sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A rosa


O seu nome vem do latim rosa, que por sua vez procede do grego rhodon numa referência a Rodes, ilha coberta de rosas.

Segundo a mitologia grega, teria sido criada, por Clóris, deusa das flores (Flora entre os romanos), com o corpo inanimado de uma ninfa.
Foi consagrada a Afrodite, deusa do amor, e depois a Vénus, na época romana. Dionísio, segundo a tradição mais difundida, ofereceu-lhe o seu inebriante perfume, e as Três Graças concederam-lhe o encanto e o brilho que ela trazia aos que a contemplavam.
Cupido, filho de Marte, deus da guerra, e de Vénus, usava uma coroa de rosas, assim como Príapo, deus dos jardins e da fecundidade.
Mil anos antes da nossa era, a rosa-de-damasco, uma das mais antigas que se conhece, era cultivada na ilha de Samos, no Mediterrâneo, em honra de Afrodite.

As lendas que falam do nascimento da rosa vermelha, símbolo de regeneração, são muitas.
Uma das versões da mitologia grega conta que teria sido tingida com o sangue de Adónis, mortalmente ferido, e o de sua amante, Afrodite, que, ao correr em seu socorro, ter-se-ia magoado num arbusto de rosas brancas.

O branco, símbolo da pureza, e o vermelho, símbolo da paixão amorosa, evocam os dois aspectos do amor encarnado por Vénus-Afrodite.
É por essa razão que a rosa era utilizada, na Antiguidade, nas cerimónias nupciais:
coroas de rosas ornavam a fronte dos esposos.
Descobriram-se bouquets intactos no sarcófago de Tutankhamon, e, sob o reinado de Ramsés II, a sua essência tornou-se um dos ingredientes de base nos rituais de mumificação.

A rainha Cleópatra (69 a.C.-30 a.C.) teria exigido que uma das salas de seu palácio em Alexandria fosse enchido com pétalas até a altura dos joelhos, com o fim de seduzir Marco António.

Indissociável da poesia persa, a rosa era também utilizada como metáfora para evocar a carnação da mulher amada.
E uma taça de vinho costumava ser comparada a uma rosa sem espinhos, pelo seu perfume inebriante e pela sua rica cor.

Na Idade Média, a literatura apoderou-se da rosa, símbolo do amor, com o alegórico
Romance da Rosa, de Guillaume de Lorris - Séc. XIII, no qual um jovem sonha com o amor ideal, e neste sonho a mulher que ele ama é simbolizada por um botão de rosa num jardim, representando a vida cortês.

Mas as Cruzadas é que iriam desempenhar um papel determinante na expansão da cultura das roseiras na França.

O conde de Champagne trouxe da Terra Santa, em 1240, uma variedade de um púrpura violáceo que se converteu na célebre rosa de Provins. BaPtizada Rosa "gallica officinalis" pelos botânicos, uma flor soberba, de aroma inebriante, também era conhecida pelo nome de "rosa dos boticários", devido às suas múltiplas propriedades medicinais.

Desde então, Provins, uma das três capitais do condado de Champagne, entregou-se à cultura e ao comércio da "sua rosa".
Na altura, fornecia aos mercados e feiras de Champagne os produtos ou os remédios que dela se extraíam sob a forma de conservas secas e líquidas. Essas especialidades eram muito procuradas pelos mercadores estrangeiros, que, transportando-as para as regiões vizinhas ou distantes, não raro até para o Oriente, contribuíram para aumentar o renome da cidade francesa.

O Renascimento associava à flor, o amor eterno.

Foram pétalas de rosa esvoaçantes que Sandro Botticelli pintou em 1485 no seu quadro: O Nascimento de Vênus e na A Primavera. Colocava em primeiro plano a deusa Flora espalhando flores pelo mundo e ulizando uma trança de rosas.
Os pintores flamengos e holandeses do Séc. XVII concederam-lhe um lugar importante nas suas opulentas composições florais.

Enquanto símbolo do cristianismo -
No início, a rosa foi rejeitada pelo cristianismo, devido à sua vinculação com o paganismo. Mas, segundo a tradição, já no Séc. VI, um bispo teria instaurado na sua aldeia natal um prémio de virtude; coroava de rosas a moça mais sábia da região, à qual era atribuído o título de "roseira".

No Séc. XI, a Igreja instaurou um novo ritual em que a flor era o elemento principal: todos os anos, no quarto domingo de Quaresma, o papa benzia uma rosa de ouro que conduzia em procissão após a missa, e oferecia de seguida a uma personalidade, não raramente escolhida entre os príncipes católicos, cuja piedade queria honrar.
Uma das mais antigas rosas de ouro conservadas no mundo — restam apenas três — encontra-se no tesouro da catedral de Basiléia, na Suíça.

No Séc. XII, São Bernardo fez da rosa o símbolo da Virgem.

Em 1216, o papa Inocêncio III oficializou o rito do rosário.
O termo rosário designava originalmente um "rosarium", ou jardim de rosas, e depois aplicou-se às grinaldas trançadas para coroar as estátuas da Virgem. Por extensão, a palavra iria definir o grande rosário que representa os mistérios da vida de Maria, cujas contas eram fabricadas na primavera com pétalas de rosa moídas, secas e perfumadas.
A flor tornou-se o emblema da fidelidade à Igreja.
Está presente na arte gótica das catedrais sob a forma de rosáceas.
A mística cristã medieval, retomando a simbologia antiga, considerava a rosa branca como o símbolo da pureza e, por conseqüência, da sabedoria monástica, enquanto a rosa vermelha evocava a Paixão de Cristo e o sangue dos mártires.

Cultivada como ornamento nos canteiros régios, e como planta medicinal nos jardins dos mosteiros, a rosa foi introduzida, no decurso dos Sécs. XII e XIII, no desenvolvimento de várias festas religiosas cristãs, nomeadamente o Pentecostes. Esta celebração sempre foi conhecida nos campos sob o nome de Páscoa das Rosas, em razão de um costume medieval encantador. Durante a missa, no momento do "Veni Sancte Spiritus", caem rosas da abóbada, ou antes, do alçapão chamado passagem do Espírito Santo, montado em algumas igrejas.

Santa Teresinha das Rosas
Em muitas vilas da França era costume vestirem as meninas com o hábito da Santa relembrando a pequena Teresinha, quando participava das procissões do Corpus Christi. Ela, com simplicidade, lançava pétalas de rosa para o Ostensório.
Era um gesto de carinho por Jesus, representado na Hóstia Consagrada. A rosa tornou-se o símbolo de Teresinha que, morrendo, disse: "Do céu mandarei uma chuva de rosas".
Diz a tradição que, após a Novena das Rosas, em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus, a pessoa receberá de alguém, de uma maneira inesperada, uma rosa, sinal de que seu pedido será atendido pela querida santa.

Como tudo começou
As rosas selvagens são as rosas mais antigas, e existem há 12 ou 15 milhões de anos.

Já as rosas hoje encontradas nos jardins, vieram para a Europa trazidas pelos
cruzados, em 1250.

(fonte: Arnaldo, Poesia)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Maria

Maria (Μαρία transliteração em grego do hebraico Maryam, Miriam מרים que em hebraico significa "contumácia" ou "rebelião".

A origem é incerta, mas pode ter sido originalmente um nome egípcio, provavelmente derivado de Mry ("amada") ou Mr ("amor"), no sentido de "senhora amada".

Que bonita és, Stella Maris, e sempre serás...

Failté!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Igreja de São João Evangelista do Alfange


Descrição
Planta longitudinal, orientada, composta:
à nave rectangular adossa-se a capela-mor rectangular e rematada por ábside semicircular, flanqueada por 2 anexos quadrangulares de diferentes dimensões;
sacristia encostada a E.; adossadas à nave, junto à fachada principal, uma capela quadrangular e a torre sineira.

Volumes articulados, sem cobertura na nave e anexos do lado S., em abóbada de berço na capela-mor e anexo lateral N., em telhado de 2 águas na sacristia, em coruchéu bolboso oitavado sobre a sineira.

Fachada principal de um pano e 2 registos, rematada por frontão contracurvado centrado pela cruz e ladeada por pilastras toscanas; rasgada por portal de vão rectangular e verga arquitravada a que se sobrepõe um janelão de verga em arco abatido e frontão em chaveta, com concha esculpida no fecho; sobre o janelão a pedra de armas portuguesa encimada pela coroa e rodeada por plumas, com a data gravada de 1802;
do lado direito o muro mais baixo da capela, do lado oposto a torre sineira, com cunhais jónicos, ventanas para sinos com verga em arco redondo, pináculos sobre acrotérios nos 4 vértices; nas fachadas laterais, marcadas pelos volumes dos corpos adossados, rasga-se, do lado S., a porta travessa, de moldura idêntica ao portal principal, encimada por janela rectangular com grade;, do lado N. uma janela idêntica.

INTERIOR: para a nave abre a capela-mor com arco triunfal peraltado assente em colunas adossadas de fuste cilíndrico e capitéis vegetalistas; do lado da nave, junto ao arco triunfal do lado do Evangelho, um plinto com uma base idêntica à do arco triunfal; 2 nichos rasgam as paredes laterais do arco triunfal; capela-mor com abóbada de berço reforçada por arco toral e rematada por ábside semicircular, rasgada por fresta de verga redonda, com fresta rectangular lateral entaipada e nicho do lado do Evangelho;
sob a torre, o baptistério coberto por cúpula, com acesso por arco redondo sobre pilastras toscanas. Na nave resta ainda a base de um púlpito em pedra com mascarão na base, adossado do lado N. e um altar em pedra com pilastras toscanas rasgado por edícula de verga em arco a pleno centro; na capela lateral, junto à fachada principal com porta para a rua e encimada por fresta rectangular, rasga-se uma edícula idêntica, de menores proporções.

Vestígios de pintura no altar da nave e no arco do baptistério.

Sinais de aplicação de azulejos outrora revestindo integralmente os alçados internos da nave, bem como do encosto do telhado e da cobertura de 3 planos sobre a nave e coro-alto *2.

Cronologia
Séc. IX / X - construção inicial da igreja, de que resta apenas a capela-mor;

1147 - doação por D. Afonso Henriques à Ordem do Templo, em recompensa pelo apoio recebido na conquista de Santarém;

1316 - pertencia aos cónegos da Sé de Lisboa, passando mais tarde novamente para o padroado real;

1460 - doada por D. Afonso V ao cabido da igreja de Santa Maria da Alcáçova, em recompensa pelos aniversários rezados todos os sábados pelos seus cónegos, por alma dos reis de Portugal;

1609 - criada a Irmandade do Santíssimo;

1640, c. de - reconstrução do templo (data gravada na porta que fazia o acesso da sacristia para o trono, hoje desaparecida);

1755 - gravemente afectado pelo terramoto;

1779 - reconstrução da igreja segundo data sobre a porta principal;

1802 - data no escudo real da empena;

Séc. XIX, finais - apresentava sinais de ruína;

1909 - afectado pelo sismo;

1936 - os azulejos da nave são retirados e aplicados na Igreja de Marvila;

Séc. XX, 2ª metade - o altar-mor e os 2 altares colaterais são retirados; derrocada da cobertura.

Tipologia
Arquitectura religiosa, pré-românica, maneirista, barroca.

Igreja paroquial de nave única e capela-mor, torre sineira adossada à fachada.

Pré-românico:
capela-mor com abóbada de berço reforçada por arco toral rematada por ábside semicircular, em cantaria, fresta redonda, arco peraltado sobre capitéis com palmas estilizadas esculpidas, de características moçárabes.

Maneirismo:
espacialidade postridentina da nave salão, linguagem erudita na utilização das ordens clássicas em pilastras, na modinatura do altar lateral, arco do baptistério e edícula da capela lateral.

Barroco - forma dinâmica do coruchéu bolboso da torre, recorte do frontão da fachada e do janelão sobre o portal.

Intervenção Realizada
1936 - são retirados azulejos da nave para serem aplicados na Igreja de Marvila; a DGEMN compromete-se a substitui-los por outros que se guardavam na Igreja de Santa Clara, o que não vem a acontecer;

1990, c. de - restauro de parte da escadaria, do adro envolvente a N. e do anexo desse lado;

1995 - consolidação da escadaria da Igreja incluindo construção de uma caixa em betão no interior do torreão N. e apeamento e reconstrução do pano central da escadaria;

IPPAR:
1997 - Prospecções arqueológicas no interior da igreja e zona anexa às fachadas E. e S.;
DGEMN:
1997 - contenção das terras onde se implanta a igreja através da reconstrução do torreão S. do escadório e da plataforma envolvente do lado S.; consolidação das paredes e abóbada da igreja;

1998 / 1999 - obras de reabilitação e restauro: apeamento e reconstrução de parte da fachada lateral S., consolidação das estruturas existentes;

2000 / 2001 - execução de uma nova cobertura em camarinha de cobre na nave, capela-mor e anexos; reparação da torre sineira.

Observações
*1 - O bairro do Alfange constituía uma área periférica importante, com um porto de pesca de grande movimento e um cais de acostagem para os barcos que faziam a travessia do Tejo; a partir do Séc. XVI a sua importância foi decaíndo em proveito do bairro da Ribeira.
Foi rodeado por muralhas até essa data; junto à igreja, terminava a vereda íngreme e serpenteante que ligava o Alfange à Porta do Sol.

*2 A igreja tinha 4 altares: no altar-mor venerava-se o Santíssimo Sacramento e as imagens de São João Evangelista e de São João Baptista; nos 2 altares colaterais, do lado do Evangelho, Nossa Senhora da Encarnação, com imagem de roca de grande devoção e as imagens de Santa Catarina e de São Vicente mártir, do lado da Epístola, a imagem do Menino Deus; no altar lateral do alçado S., a imagem de São Bartolomeu, ladeada pelas imagens de São Sebastião e Santo António. Na sacristia existia um cofre com uma relíquia: o casco da cabeça de São Saturnino mártir. As naves eram cobertas por tecto apainelado emoldurando pinturas (45 painéis na nave, 3 no baixo coro, 2 na capela-mor); o coro-alto apoiava-se em colunas salomónicas; os 3 altares eram revestidos por talha dourada de finais do Séc. XVII; na Sala da Irmandade existia um cadeiral idêntico ao da Sala do Definitório da Misericórdia de Abrantes.
As naves eram revestidas por azulejos de padrão e enxaquetados iguais aos da capela-mor da Igreja de Marvila, tendo alguns sido aí empregues, em 1936.
Um cancelo de tipo visigótico, encontrado nos escombros, guarda-se na reserva arqueológica; várias imagens encontradas nos escombros na sacristia.

(fonte: IHRU)

Equinócio de Outono com Lua Cheia

Está a chegar o Equinócio de Outono, e desta feita entra com Lua Cheia!

Uma doce promessa de fartura e beleza


É tempo de colher e de preparar para o Inverno

O Outono é um momento de mudança; de preparar e encher "os celeiros" para o período mais escuro e frio do ano: o Inverno.

Ao passo que antigamente a transição das estações era uma parte importante da vida, hoje em dia essa celebração é pura e simplesmente negligenciada.

A celebração permitia o conhecimento e compreensão dos ciclos da vida, da natureza, do nosso corpo e espírito.

A efemeridade consumista actual, está a sarciar este conhecimento, o contacto e necessidade de ligação à Natureza no seu Todo.

As celebrações podem ser ritos de passagem. Assinalando o final de um ciclo e o começo de outro.

Convidando os seres humanos a olharem para trás, e perceberem o que aprenderam, quais foram os erros e metas alcançadas, perspectivando assim o novo ciclo.

Dão-nos uma medida de nós próprios e do Mundo, regeneram-nos, dão-nos alegria, paz e tranquilidade.

Entender, reconhecer, honrar e celebrar é, pois, muito importante.

O melodioso sistema do Universo,
O grande festival pagão de haver o sol e a lua
E a titânica dança das estações
E o ritmo plácido das eclípticas
Mandando tudo estar calado.
E atender apenas ao brilho exterior do Universo.


- Álvaro de Campos, O melodioso Sistema do Universo

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lenda de Santa Marta (de Penaguião)

Certo cavaleiro francês, um tal Conde de Guillon que andou por terras de Panóias, mandou queimar a capela de Santa Marta.

Consumado o acto sacrílego, a Santa apareceu-lhe ditando o castigo:
que plantasse uma vinha, e cuidasse dela.

Arrependido e humilhado, nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos, mas ao descobri-los, tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada.

O contrito conde cumpriu a dura penitência, e ficou cheio de alegria na hora da vindima, porque nunca tinha produzido nada na vida.

Lembrou-se então de oferecer à Santa as uvas, fruto do seu suor, e em vez de um corvo, apareceram-lhe pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação.

Estava perdoado.

E dizem que, desde então, a localidade adoptou o nome:

Santa Marta de Pena Guillon.

Que, segundo a tradução (e tradição) popular significa "Santa Marta de Pena (castigo) Guillon (Guião)".

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Maktub

Nas brumas esquecidas da Lemúria
Em documentos da Atlântida oculta
Na face obscura da Lua
Em pergaminhos do antigo Egipto
Nas profecias Maias
E pedras Incas

Estava escrito

Nos Oráculos Sibelinos
Os profetas já previram
Escrito em Sindarin e Mandarin
Aramaico Arcaico
No Drona Parva lido

Três vezes o maior já tinha visto

Em capelenses hieróglifos
Em construções monolíticas descrito
Nos Papiros de Qumran ...
No Codex Tolteca Tira ...
No Zohar...

... MAKTUB


- Maria

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Lenda do Senhor do Galo de Barcelos e o Milagre do Enforcado

Esta lenda está associada a um antigo padrão de pedra de Barcelos, de origem desconhecida, que tem em si gravados, em baixo relevo, a Virgem, S. Paulo, o Sol, a Lua e um Dragão de um lado e do outro um Cristo Crucificado, um Galo e Santiago sustentando um enforcado.

Na origem da lenda está um crime perpetrado em Barcelinhos, que ficou impune, apesar das sérias investigações das autoridades de então.

Este crime ficou esquecido até que um dia um peregrino galego que se dirigia a Santiago parou para passar a noite no albergue local.

Ao jantar, enquanto ceava, reparou que alguém o observava fixamente mas não fez caso e continuou a sua refeição.

O observador saiu do albergue, dirigiu-se a casa do juiz, e acusou o peregrino da autoria do crime.

Preso, o crente galego não conseguia apresentar provas da sua inocência, tendo sido levado para as masmorras, julgado e condenado à forca.

No dia do enforcamento, o peregrino pediu, como sua última vontade, que o levassem à presença do juiz que tão injustamente o tinha julgado.

Perante o juiz, que estava em sua casa preparando-se para trinchar um magnífico galo assado, o condenado ajoelhou-se. Seguidamente, afirmou a sua inocência e suplicou que não o enforcassem, pois era a primeira vez que estava em Barcelinhos e nunca tinha visto a vítima do crime.

O juiz não se comoveu.

Então, o galego invocou a ajuda de Santiago e perante todos afirmou que era tão certo estar inocente como o galo assado cantar antes do dia acabar.

Todos os convivas presentes se riram da afirmação mas, supersticiosamente, não tocaram no galo.

À noite, observaram com espanto que o galo se cobria de penas novas, se levantava e batia asas para cantar com energia.

Correram todos para o lugar da forca e encheram-se de espanto ao ver o peregrino vivo, com uma corda lassa à volta do pescoço, apesar de estar pendurado.

Atemorizados por este facto insólito, libertaram o peregrino galego, deixando-o seguir o seu caminho.

Diz-se que em agradecimento pela ajuda de Santiago, o peregrino mandou colocar o padrão que ainda hoje lá se encontra.