” a respeito do escambo que Pero Foncinha e o comendador do “Barro” – Rio Gonçalves “tinham feito pelo rei e em seu nome pelas herdades em Adaúfe e em Crespos” por outros que os monges tinham em Vilalva dadas "pera sua pobra de Vila Real".

O Mosteiro de Refojos de Basto era governado por abades perpétuos, mas no reinado de D. Duarte passou a sê-lo por abades comendatários. Foi o primeiro D. Gonçalo Borges, em cuja família o cargo de manteve por 109 anos. Depois da morte de Francisco Borges, último daquela família, sucedeu-lhe D. Duarte, filho bastardo de D. João III, que veio a ascender ao arcebispado de Braga.

Foi seu sucessor o ilustre Frei Diogo de Murça, jerónimo, que governou a casa com o título de administrador perpétuo. Pediu este ao Papa Paulo III que extinguisse o Mosteiro e permitisse que as suas rendas fossem aplicadas a dois colégios que se deveriam fundar em Coimbra, um de S. Bento e outro de S. Jerónimo. O sobrante seria para construir um outro colégio para 12 pobres. O pontífice anuiu ao pedido e expediram-se as bulas nesse sentido, recebidas por Frei Diogo de Murça, em Coimbra, onde então reitorava a Universidade.
Os padres, porém apelaram destas bulas e Frei Diogo reconsiderou, rogando para Roma que se mantivesse o Mosteiro com 12 padres e um prior e fosse reformado com os demais. Paulo IV acedeu a este novo pedido em 1555. Frei Diogo de Murça morreu no Mosteiro em 1570 e nele foi sepultado.

D. João Pinto, Cónego regrante de Sta. Cruz de Coimbra foi o último abade comendatário e, por bula de S. Pio V, o governo do Mosteiro foi entregue a abades trienais.

Gozou o Mosteiro de Refojos de Basto de avultadas rendas, quase todas em Trás-os-Montes, que eram divididas a meio com a Casa de Bragança, por serem herança do já referido Vasco Gonçalves “Barroso”, que foi sepultado no Mosteiro. A Igreja do Convento foi reconstruída em 1690, ficando com duas torres soberbas e muito elegantes.

O Mosteiro foi vendido pelo Estado, depois da extinção das Ordens Religiosas, em 1834.

Arte

A Igreja do Mosteiro é toda de estilo Barroco. São de realçar as seguintes partes da Igreja:

•Na fachada dos lados direito e esquerdo estão colocadas as estátuas em tamanho natural do fundador da Ordem de S. Bento – São Bento de Núrcia, e de Santa Escolástica.
•Ala exterior em forma de varandim, tendo ao fundo, em nicho, a imagem de S. Miguel, e onde se celebrava missa campal no dia do padroeiro, S. Miguel, dia 29 de Setembro, em que o povo enchia toda a Alameda do Convento, hoje Praça da República.
•Figuras demoníacas, máscaras e também conhecidas por carrancas colocadas dos dois lados interiores logo a seguir à entrada da Igreja.
•Órgão duplo nas duas laterais, sendo um mudo.
•Dois púlpitos em castanho, pintados, em imitação de mármores e parcialmente dourados (data: 1777/1780). Pintados e dourados em 1786/1789. Gradeamento em pau ébano.
•Capela do Santíssimo Sacramento em castanho pintado e dourado (data: 1780/1789) – com dois anjos tocheiros de madeira estofada, e o Santo Cristo da Capela do SS. Sacramento em castanho estofado (data: 1783/1786?).
•Altar-Mor com credencia. Do esplendor da talha são de salientar alguns efeitos especiais, como a orla de “chamas” do pináculo da obra, as fitas de folhas cingindo as molduras convexas e o formoso festão de margaridas e rosas no remate da portada. A Capela do Altar-Mor é em castanho dourado (1764/1767). Dourada em 1780/1783. A Capela e o Altar-Mor foram concebidos por Frei José de Santo António.
•A Sacristia seiscentista possui, além de outros elementos de interesse, um arco inclinado, único nos monumentos do país, quatro espelhos em castanho (1767/1770) e dois contadores da mesma data. Os espelhos foram baseados num modelo inglês.
•Claustros com elegantes colunas de pedra e ao centro com uma taça também de granito.
•Zimbório em circunferência e rodeado por uma varanda interior e exterior e tendo ainda as esbeltas estátuas dos doze apóstolos, em tamanho natural e no remate, a do arcanjo São Miguel, rodeada por outra varanda.
•As cadeiras do Coro são em castanho (1767/1770) do qual o Coro consta o cadeiral, as sanefas e portas das portadas e três sanefas dos janelões. O grande cadeiral foi composto em dois andares com 45 assentos em forma de U com cadeira do D. Abade no centro, segundo a tradição beneditina.
•A igreja possui ainda uma mísula com a imagem de S. Miguel Arcanjo (data: 1767/1770).

(fonte: Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto)

Mosteiro de Santo Tirso

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Mosteiro de Santo Tirso

terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

O dia das 25 horas

Hoje é um dia particular.

O dia de hoje tem 25 horas, ao contrário das 24 horas da praxe.

sábado, 30 de outubro de 2010

O uso de vidraria em Sellium

Tomás


Em aramaico designa gémeo: תום, Tôm, Tômâ ou Tau'ma, posteriormente traduzido para a língua grega como: Δίδυμος ou Didymos.

Amiguinho

Canta como um Anjo