quinta-feira, 31 de março de 2011

Castelo de Algoso

Castelo

Arquitectura militar, medieval. Castelo roqueiro de planta rectangular, mantendo muralhas com cubelos rectilíneos e a torre de menagem quadrangular, de três pisos, com porta de acesso num nível superior, em arco apontado e com matacães, e coroada por merlões, com seteiras; mantém, ainda, a cisterna quadrangular, com interior abobadado e o recinto da primitiva praça de armas.

Descrição
Pequeno castelo roqueiro, de planta rectangular, de que subsistem alguns troços de muralha, interrompidos por rochas, com cerca de 12 m. de altura, a torre de menagem, alguns cubelos e pequeno pátio, correspondente à primitiva praça de armas. Na muralha, é visível um cubelo de perfil rectilíneo e, a N., uma porta em arco pleno com moldura constituída pelas aduelas do arco, protegida por barbacã com cubelo que já não apresenta os merlões. Torre de menagem, de planta poligonal irregular, com cunhais de cantaria, actualmente com três pisos, ficando a porta a um nível elevado, correspondente ao segundo piso, em arco apontado, com moldura de cantaria e vestígio de matacães; no interior da torre, são visíveis os vestígios dos três registos, sendo os dois primeiros para habitação e o último de defesa, rematado por merlões com seteiras. Mantém zonas com coberturas em abóbadas de berço. Em época incerta, construíram um muro que dividia estes dois pisos em duas dependências. Em frente à torre, vestígios de edificações mais pequenas, correspondentes às primitivas cavalariças e cozinha. O recinto que está intramuros é de reduzidas dimensões e possui afloramentos rochosos de várias toneladas, bom como uma estrutura baixa, com acesso por porta de verga recta, a primitiva cisterna, de planta quadrangular irregular, com cerca de 30 metros quadrados e com 3 de altura, tendo capacidade para cerca de 90 mil litros de água, com interior abobadado e com estrutura em terraço, onde é possível ainda ver a clarabóia, apesar de totalmente obstruída.

Enquadramento
Rural, isolado, situado numa escarpa maciça rochosa de 690 m. de altitude, denominado Cabeço da Penenciada, sobranceiro à margem direita do rio Angueira, ao fundo do desfiladeiro dominado pelo imóvel. Para N., fica a vila.

Cronologia
Séc. XII - D. Mendo Rufino (ou Bofino), senhor da região por doação de D. Afonso Henriques, ordena a construção da fortificação, para vigiar a fronteira com Leão, apesar de alguns autores defenderem uma construção posterior, do tempo dos mouros;
Séc. XII / XIII - o alcaide oferece o castelo de "Ulgoso" a D. Sancho I, que, em recompensa, oferece o senhorio de Vimioso a Mendo Rufino; o monarca planeava converter Algoso em cabeça de um vasto território, que abrangeria as circunscrições de Miranda do Douro e Penas Róias;
1212-1213 - invasão e ocupação do castelo pelas tropas do rei de Leão, Afonso IX, como represália à contestação do rei português contra as doações às suas irmãs;
1219 - estabelece-se a paz entre os reinos de Leão e Portugal;
1224, Abril - D. Sancho II doa o castelo com "todos os seus termos e pertenças" ao prior D. Rui Pais e seus "sucessões, irmãos freires";
1226 - no castelo ficava a primitiva matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção ou do Castelo;
1258 - nas Inquirições, aponta-se como autor da doação do castelo à Ordem do Hospital, quer a D. Afonso Henriques quer a D. Sancho II;
1291 - o comendador de então, Fr. Pedro Lourenço, aparece numa demanda e contenda entre D. Dinis e a Ordem do Hospital, onde se mencionam como pertencendo à Ordem e unido à Comenda de "Ulgoso" as aldeias de Serapicos, Vila Chã da Beira, Uva, Mora, Saldanha, Sendim, Picote, Vilar Seco, Vinhão e casais de Cerceo;
1298 - D. Dinis manda reedificar a fortaleza;
1341, Agosto - carta-sentença de D. Afonso IV informando que, nesse ano, Fr. D. Álvaro Gonçalves Pereira era "Priol do Spital nos seus reynos, e que lhe pertencia o Castello de Ulgoso com seu termo desde tempo immemorial";
1480 - D. Afonso V outorga foral à povoação;
1510 - D. Manuel I concede novo foral à vila;
1530 - castelo possui cisternas, com revelim e respectivas casernas onde vivia o alcaide;
1588 - era alcaide Frei Gonçalo de Azevedo, nomeado por Filipe II;
Séc. XVII - possível abandono desta zona do castelo, surgindo a nova povoação num planalto, correspondente à localização actual;
1684, 22 Junho - no Tombo dos Bens da Comenda de Algoso faz-se uma descrição do imóvel e do respectivo estado de conservação *1;
1689 / 1690 - a municipalidade de Vimioso manda fazer trabalhos de consolidação e restauro;
1710 - última ocupação militar da fortaleza, no contexto da Guerra de Sucessão de Espanha;
1935 - descrição do castelo pelo Padre Miranda Lopes;
1944, Junho - o município requer à DGEMN obras no imóvel;
1974, Junho - verifica-se ser necessária a desobstrução da torre, consolidação de alvenarias e abóbadas;
1992, 1 Junho - o imóvel foi afecto ao IPPAR, pelo Decreto-lei 106F/92;
2002 - assinatura de um protocolo entre a Câmara de Vimioso e o IPPAR para transformação do imóvel em núcleo museológico;
2006 - projecto de criação de um centro de interpretação, pelo IPPAR.

Características Particulares
Castelo fronteiriço para vigia e defesa do perigo proveniente do reino de Leão, parecendo-se mais com uma atalaia, ao jeito de Penas Róias, elevado entre vales, bem defendido pela orografia, visionando uma vasta região fronteiriça. A cisterna mantém-se relativamente bem conservada, com abóbada de aresta, junto à muralha, bem como a torre de menagem românica, com reconstrução gótica, como se depreende do vão apontado da porta de acesso.

Observações
*1 - "Para a parte do poente estava hua porta de carvalho chapeada de ferro com o ferrolho grosso da parte de dentro, e um postigo na mesma porta, na qual já faltavam algumas barras, e por esta se entra em um fortim de obra morta, que fica para a parte do norte, dentro do qual, no muro do castelo, à mão direita, fica hua porta, e desta se sobe por uns degraus de pedra que ficam entre o muro e a tôrre; e logo se entra por terceira porta chapeada de pregos e barras de ferro, com fechaduras e ferrolhos pela parte de dentro, e desta porta se entra em uma casa, no meio da qual havia um "asapão" (sic), que decia para um fallço, e dentro da dita casa, que se acha arruinada de telhados, estão quatro portas, uma em entrando e outra entrando nela; à mão direita se entra em hua casa que serviu de tulha, com uma fenestra para o poente; desta se passa a outra casa que servia de almazem de polvora com duas fenestras, uma para o poente e outra para o norte; segunda porta que sobre uma escada de pedra tosqua para a tôrre e muro; terceira porta, a primeira e principal do muro, que sai a um patim, que tem hua porta grande para uma casa, que serve de cavalariça, arruinada; e deste patim se entra em outra casa grande com dois fornos e hua pia de cantaria grande, que tudo se acha arruinado, e no mesmo patim está outra porta fronteira à principal do patim, porque se entra em uma casa de cavalariça e lenha arruinada, e desta casa se sai a outro patim que fica para a parte do sul, sobre o rio Angueira; quarta porta na primeira casa do muro, para a parte do sul, por que se entra em uma casa de sisterna de abobada, com janela no tecto da abobada, e sobre esta um fortim com suas guarnições e campo para uma peça; junto da porta sisterna, na primeira casa sobre uma escada de pedra tosqua, da parte do nassente para o norte, que colhe a mayor parte do muro, e (...) sobe ao alto da torre donde está hua caza que servia de armas, donse se sae para hua porta que, à parte do sul, faz hua ponte sobre o dito rio, com suas ameyas; e junto desta casa dece hua esquada de pedra tosqua, e vem dar à segunda porta da primeira caza dentro da primeira salla; da primeira porta se sobe por hua esquada de madeira que dá em outra salla que a cobre, e na caza das armas nesta salla está hua porta ao nassente que dizem sahia para hua varanda de madeira; e desta mesma caza se sobe por hua esquada de mão para a tallaya da torre; e fica todo o castelo fundado sobre o muro da parte do poente, continuando ao norte e da parte do norte, ao sul e nascente, fiquão muros divididos da torre, dentro dos quais se acham as cazas assima sobreditas e declaradas, e tudo arruinado emcapaz de defeza e abitação; e não tem o dito castello o barbaquão nem foços por não lhe serem necessarios pella eminencia do monte em que está fundado, nem tem armas nem monição, carretas nem peças; tem hua torre no meyo em que se achão as cazas de que se tem feito menção, a qual torre é coadrada sem abertura nem ruyna no corpo dela".

(fonte: IHRU)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nabância: uma praça

Como L. Manini viu uma praça de Nabância

terça-feira, 29 de março de 2011

A Pedra Oblíqua, de novo

Esta é uma imagem recente da designada "Pedra Oblíqua" de Santa Maria do Olival

Esta é uma imagem antiga de 1871 (de José Artur Leitão Bárcia)

Estas outras, são da DGEMN, a 1ª das obras realizadas durante a década de 1940 (1940-42) e a 2ª dos finais do Séc. XIX


A imagem antiga de 1871, vem comprovar a teoria que em 2009 referi: a "Pedra Oblíqua" de Santa Maria do Olival, não existia naquela posição até às décadas de 40/50 do Séc. XX. Diria que ali foi colocada entre as obras da década de 40 e 50 (Séc. XX). Diria mais, terá sido colocada durante o período da 2ª Guerra Mundial, e após uma indesejada 'visitação' ... por parte de "convidados" indesejados e indesejáveis, à procura daquilo que nunca deveriam ter visto, e eventualmente - espero bem que não - subtraído.


- Nota: A foto de José Artur Leitão Bárcia foi obtida hoje a partir do Arquivo de Lx, graças à publicação no Facebook por Rui Ferreira, a quem agradeço a menção da existência de espólio de Thomar num Arquivo que consulto há anos, e que pensava só ter coisas de Lx! Obrigada

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dornes

Mais um excelente artigo

Templo de Santa Cristina de Serzedelo



Foi edificada pelos Templários em meado do século XII.

Esta vasta egreja, de uma nave e sem transepto, mede exteriormente 34 metros de comprido e 7m,78 de largo.
No remate da fachada pousa uma pequena pedra em forma de palmatória tendo gravada ao centro a cruz octogona da Ordem, a qual nas quatro extremidades corta para dentro em semicírculo.
A porta principal, com a archivolta bellamente ornamentada, está para o Occidente como era de uso antigo entre os povos catholicos e pagãos.
Estes entravam no templo ficando voltados ao Oriente em adoração ao sol nascente ; e aquelles alludiam á posição de Jesus Christo quando expirou no Calvário.
A cimalha, em volta do edifício, é de molduras simples, ornada de pérolas a espaços, e descança sobre grossos modilhões completamente lizos.

Ao lado esquerdo da fachada ergue-se, em forma de muralha forte, com dois campanários no alto, o origirialissimo torreão, genuína construcção da epocha. Não obstante ser coberta de madeira, tem a egreja contrafortes ou gigantes.
Próximo da capella-mór ha duas portas lateraes, vendo-se a do lado sul coberta por pequeno alpendre com as respectivas columnas encostadas a dois túmulos de pedra onde provavelmente descançam um ecclesiastico £ um guerreiro, visto haver no da esquerda
uma espada gravada com um brazão ao lado, e o da direita estar collocado com a cabeceira para fora.
Numa das pedras da parede exterior norte, próximo da porta lateral e junto do friso que outr'ora pertenceu á alpendrada, estão cravadas as lettras :

SES
N NN
D O

Não pertencem á primitiva obra estes poucos caracteres nem tampouco podemos admittir que fossem gravados de lado como estão. A segunda e terceira linhas poderiam ser tomadas como abreviaturas das primeiras palavras da divisa dos Templários — Non nobis domine sed nomini tuo da gloriam.

Transpondo a porta principal da egreja o visitante entra numa galilé curiosa que mede 9,53 de comprido por 5,67 de largo, com dois túmulos abertos em arco na parede e o pavimento coberto de sepulturas com grandes espadas toscamente gravadas sobre as tampas. Numa d'estas existe um swastica de crusamentos duplos, terminando em curvas, emblema funerário dos tempos do paganismo. D'aqui passa-se ao corpo da egreja por um arco que mede na abertura apenas 1m,97.
Todas as janellas inclusive a que fica sobre a porta principal, conservam ainda a forma de setteiras.
O arco da capella-mór mede 3m,68 na abertura e descança em duas grossas columnas com os capiteis antigos. Por proposta minha foi esta egreja considerada monumento nacional em dezem bro de 1897.

- Archeologia


Descrição
Planta longitudinal composta por exonártex fechado e nave única rectangulares, capela-mor quadrangular, com sacristia, também quadrangular, adossada lateralmente a S. e muro campanário disposto lateralmente em relação à fachada principal, também a S.. Volumes escalonados de dominante horizontal, com nave mais alta do que os restantes volumes. Coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas em alvenaria de granito, com embasamento, na fachada lateral S., no corpo da nave, escalonado. Remates das fachadas de topo em empena coroadas por cruzes páteas no exonártex e nave e cruz florenciada na capela-mor, e das laterais por cornija suportada por cachorrada lisa. Fachada principal orientada, com pano do exonártex aberto por portal, com consolas suportando tímpano, inscrito em duas arquivoltas ligeiramente quebrados, com impostas destacadas. A primeira arquivolta é enquadrada exteriormente por friso em dente de serra e dois sulcos simples que a percorrem inferiormente. Em ambas as arquivoltas existem alguns silhares com siglas. A encimar o portal encontra-se fresta inscrita em arco pleno enquadrado por dois sulcos, à semelhança da arquivolta do portal. Pano da nave, com fresta, parcialmente oculta, enquadrada por arquivolta plena. Fachada lateral N., com pano do exonártex e da nave percorrido por cachorros que suportariam alpendre, no da nave encimados por pingadouro. Neste pano rasga-se portal com consolas suportando tímpano decorado por cruz pátea vazada, enquadrado por arquivolta ligeiramente quebrada. Junto ao portal, do lado esquerdo encontra-se silhar com inscrição. Pano da capela-mor rasgado por fresta, ladeada por dois cachorros, colocados a diferentes alturas. Fachada lateral S. igualmente percorrida por cachorros, na nave e na sacristia, encimados por pingadouro. Pano do exonártex com portal, semelhante ao da fachada oposta, apenas com a diferença que a cruz pátea do tímpano não é vazada. É ladeado superiormente, do lado esquerdo, por fresta. Pano da nave, com contraforte abaixo do pindadouro, e a cima sequência de três frestras. No estremo direito outro portal, com consolas suportando tímpano, vazado com cruz pátea, enquadrado por arquivolta plena. Pano da sacristia perpendicular ao da nave rasgado por portal em arco quebrado, enquadrado superiormente por arquivolta, também quebrada, e entre os cachorros dois escudos. Acima do pingadouro rasga-se fresta. Fachada posterior com panos da nave e capela-mor rasgados por fresta e pano da sacristia com janela em arco quebrado, mainelada, com impostas destacadas, e pequeno óculo quadrilobado na enjunta. Muro campanário em alvenaria de granito, com sineira no topo, ao centro, em empena, com duas ventanas em arco pleno e acesso por escada de ferro. INTERIOR com paredes em alvenaria de granito. Exonártex com cobertura em masseira de madeira com o travejamento à vista. Pavimento em taburnos de madeira e guias de granito. Do lado do Evangelho encontra-se baptistério sobre plataforma de granito, com pia baptismal de taça e coluna octogonal. Na parede rasgam-se dois arcossólios, ligeiramente quebrados, enquadrados por arquivolta. Parede do lado da Epístola com portal de comunicação com o exterior, enquadrado por arco pleno, com siglas nos seguintes do fecho, assente em imposta destacada. Parede testeira com portal de acesso à nave, com consolas suportando tímpano vazado por cruz pátea. É enquadrado por três arquivolta, a exterior decorada por friso de lanças. Nave com cobertura e pavimento igual ao do exonártex. Parede do lado da Epístola com púlpito de base granítica, rectangular, assente em modilhão, e guarda vazada em balaustrada de madeira. Acesso por escada de madeira. Em ambas as paredes rasgam-se portais de acesso ao exterior, ladeados por pia de água benta gomada. Arco triunfal pleno assente em colunas fuste com vestígios de pintura mural de arabescos e capites fitomórficos. Nesta parede encontram-se vestígios de pintura mural, superiormente com arabescos, e a ladear o arco triunfal, prolongando-se para as paredes laterais da nave, com representação de vários santos, delimitados por painéis. Nestes painéis, do lado do Evangelho, encontra-se a representação "O martírio de São Sebastião", e um anjo, e do lado da Epístola "A coroação da Virgem" e Santo António. Ainda neste último lado, mas na parede lateral da nave, encontra-se um painel com São Brás. Capela-mor com cobertura em tecto de masseira de, decorado por caixotões de talha dourada com pintura de medalhões fitomórficos. Pavimento em laje de granito. Parede testeira com altar recto de granito com sacrário de talha, sobre supedâneo de dois degraus. A encimar o altar rasga-se fresta inscrita em arco pleno. A parede apresenta vestígios de pintura mural, com painéis figurativos, um deles representando "O milagre de São Martinho", com o santo representado a cavalo, com chapéu emplumado, espada na mão e oferecendo o seu manto a um mendigo. Apresenta igualmente decoração com motivos de arabescos, prolongando-se para a parede lateral, do lado da Epístola. Nesta última abre-se porta de verga recta, emoldurada, de acesso à sacristia, ladeada por nicho, encimada por fresta entaipada, inscrita em arco pleno. Sacristia com cobertura de madeira com travejamento à vista assente em cachorrada com sulcos marcados, do lado do Evangelho. Parede testeira com vestígios de pintura mural, bastante esbatidos, prolongando-se para a lateral esquerda. Parede fundeira com lavabo, com reservatório parcialmente oculto por espaldar rectangular com torneira e taça oval.

Descrição Complementar
INSCRIÇÕES: Inscrição funerária gravada em tampa de sarcófago, rectangular, apresentando no verso campo rebaixado para apoio no sarcófago; decoração com motivo da estola, bifurcada dupla; granito; leitura: OBI(i)T FAMulo DeI GALINDUS ERA MCVIIIIª ERA TCªXª (à era MCVIIII foi acrescentada posteriormente a era TCX, o que levou à mutilação de uma cruz primitiva); inscrição funerária (?) gravada em silhar reaproveitado existente na oitava fiada na fachada lateral N. da nave, do lado esquerdo do portal; sem moldura nem decoração; granito; leitura: SES NAN DO.

Cronologia
1071 / 1072 - Data da inscrição funerária existente no sarcófago com alusão a Galindus, provavelmente Galindus Gonzalvis, pai de Soeiro Galindes, Senhor de Riba-Cávado, casado com D. Goína Pais, bisneta do Conde D. Paio Vermudes, presor da Terra da Vinha; José Mattoso aponta para outro provável Galindus Gonzalvis, casado com Vistregia, pai de Patrina e de Trutesendo Galindes, este último fundador do Mosteiro de Paço de Sousa;
Séc. XI, final - Provável data da inscrição, possivelmente pertencente a um monumento funerário de Sesnando;
Séc. XII - segundo José António Almeida existia no local um convento dos Eremitas de Santo Agostinho, que terá pertencido aos Templários, tendo passado posteriormente depois para a Comenda da Ordem de Cristo; segundo Pinho Leal o mosteiro pertencia à Ordem de São Bento;
Séc. XIII, meados - provável reedificação da igreja;
Séc. XIV - construção da capela funerária adossada a S. da capela-mor;
Séc. XV - a igreja passa a ser abadia secular; posteriormente passa a reitoria;
Séc. XVI, primeira metade - execução das pinturas murais;
Séc. XVIII - construção do tecto de caixotões da capela-mor;
1717, 2 Setembro - na Visitação é referido que "o fabriqueiro não tem dado satisfação às obras mandadas fazer na visita passada, com telhar a Capela Maior da Igreja, consertar a vidraça...";
1718, 18 Agosto - segundo a Visitação foram colocadas as redes nas frestas, faltando tapar a porta lateral do exonártex;
1720, 2 Dezembro - segundo a Visitação ainda não foi colocada a vidraça nem as telhas na capela-mor;
1723, 26 Novembro - segundo refere a Visitação " Acho o corpo da igreja tão escuro e falto de luz que se não escusa abrir-se nela uma fresta de bom tamanho, que tenha cinco palmos de alto e quatro de largo com sua grade de ferro, vidraça e rede de arame (...) os fregueses mandarão abrir da parte da pia baptismal, na forma que determino em termo de três meses sob pena de 3000 réis (...) também a porta travessa da parte da dita pia está muito baixa e incapaz para ela sair o palio, cruzes e mais paramentos das procissões, pelo que mando os fregueses ou a levantem ou façam uma de novo mais abaixo da que está"; a questão da porta teria de ser resolvida no prazo de 4 meses, sob pena de 4000 réis pagos pelo juiz da igreja;
1724, 25 Outubro - a Visitação menciona que nenhuma das obras ordenadas foi executada;
1725, 27 Novembro - a Visitação refere que devido à dificuldade em se abrir uma janela no local onde estava a pia baptismal, pois a parede era bastante grossa, que a pia se mude para o exonártex, do lado esquerdo do portal, rodeada por grades altas;
1726, 1 Novembro - a Visitação refere que a pia baptismal já foi mudada, mas que as grades poderão ser dispensadas por não haver espaço;
1729, 2 Agosto - segundo a Visitação, os fregueses deverão arranjar o forro da igreja, junto ao arco e telhar o cabido da porta travessa, do lado da Epístola;
1730, 26 Junho - a Visitação menciona que as obras ordenadas não foram feitas; as casas da Residência e recolhimento de frutos ameaçavam ruína, pelo que seria um prejuízo para o Comendador da Igreja, o Conde da Ericeira;
1731, 16 Setembro - Visitação dando conta que as casas da Residência ainda estavam arruinadas; determina-se que se rasgue uma fresta na capela-mor, ao pé do arco triunfal; 1733, 7 Dezembro - a visitação dá conta que as obras da casa da Residência ainda não foram feitas; a despesa pertencia ao Comendador;
1739 - a Visitação determina que se limpe a pia baptismal, assim como o sacrário, retábulos, imagens, paredes, forros; segundo o visitador, o padre terá de limpar a igreja pelo menos quatro vezes por ano;
1743, 10 Novembro - a Visitação menciona que a igreja se encontra muito abaixo do nível do adro, que para lá entrar tem de se descer três degraus; existem muitas inundações devido a sua situação rebaixada; é também demasiado escura; o visitador ordena que se encha de terra o pavimento interior da igreja, de modo a ficar nivelado com a capela-mor; que se disponham as campas como estavam; que se levantem os retábulos colaterais; parte da porta travessa do lado da Epístola terá de ser entaipada; por cima da porta lateral da nave, do lado da Epístola terá de ser aberta uma fresta; os guarda-pós dos retábulos deverão ser arranjados;
1744, 10 Novembro - o visitador revoga a ordem de enchimento do pavimento interior de terra, devido à intenção dos moradores mudarem a igreja para junto do Calvário; o visitador ordena ainda que se doure o frontal do retábulo-mor;
1746, 20 Novembro - devido à falta de dinheiro para as obras o visitador determina que o padre no termo do mês dê parte da Mesa da Consciência para a obra do douramento do frontal do retábulo-mor; no prazo de dois meses será feito o cruzeiro fronteiro à igreja;
1760, 29 Fevereiro - o visitador determina que se arranje os caibros do forro por cima do coro, assim como todo o telhado, usando a telha e cal que for necessária;
1780 - segundo o Abade de Tagilde a igreja recebeu uma visitação neste ano, sendo reconhecida a necessidade de reformar a igreja e se fizesse importantes obras; os fregueses forma com embargos à Relação primaz, que confirmou o mandato do visitador; subiu recurso à Coroa, que ordenou que o visitador procedesse com justiça;
1784 - perante o visitador foi resolvido fazer uma nova igreja junto do Calvário, no entanto esta obra nunca chegou a ser feita;
Séc. XIX - provável reforma da igreja, nomeadamente construção de novos retábulos e sanefa do arco triunfal;
1941, Fevereiro - um ciclone causa diversos estragos na igreja;
1942, Junho - início das grandes obras de restauro do edifício, levadas a cabo pela DGEMN *1;
1957 - a igreja é reaberta ao culto, apesar de as obras não estarem totalmente concluídas;
1981 - carta do páraco de Serzedelo, Padre Manuel Dias da Silva Salgado, ao Ministro das Obras Públicas, dando conta da necessidade da construção de uma nova igreja paroquial, na proximidade da antiga;
1990, 7 Novembro - carta do páraco José António Fernandes Antunes ao presidente do IPPC dando conta que o adro estava em estado de abandono, pois as obras nunca haviam sido concluídas, e que a rampa que foi construída permitia a entrada de águas pluviais no interior da igreja;
1993 - a igreja já não apresentava culto.

Características Particulares
A Igreja de Serzedelo é um dos poucos exemplares em Portugal que ainda conserva o exonártex, praticamente intacto, cuja função inicial seria funerária. As frestas da fachada principal do exonártex e da sacristia não estão alinhadas com os portais respectivos, o que poderá indiciar, possivelmente, épocas de construção diferenciadas entre os portais a abertura das frestas. Conserva alguns sarcófagos medievais, que pertenceriam ao primitivo mosteiro, um deles com inscrição datada do Séc. XI. No interior são ainda visíveis restos de pintura mural, com representação de santos e decoração de arabescos, que revestiria a zona do arco triunfal, a capela-mor e a sacristia, primitiva capela funerária.

Observações
*1 - Antes do início dos restauros, a igreja encontrava-se da seguinte forma: No exterior, toda a fachada lateral S. encontrava-se semi enterrada, com o portal do exonártex entaipado e o da nave rebaixado, com acesso por escadaria e coberto por alpendre. Apenas o portal do exonártex possuia tímpano. A mesma fachada possuia uma porta de verga recta, com escadaria, de acesso ao coro. A sacristia possuia telhado de uma água, com janelão rasgado lateralmente. O campanário possuia três sineiras. O seu interior encontrava-se caiado, a nave era coberta por abóbada de berço em madeira, pintada com motivos florais. O pavimento era em soalho. O coro-alto era assente em arco pleno e apresentava guarda vazada em madeira. Possuia retábulos colaterais, retábulo-mor e sanefa do arco triunfal neoclássicos, em talha policroma a branco e dourado. A fresta acima do arco triunfal e da capela-mor estavam entaipadas, esta última oculta pelo retábulo-mor. A capela-mor era revestida a azulejo.

(fonte: IHRU)

Ermida de São Pedro das Cabeças


Enquadramento
Rural, destacado, isolado, no alto de um monte.

Descrição
Planta longitudinal, escalonada, composta pela nave e capela-mor de planta quadrangular; volumes articulados, cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave e cúpula revestida a telha na capela-mor. Fachada principal orientada a O., de pano único, com portal ladeado por duas pequenas janelas, empena triangular com pequeno campanário central e duas urnas nas extremidades. Alçado S. cego, com dois panos separados por contrafortes. Alçado E. cego, com dois panos separados por um contraforte que tem sobreposto um marco geodésico. Alçado N. com dois panos separados por contrafortes e fresta de iluminação no corpo da capela-mor. Interior de uma só nave, com cobertura em abóbada de berço. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras; capela-mor, mais estreita que a nave, coberta por cúpula; altar-mor de madeira com nicho em alvenaria, do lado do Evangelho rasga-se fresta de iluminação.

Época Construção
Séc. XVI

Tipologia
Arquitectura religiosa, maneirista, popular. Santuário rural, de peregrinação, com marcado carácter vernacular, documentando a persistência da tipologia quinhentista de pequenas igrejas de uma só nave. Observações Segundo a tradição histórica, não corroborada por documentos, foi junto em São Pedro das Cabeças que se desferiu, em 1139, a batalha de Ourique, pelo que atribuído um carácter comemorativo ao monumento. Nas suas imediações ergueu-se, no reinado de D. Maria I, um Padrão comemorativo da Batalha de Ourique, deslocado para Castro Verde em 1960.

(fonte: IHRU)

domingo, 27 de março de 2011

Salah ad Din

De seu nome completo: Ṣalāḥ ad-Dīn Yūsuf ibn Ayyūbi

O vale é diferente; acima das religiões e cultos.
Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.
Funde-te na maravilha de Deus.
Aqui não há lugar para religiões nem cultos.

- Rumi, Recordar

Ya Salam
Shalom
Que a Paz reine entre nós


A Honradez de um Adversário, só é comparável à Lealdade de um Amigo.

Linha de defesa nordeste transmontana


Castelos, Torres e Atalaias


- Penas Róias


- Mogadouro


- Milhão (desaparecido)


- Santulhão (desaparecido)


- Outeiro de Miranda


- Algoso


- Bragança (mais afastado)

sábado, 26 de março de 2011

Epitaphio do Século XII

No Museu do Carmo conserva-se uma pequena lapide (alt. 18cm; larg. 17cm), acerca de cuja proveniência não poude colher informações exactas, tendo a seguinte inscripção, com muitas abreviaturas e letras conjunctas, e de que se pode ver o fac-simile seguinte:

Vº : I D U S : I N R I I : O B I I T:
D I D A C V S : M O N I Z:
C V S : A I A : R E Q I E S :
M E R E T : E : M : C C : X X : I X:
A S P I C E: Q A : Q D : E S:
F V I: &; : Q D . S V : E R I S:
M E M E T O : M I : O R • T E :
P R O : M E :

Vº Idus I(a)n(ua)rii obiit
Didacus Moniz cui(u)s a(n)i-
(m)a req(u)ies meret. E(r)a
M CC XXIX. Aspice q(u)ia
q(uo)d su(um)eris. Meme(n)-
to m(e)i; or(a)te pro me.

A 2 de janeiro falleceu
Diogo Moniz, cuja alma merece
descanço. Era de 1229 [1191].
Medita : pois o que tu és, já eu o fui;
e o que eu sou, tu o serás.
Lembrai-vos de mim ; orae por minha alma.

- Na mata do Bussaco, via-se por cima da porta interior da Portaria de Coimbra uma caveira sobre dois ossos cruzados, representando o X da inicial grega de Christo. Por baixo lia-se numa pequena lapide:

Ó TU MORTAL, QUE ME VÊS
REFLETE BEM COMO ESTOU :
EU JÁ FUI O QUE TU ÉS,
E TU SERÁS O QUE EU SOU.

Os dois últimos versos são uma fidelíssima traducção da formula latina da inscripção sepulcral de Diogo Moniz.

- Borges de Figueiredo, Archeologia

Mosteiro de S. Salvador de Castro de Avelãs




Descrição
Planta longitudinal composta de nave única e cabeceira tripartida com abside e absidíolos, tendo adossado ao absidíolo esquerdo sacristia quadrangular. Nave com massa de predominante horizontal e cobertura em telhado de duas águas, e cabeceira de predominante vertical, com coberturas escalonadas em telhados de duas e uma água, a telha de aba e canudo; sacristia com telhado de uma água. A nave e sacristia apresenta fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas em cornija sobrepostas por beirado simples. Fachada principal terminada em empena, com friso e cornija, coroada por cruz latina de cantaria, sobre acrotério, e de cunhais apilastrados encimadas por pináculos, assentes em plintos paralelepipédicos; é rasgada por portal de verga recta, com moldura encimada por cornija contracurvada, formando falso tímpano de cantaria, encimado por janela rectangular de capialço. As fachadas laterais são rasgadas por janela de capialço, gradeada, e, na lateral direita, por portal de verga recta com moldura simples; a sacristia possui cunhal em perpianho, tendo na fachada principal portal de verga recta e moldura simples. A cabeceira, em alvenaria de tijolo e cantaria de xisto, é percorrida por embasamento em cantaria de xisto e rematada por friso em dentes de serra, cornija e banda lombarda, sobreposta por beirada; a abside apresenta três registos ornamentados por arcaturas de arcos dobrados, de volta perfeita, os dois primeiros sobrepostos e o último desencontrado, sendo rasgada, no primeiro registo, por três estreitas frestas; os absidíolos ostentam dois registos com ornamentação idêntica, rasgados por uma fresta, no primeiro registo. A abside e o absidíolo do lado do Evangelho possuem as paredes fundeiras exteriores rebocadas e pintadas de branco com arcos quebrados dobrados, em alvenaria de tijolo, entrecortados pela cobertura da nave e sacristia respectivamente. O absidíolo direito encontra-se aberto e ostenta parede fundeira rasgada por arco de volta perfeita, dobrado, sobre imposta, dando a ilusão de arco em ferradura; no interior tem embasamento, em cantaria de xisto de aparelho irregular, friso em dentes de serra, seguido de registo decorado com arcos de volta perfeita, o central dobrado e rasgado por fresta, terminado por dois outros frisos em dentes de serra, rematado por cornija; a cobertura é em cúpula de alvenaria de tijolo, apresentando vestígios de reboco e policromia. No lado da Epístola possui arcossólio em arco de volta perfeita e ao centro do absidíolo surge túmulo em cantaria de granito, paralelepipédico, com tampa de secção pentagonal com remate superior em 2 águas. INTERIOR de paredes rebocadas e pintadas de branco, com pavimento, ao centro, em lajes de cantaria de granito, ladeado por soalho de madeira e cobertura em madeira formando masseira. Portal axial de verga abatida; no lado do Evangelho, surge o baptistério, com arco de volta perfeita, de juntas cimentadas, apoiado em pilastras, uma delas embebida na caixa murária, albergando cruz de madeira decorada com resplendor dourado; frontalmente, sobre soco quadrangular de cantaria, dispõe-se a pia baptismal, com taça circular e pé circular. Sobre o soco existem três blocos de cantaria independentes, um deles ostentando decoração geométrica. Do lado da Epístola, possui confessionário com estrutura em madeira e cortiça, tendo a face frontal de três panos e sobre a porta pequeno frontão decorado com elementos relevados. A meio da nave, no lado do Evangelho, surge sobrelevado oratório, em talha dourada e policroma, em arco de volta perfeita, decorado com acantos enrolados e flores, e cartela no fecho, sobre duas pilastras com o mesmo tipo de decoração, sobre mísula ornada com três anjos policromos a branco; alberga peanha dourada e ornada com motivos fitomórficos. Segue-se portal de verga recta e moldura simples de acesso à sacristia e ao absidíolo do lado do Evangelho. Na parede do lado da Epístola a porta travessa, de verga recta, é ladeado, à esquerda, por pia de água benta cilíndrica, de bordo boleado sobre mísula em pirâmide invertida. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, ladeado por dois retábulos colaterais, em talha dourada e policroma branca e azul,de planta recta, e um eixo, sendo o do lado do Evangelho dedicado a Nossa Senhora de Fátima e, o do lado da Epístola, ao Sagrado Coração de Jesus. Capela-mor com paredes laterais de dois panos, o primeiro em alvenaria de xisto, com duplo friso cerâmico criando quatro registos, e o segundo em alvenaria de tijolo, de dois registos sobrepostos, decorados por arcaturas cegas em arco de volta perfeita, encimados por friso em dente de serra; cobertura em falsa abóbada de berço, rebocada e pintada de branco com dois arcos de reforço em tijolo. Sobre supedâneo de três degraus, encosta-se à parede testeira o retábulo-mor em talha dourada, de planta ligeiramente côncava e um eixo, definido por seis colunas torsas, decoradas por pâmpanos e anjos, encarnados, assentes em dupla ordem de plintos paralelepipédicos, ornados de acantos enrolados e querubins, os inferiores mais altos; as colunas prolongam-se pelo ático, em três arquivoltas, com a mesma decoração e unidas no sentido do raio, rematado por friso formado por cartelas enroladas, possuindo no arranque dois anjos encarnados, e tendo no fecho cartela inscrita com a data de 1702; ao centro, abre-se tribuna em arco de volta perfeita, com moldura fitomórfica, interiormente de perfil curvo, com apainelados pintados a vermelho e cobertura em abóbada de concha, com apainelados em talha dourada, decorada com florões, albergando trono poligonal de dois registos, decorado de acantos, integrando ao centro sacrário, com a inscrição IHS e cruz latina em cartela na porta, envolvida por acantos enrolados. Altar tipo urna, em talha a branco, com frontal almofadado, decorado com acantos enrolados envolvendo, ao centro, ave. A sacristia tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento cerâmico e tecto em gamela com estrutura de madeira. Num dos lados possui porta precedida de escada de pedra com guarda de madeira de acesso ao antigo púlpito e, no lado oposto, lavabo em cantaria, de espaldar rectangular, vertical, gravado com motivo inserido num círculo, encimado por reservatório, em arco de volta perfeita, moldurado, terminado em frontão triangular com tímpano inscrito por IHS, encimada por cruz; bacia rectangular, de bordo boleado. O absidíolo, em alvenaria de tijolo, apresenta as mesmas características da capela-mor, tendo abóbada com um arco de reforço.

Enquadramento
Rural, isolado, num vale atravessado pela Ribeira de Fervença, afluente do Rio Sabor, na povoação, a qual é delimitada pelo ribeiro de Ariães e se caracteriza por construções vernaculares em cantaria de xisto, de cor barrenta, e padieiras em cantaria de granito. Possui adro em terra batida com vegetação rasteira, pontuado de árvores, excepto na faixa até ao portal principal, que é pavimentada a cantaria. O adro é murado e acedido frontalmente por portão férreo, rematado por cruz latina, flanqueado por pilares de cantaria de granito, encimados por duas figuras zoomórficas, deitadas, talvez leões. Ex-tramuro, existe, à direita, torre de planta quadrada, em cantaria de granito, conjugando aparelho regular e irregular, bem como alvenaria de tijolo, coroada por sineira em arco de volta perfeita, integrando sino, rematada por cruz latina de cantaria entre duas urnas. Duas das faces são rasgadas por arco quebrado sobre imposta, formando galilé, com cobertura em cruzaria de ogiva, ostentando nervuras em alvenaria de tijolo. À torre adossa-se parcialmente casa vernacular, a antiga residência paroquial, de planta rectangular irregular, em alvenaria mista argamassada, composta por cantaria de granito de aparelho irregular e tijolo, com cobertura em telhado de duas águas, em telha de canudo. A sua fachada principal é rasgada por porta de verga recta, precedida por lanço de escadas, de cantaria, ladeada por duas janelas de peitoril, tendo todos os vãos moldura de madeira com vestígios de policromia vermelha. A fachada lateral esquerda, em alvenaria de granito rebocada, termina em empena e é rasgada por duas janelas de peitoril. Contígua, possui vestígios de muro, em cantaria de granito de aparelho irregular, interrompido por arco de volta perfeita em alvenaria de tijolo. A fachada posterior rebocada e pintada de branco possui dois pisos, sendo o segundo em taipa, com varanda alpendrada. O pavimento é em terra batida possuindo vegetação rasteira, à excepção de um pequeno troço de ligação entre o portão e o portal principal pavimentado a cantaria de granito.

Descrição Complementar
Retábulos colaterais de planta recta e um eixo definido por duas colunas torsas, decoradas por pâmpanos, putti, sobre mísulas com querubim, e de capitéis coríntios, as quais se prolongam no ático numa arquivolta, com raio no fecho; ao centro possui nicho em arco de volta perfeita sobre pilastras, ambas decorados com elementos fitomórficos, albergando imagem sobre mísula, e com querubins nos seguintes; no tímpano do ático surge cartela e acantos. Altares paralelepipédicos, pintados de azul e duas almofadas dos frontais a branco, tendo o do lado da Epístola o monograma AM pintado. TUMULÁRIA: O túmulo do absidíolo S. possui na face lateral esquerda dois brasões gravados, em níveis de relevo distintos, ornados com motivos geométricos idênticos, formada por uma faixa diagonal lisa em torno da qual se organizam estreitos hexágonos. A tampa, com 198 cm, de comprimento, possui a inscrição ERA DE MIL E CCC E, ocupando 130 cm *1.

Época Construção
Séc. XI / XII / XIII / XVII / XVIII / XX

Cronologia
1050 - Concílio de Coyança; divulgação da regra de São Bento em Portugal e criação do mosteiro de São Salvador *2, por monges beneditinos, no lugar vulgarmente conhecido por Torre Velha, no cabeço de Castro de Avelãs, aldeia pertencente ao julgado e comarca de Bragança e da arquidiocese de Braga *3; nos seus bens incluíam-se terras nos actuais concelhos de Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros;
1140 - carta de venda realizada com o testemunho de Egas Moniz;
1144 - carta de couto de D. Afonso Henriques;
1144 / 1145 - era abade D. João *4;
1145, 29 Julho - Afonso I doou herdade na Vila de São Jorge, terreno contíguo, e metade de outra situada em Rio Frio do Monte, a cerca de 30 km do mosteiro, para E.;
1178 - segundo o Abade de Baçal, D. Mendo Alão doou uma propriedade em Vila Meã ao Mosteiro de São Martinho da Castanheira (Sanabria);
1186 - confirmação dos bens do mosteiro por D. Sancho I;
1187 - o rei concedeu-lhe as vilas de Santulhão, Argoselo, Pinelo (incluindo a Igreja de São Mamede), próximas de Rio Frio e da fronteira com Castela, em troca da Quinta de Benquerença, em Bragança;
1199 / 1202 - o mosteiro passou para a dependência do Mosteiro de São Martinho da Castanheira, em Puebla de Sanabria, da diocese de Astorga, Província de Leão;
Séc. XIII - fomentou o povoamento de Miranda e de Vilar Velho de Santa Engrácia;
1202, 12 Maio - o abade Pedro Nunes escamba uma herdade em Castanheira, por outra em Izeda com Fernão Mendes;
1218, Março - o Arcebispo de Braga, D. Estevão excomungou o abade do Mosteiro de São Marinho da Castanheira, que renunciou os direitos;
1227 - o abade outorgou foral a Vale de Prados, a Milhão e Rio Frio;
Séc. XIII, meados - demolição da igreja primitiva;
1253 - foral concedido por D. Afonso III;
1258 - nas Inquirições de D. Afonso III, o mosteiro surge como proprietário de várias povoações e casais *5;
1262 - execução do túmulo existente no absidíolo;
1270 - o abade outorgou foral a Outeiro de Muas;
1280 - o tribunal da corte retirou do couto do mosteiro as localidades de Castanheira e Gostei;
1281 - certidão de carta de privilégio da povoação de Bragança;
1285 - era abade Frei Pedro Sanches; D. Dinis confirmou os bens do mosteiro em Bragança e Miranda;
1290 - D. Dinis dá ao mosteiro as aldeias de Gostei e Castanheira em troca da vila de Outeiro de Muás e doa-lhe o padroado da Igreja de Sezulfe;
1291 - D. Dinis doou-lhe o padroado da Igreja de Frieira;
1297 - D. Dinis doou-lhe o padroado da igreja de São João de Sezulfe;
1299 - D. Frei Paio outorgou foral a Rio Frio do Monte;
1319 - D. Dinis confirmou a posse de bens em Revoredo de Vacas, Sendilho, Santalha e a aldeia e padroado de Frieira e, doou as aldeias de Vila Franca, Viduedo, Vale Prados, Arufe, Ervedosa e Sezulfe;
1320 - no catálogo das igrejas, comendas e mosteiros, Castro de Avelãs foi taxado em 1500 libras;
1344, 12 Julho - o abade apresentou João Afonso para pároco de Lamas;
1346 - D. Afonso IV proibiu o mosteiro de colocar o seu "mampostor" no termo de Bragança para fazer os julgamentos e levar vozes e coimas, pois só os juízes de Bragança podiam exercer a autoridade civil;
Séc. XIV, meados - reestruturação da administração do mosteiro;
1370 - o mosteiro aforou Paçó a 30 casais e deu foral a Palaçoillo de Monte, actualmente Paço de Outeiro;
Séc. XIV, final - os bens e rendas dividiam-se entre a mesa do abade e o mosteiro;
1387, Março - ali se hospedaram o Duque de Lencastre, João de Gant e a sua comitiva aquando do seu encontro com D. João I para a fazer o Tratado de Babe;
1398 - o mosteiro é acusado pelos procuradores do concelho de Bragança de exercer ilegalmente jurisdição no concelho de Ervedosa;
Séc. XV - segundo José Marques, a comunidade monacal reunia um número considerável de membros; o mosteiro entrou em regime de comendatários;
1400 - o abade aforou a aldeia de Arufe, por três vidas;
1409 - o mosteiro deu foral a Grandais;
1413 - o abade denunciou a D. João I o incumprimento dos privilégios do mosteiro, em relação ao concelho de Vila Franca, por parte do alcaide de Bragança;
1422 - D. João I assumiu o patrocínio do mosteiro, atribuindo-lhe privilégios de isenção; contenda entre o concelho de Bragança e alguns concelhos do senhorio monástico, Vila Franca, Vale de Prados Gostei e Castanheira, por terem sido penhorados para contribuir para a construção de uma ponte; o corregedor da comarca de Trás-os-Montes, atendendo a um pedido de D. Diogo Pinheiro, determinou que se fizessem cumprir os privilégios de Ervedosa, Vila Franca, Vale Prados, Frieira, Castanheira e Gostei;
1433 / 1451, entre - o abade delegou no arcebispo D. Fernando da Guerra plenos poderes para governar e administrar o mosteiro que entrava em crise;
1434 - o arcebispo passou a frequentar e permanecer largos períodos no mosteiro;
1435, 8 Julho - confirmações de D. Duarte onde surgem referidos os bens do mosteiro;
1442 - Bragança passou a integrar o património do I Conde de Barcelos, D. Afonso;
1447 - D. Frei Rodrigo, confirmou a substituição de um monge pelo monge Estevão Domingues, na Igreja de Podence;
1451, 25 Abril - D. Afonso V entrega o mosteiro como comenda e determina como capelão D. Luís Eanes-o-moço, a quem concedeu privilégio e protecção;
1451, 6 Maio - D. Luís Eanes foi vigário-geral do arcebispo D. Fernando Guerra, em Trás-os-Montes;
1452 - o Duque de Bragança, D. Fernando II, recebeu e apoiou diversos protestos porque o mosteiro infringia as Ordenações do Reino ao cobrar a terça dos bens dos que não deixavam descendência;
1457 - o Duque de Bragança confirmou as novas coutadas e devesas do mosteiro, mas não tinha privilégios sobre as mesmas porque se situavam fora do limite do seu senhorio;
1463 / 1478 - o abade trocou com o monarca várias povoações, embora sem efeito, e emprazou a quinta de Alfaião; 1463, 4 Junho - empraza umas casas em Bragança;
1490, cerca - integração de Valcovo, no termo de Lamas, na jurisdição do mosteiro, passando a cobrar o dízimo à igreja de Lamas;
1496 - contenda entre o concelho de Bragança e de Vale de Prados, pois os juizes de Bragança tinham imposto picota e tronco neste concelho;
Séc. XVI, início - o cargo de abade era vitalício até à data;
1512 - Frei Rocha vendeu um carro de telha para a Ermida de Santa Cruz, para onde fez um ferrolho, a partir de um ferro de uma janela;
1516 - Frei Bernardo deu a Fernão Pires de Castanheira "um carro de canteados sobrais velhos que cairam das ruinas do paço do mosteiro"; Frei Rocha deu ou vendeu, ao Padre de São Pedro, seis tábuas, no valor de 3$300 reais;
1517 - D. Diogo Pinheiro solicitou a intervenção do Duque de Bragança para que a coima sobre o corte de lenha na devesa fosse aumentada para 500 reais, que seriam repartidos entre o Duque (250 reais) e, o meirinho, e seus homens (250 reais); contrato entre D. Diogo Pinheiro e pedreiro Lopo Ferreira;
1526 - com a morte de D. Diogo Pinheiro, o mosteiro passou para a posse do Duque D. Jaime, que procurou executar as obras contratoadas com Lopo Ferreira;
1529 - Diogo da Paz, feitor do mosteiro, queixou-se ao juiz de fora que continuavam a cortar lenha na devesa, apelando para que apregoasse a proibição e a coima a aplicar, cujo valor de 500 reais passaria a ser partilhada pela cidade e pelos cativos (250 reais) e, o restante, para quem acusasse os infractores;
1545 - a comunidade era constituída por um prior castreiro, oito monges e alguns professos; 22 Maio - Bula Pro Excellenti Apostolicae Sedis do Papa Paulo III extinguindo o mosteiro, passando a estar vinculado à diocese de Miranda do Douro; destruição do templo medieval e reutilização de materiais noutras construções; edificação de outra igreja paroquial mais modesta, não absorvendo o absidíolo S., provocando a sua deterioração, permanecendo um vigário; D. João III doou as rendas à Sé de Miranda e o Cardeal D. Henrique abdicou da posse de uma comenda a favor da mesma;
1546 - a comunidade tinha 30 monges; 26 Maio - publicação da carta régia confirmando a extinção e referindo o prior castreiro, 8 monges e ainda os professos que deviam ser sustentados pelo cabido; Inventário dos bens do mosteiro; 19 Junho - cerimónia da tomada de posse pela diocese de Miranda, estando presentes dois membros do cabido de Miranda, os licenciados Diogo Borges e Pêro Rodrigues e o prior Francisco Correia, Frei Domingos, Bernaldo, João Bernaldo, Diogo, Pedro, Gonçalo e Roque *6;
1549, 28 Março - carta do cabido da Sé de Miranda a D. João III informando que o Mosteiro tinha sido anexado à diocese tal como a Igreja de São João de Serne, anexa ao mosteiro; 19 Junho - cerimónia da transferência da abadia, estando presentes todos os frades e cónegos da futura diocese; a administração dos bens e rendas do mosteiro continuou a cargo dos frades, com a obrigação de ceder boa parte das rendas à diocese;
Séc. XVI, meados - cruz processional de latão;
1588 - o cabido mandou fazer um tombo, relativo à delapidação do mosteiro consentida pelo bispo, cabido e conselho de Bragança *7;
1644 - as rendas ascendiam a 16.000 cruzados; o cabido de Miranda abandonou o mosteiro que ainda mantinha a estrutura primitiva, mas já muito arruinada; Fr. Leão de São Tomás referiu que o túmulo estava na nave central sobre dois leões de cantaria;
1696 - a igreja encontrava-se muito arruinada;
Séc. XVIII - a igreja e o mosteiro encontravam-se arruinados; o cabido ordenou que se reformasse a nave para poder servir a paróquia;
1702 - data do retábulo-mor;
1757 - a freguesia tinha 15 fogos;
1758, 26 Maio - o pároco era reitor de apresentação do cabido e tinha de congrua 30$000, 5 alqueires de trigo de sevedio, 36 de trigo e 10 almudes de vinho; a capela-mor tinha três altares, o central dedicado a São Bento, o colateral N. com a imagem de Nossa Senhora do Rosário e do S. com a de São Sebastião;
1764 - a igreja encontrava-se arruinada pelo que, o cabido mandou reformar a nave para poder assegurar o culto na paróquia, procedendo-se à demolição e reconstrução da nave;
1793 - publicação da inscrição do túmulo *8;
1797, 25 Setembro - com a ruína da igreja de São João Baptista de Bragança, o seu retábulo-mor foi desmontado e transportado para a igreja paroquial de Castro de Avelãs, custando o seu transporte 3$110 e o seu assentamento na igreja 32$110, sendo possível que o trabalho tivesse sido feito pelo carpinteiro da povoação de São Pedro Manuel da Silva;
1849, 8 Agosto - Registo de Mercês de D. Maria II;
1875 - segundo Pinho Leal a frontaria da igreja tinha uma lápide inscrita *9;
1884, 11 Dezembro - anexação administrativa da freguesia de São Bento de Castro de Avelãs à freguesia de Gostei;
1885 - o absidíolo da Epístola ainda se mantinha intacto;
1888, 8 Março - Decreto prevendo a desanexação da freguesia de Castro de Avelãs de Gostei;
1897 - segundo Albino Pereira Lopo, o túmulo já estava separado dos leões, os quais foram colocados no muro do adro, mas antes de ter ido para o interior da igreja estivera num arcossólio exterior da mesma;
1908 - segundo Manuel Monteiro o absidíolo da esquerda encontrava-se quase inteiro;
1909 - a parede fundeira do absidíolo da Epístola ruiu e, algum tempo depois, a abóbada;
1928 - a capela-mor e o absidíolo N. estavam caiados e o absidíolo S. arruinado;
1929 - o Pe. Francisco Alves refere a existência de uma cruz processional de latão, de meados do Séc. XVI, com os braços a imitarem troncos de árvore, nó lavrado e a figura de Cristo recortada em chapa;
1940 - o abade Manuel António Monteiro mandou desaterrar o absidíolo da Epístola, recuperando o pavimento cerâmico primitivo e um nicho;
1941 - reconstrução do absidíolo da esquerda e anexação do da direita à sacristia;
Séc. XX, meados - a cabeceira estava caiada, a fachada lateral esquerda da nave e a sacristia eram cegas, a capela-mor possuía teia de balaústres; nas fachadas laterais existiam vestígios de parede adossados à capela-mor e absidíolos, tendo marcada na primeira 4 janelas rectas fechadas;
1951, 20 Dezembro - o presidente da Junta de Freguesia e o pároco informaram a DGEMN do estado arruinado da igreja, solicitando a intervenção da instituição;
1952, 19 Janeiro - parecer e orçamento pela DGEMN da intervenção necessária (400 00$00);
1961 - no 2º registo de arcatura da capela-mor um dos arcos estava aberto;
1962 - plano de restauro pela DGEMN (400 000$00);
1963 - DGEMN elabora plano de restauro escalonado em 4 fases;
1965, 20 Janeiro - aquisição de terrenos do Estado;
1967 - o Pe. Gastão dos Santos Fernandes alerta sobre o perigo de se perderem o tecto da sacristia, os dois altares laterais, a janela rasgada na parede do lado da Epístola da capela-mor, a torre e a residência paroquial;
1970 - a igreja estava arruinada e abandonada;
1971, 12 Março - a cobertura da capela-mor ainda se encontrava em mau estado; abertura de janela no corpo da sacristia; o baptistério estava na sacristia; possuía coro-alto com escada de cantaria e guardas de balaústres; um dos arcos da arcatura da capela-mor estava rasgado e fechado com vidro; 3 Maio - plano de trabalhos da DGEMN (969 250$00) incluindo a expropriação de terrenos para regularização do adro (10 070$00); 9 Novembro - o túmulo estava no interior da nave, no lado do Evangelho;
1974, 26 Março - a DGEMN dispôs de 50 000$00 para expropriar um terreno junto da igreja e proceder à execução do arranjo da envolvente;
1985, 8 Julho - Câmara informa o IPPC que a envolvente estava abandonada, com vegetação descontrolada, entulho de intervenções recentes e lixo no adro da igreja, e as estruturas do antigo mosteiro recentemente reveladas em risco de se perderem; a torre tinha fendas e corria risco de ruir;
1997, 29 Junho - o Presidente da Junta de Freguesia e o Padre solicitaram ao Presidente da Câmara de Bragança que, em parceria com a DGEMN, procedesse ao restauro da cobertura, cujas infiltrações estavam a deteriorar o forro e o soalho.
Características Particulares
Estruturas várias do antigo mosteiro beneditino de São Salvador de Castro de Avelãs, o qual teve subjacente um projecto grandioso de que apenas restam a cabeceira, restos de uma arcada do claustro, uma torre, que se suspeita ter pertencido à fachada principal da igreja primitiva, segmentos de cerca, em cantaria de xisto, e pavimentos, apesar do nível do solo não corresponder ao primitivo; segundo Carlos A. F. de Almeida (2001), estes elementos permitem concluir que o mosteiro nunca foi totalmente edificado. A maior parte dos coutos referidos nas primeiras doações ao mosteiro, situavam-se a E., próximo da fronteira com Leão, formando uma linha defensiva do território. A cabeceira da igreja afirma-se como caso de excepção no contexto da arquitectura românica portuguesa, devido à conjugação da influência da Escola Borgonhesa, divulgada pelos cistercienses, com o recurso ao tijolo como material de construção, opção que também se verificou nos cubelos do Castelo de Bragança e, que a inclui no românico mudéjar, comparável com alguns templos do N. de Espanha e, de Itália, tendo determinado toda a arquitectura bragançana dos Sécs. XIII e XIV. Existem semelhanças entre a cabeceira de Castro de Avelãs e as da igreja de S. Martín de Cuéllar, em Segóvia, e a da igreja de Peñarandilla, em Salamanca. Segundo F. Alves, possui ainda semelhanças em termos de escala, sistema de construção e aspectos decorativos com as seguintes igrejas espanholas: Arévalo - Santa Maria Lugareka; Segóvia - Santo André, São Basílio, São Salvador, de Samboal e da Trindade; Zamora - São Lourenço de Toro, São Pedro, em Pozo Antigo e São Pedro em Villalpando; Salamanca - Vilória, Rágama e Santa Maria de Béjar; Toledo - Santiago do Arrabal; Palência - Santa Maria de La Veja, e em Ávila - São Nicolau Madrigal das Torres Altas, Santa Maria e Santo Martín. A influência espanhola seria sustentada pelos movimentos de itenerância dos mestres, os alarifes equivalentes ao arquitecto ou mestre de obra e os mazarites, isto é alveneis, especialistas em construção de tijolo, oriundos de Toro, Zamora, Sahagún, León, do aro de Vallodolid e Segóvia, promovidos pela estreita relação entre o Mosteiro Leonês da Castanheira e Castro de Avelãs, a que acresce a abundância da matéria-prima nesta região. A cabeceira serviu de modelo à primitiva cabeceira da Igreja do Convento de São Francisco, em Bragança. Em termos decorativos, os dois primeiros níveis de arcadas cegas, têm os vãos sobrepostos, enquanto no terceiro estes são desencontrados. A todo o flanco esquerdo do corpo, também de ladrilho e com contrafortes exteriores ligar-se-iam pilastras interiores adossadas. Durante o desmantelamento do mosteiro diversos materiais foram reutilizados na Igreja Matriz de Bragança. A reedificação da igreja reduziu o plano da igreja românica, limitando-se à largura da abside e posteriormente construiu-se uma sacristia inserindo o absidíolo esquerdo. O retábulo-mor foi reaproveitado, tendo vindo da igreja de São João, de Bragança. Obras do séc. 20 apearam o coro-alto, de estrutura muito simples, e o púlpito, adaptando o vão a oratório com o reaproveitamento de vários elementos de talha. Segundo F. Alves existem analogias entre o túmulo e um outro existente na Igreja de Malta ou do Divino Salvador, em Macedo de Cavaleiros.

Materiais
Torre, molduras dos vãos, pilastras, friso, cornijas, pavimento, cruzes, pináculos, figuras zoomórficas, baptistério e lavabo, em cantaria de granito; cabeceira, segmentos de cerca e residência paroquial em alvenaria de tijolo e de xisto; alvenaria mista argamassada nas paredes externas do absidíolo do lado do Evangelho, nas paredes interiores da capela-mor e na casa vernacular adossada à torre; retábulos, oratório e atril de talha dourada e policroma; soalho de madeira na nave, de cantaria na capela-mor e cerâmico na sacristia; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; telha de aba e canudo; portão de ferro.

Observações
*1 - Segundo F. Alves (1929), o túmulo deve ter sido de um membro da família de Chacim, devido à identificação de uma banda de arminho gravada, contrariando a corrente, fundada por Frei Leão de São Tomás (1644-1651), então generalizada, que, defendia ter sido sepultura do Conde de Ariães. Este nome teve origem na associação com a Ribeira de Ariães, com nascente na Serra de Nogueira e foz na Ribeira de Fervença, de que é afluente. O título de conde de Ariães, segundo M. Barroca (1996), remete para uma personagem fictícia, ainda que considere que poderá ter existido uma figura da alta nobreza que estivesse associado a esta designação. Aliás existe mesmo uma lenda relacionada, narrada com algumas variantes, mas segundo a qual, certo dia, um conde, depois de ter estado a montar, regressou a casa, ofendeu sua mãe por não ter a ceia pronta e atirou-a a cães famintos que habitavam no pátio do castelo. Por ter cometido este acto cruel, diz-se que foi sepultado juntamente com uma cobra que criara. Mário Jorge Barroca (1996) identificou D. Nuno Martins de Chacim como o destinatário do túmulo, pensando que teria sido executado depois de 1262, pertencendo provavelmente a D. Nuno de Chacim, falecido entre 1283 e 1288.
*2 - Alguns autores atribuem a sua fundação a São Frutuoso, arcebispo de Braga, no ano de 667, o que foi desmistificado por D. Rodrigo da Cunha, na História Eclesiástica de Braga (1634). Segundo Ana Maria Afonso (2000), a fundação do mosteiro pode ser incluída no movimento do monaquismo visigótico, ou hispânico, centrado, sobretudo, no Mosteiro de Dume, atendendo ao local da sua implantação, pois nessa época preferiam-se os vales dos rios, onde se desenvolviam os principais núcleos urbanos, justificando o facto de, na sua maioria, se tratarem de mosteiros familiares, portanto dependentes da localização dos bens das famílias. Neste período observavam-se as normas monásticas de Santo Isidoro ou de São Frutuoso, além das normas do direito eclesiástico (Concílios de Lérida, 546; Toledo, 589, 633, 655; Sevilha, 619, entre outros). A partir de 1080, com a difusão da reforma gregoriana e da regra de São Bento, pelos monges de Cluny, alguns mosteiros foram extintos e, outros, adoptaram estas normativas, como é o caso do Mosteiro de São Salvador. Neste caso, optou-se pela regra de São Bento, o que significava a adopção dos costumes cluniacenses, porém não usufruindo de autonomia relativamente à autoridade episcopal, mas sim colaborando com a mesma. Observância que terá sido interrompida durante o período em que o mosteiro esteve sob a jurisdição do Mosteiro de São Martinho da Castanheira, exercendo um papel relevante na economia e no desenvolvimento da região, sobretudo durante o Séc. XIII.
*3 - Inicialmente, a casa dos monges beneditinos localizava-se noutros terrenos próximos dos actuais, contudo houve necessidade de ampliar o mosteiro e procedeu-se à demolição da Ermida de São Salvador (A. D. B. G. C., Tombo do Mosteiro de Castro de Avelãs, Lv. 76, fl. 4), da qual não restam quaisquer vestígios.
*4 - A sucessão dos abadessados foi: 1178 / 1187 - abadessado de D. Mendo Alão, durante o qual o mosteiro recebeu a filha do Rei da Arménia e sua comitiva; 1192 - era abade D. Martinho; 1199 / 1202 - era abade Frei Pedro Nunes; 1210 - era abade D. Miguel; 1221 - era abade D. Lourenço Rodrigues; 1227 / 1270 - era abade Frei Frutuoso; 1285 - era abade Frei Pedro Sanches; 1287 - era abade Frei Pelágio, ou Paio; 1319 - era abade Frei Martinho Pais, que com D. Dinis fez escambo de algumas aldeias; 1344 - era abade Martinho Pelágio; 1350 - era abade Frei Martinho Lourenço; 1378 - era abade D. Gonçalo Eanes; 1384 - era abade D. Aires (?) Lourenço; 1400 - era abade D. Frei Luís Eanes que aforou a aldeia de Arufe, por três vidas; 1402 - faleceu o abade Frei João; 1402 - os monges ultrapassaram o prazo para nomeação de novo abade, pelo que D. Martinho, Arcebispo de Braga, confirmou "Jure devoluto" Frei Pedro como abade de Castro de Avelãs; 1402 / 1433, entre - era abade Frei Pedro; 1403 - era abade D. Paio; 1405 - era abade D. Pedro; 1433 / 1451, entre - abadessado de D. Frei Rodrigo; 1451, Janeiro / 1454, entre - abadessado de Frei Luiz Eanes-o-moço; 1463 / 1478 - abadessado de Frei Luís Eanes de Madureira; 1490 - era abade comendatário D. Diogo Pinheiro, sendo seu procurador Lopo Ferreira; 1530 - era comendatário D. Paulo Pereira; 1545 - abadessado de D. Diogo Pinheiro; este foi figura notável, filho do Dr. Pêro Esteves e de Isabel Pinheiro, (sepultados na capela da torre da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães), falecido em 1526 e sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, onde foi vigário. Os seus pais foram os fundadores da linhagem dos Pinheiros de Barcelos, possuindo casa nobre construída em 1448 e eram devotos da Casa de Bragança, à qual deviam a sua prosperidade económica e social. D. Diogo Pinheiro distinguiu-se pela notabilidade do seu abadessado, tendo inclusivamente procedido a algumas obras na igreja, embora tenha desempenhado outras funções de destaque, nomeadamente, de Bispo do Funchal, de Comendatário dos Conventos de São Bento de Viana, do Carvoeiro e da Junqueira, de Prior de Guimarães, de Desembargador do Paço, de Defensor de D. Fernando II, Duque de Bragança; 1546 - era abade Frei Francisco Correia; séc. 16, 2ª metade - foram abades do mosteiro D. Paulo Pereira e o Cardeal D. Henrique.
*5 - Era proprietário de Argoselo, metade da vila de Babe (partilhando-a com a Ordem do Hospital), Castanheira, dois casais em Crespos, um casal foreiro do rei em Formentãos, dois casais menos um terço em Formil, Gostei (vila filhada pelo mosteiro), um casal adquirido durante o reinado de D. Sancho II em Izeda, um vilar velho em Lamas de Orelhão, a vila e igreja de Milhão, padroado da igreja de Mós, um casal em Negreda, quatro quinhões em Nunes, vila e igreja de Outeiro, Pinelo, uma herdade reguenga em Rebordãos, doada durante o reinado de D. Sancho II, padroado da igreja de Santo André de Ousilhão, com foreiros do rei e outros cavaleiros, um quarto de casal em Santa Comba de Rossas, um casal em Samil (filhado pela força em 1254), Santulhão, a vila de Sarzeda (excepto quatro casais), uma herdade e dois casais em Selas, um casal em Serzedo, Sezulfe (vila filhada pela força), dois terços de Sortes, dois casais em Travanca, um casal em Uzoi, um vale em Vale Bom, uma herdade em Veiga de Avelãs (colocou marcos numa herdade foreira do rei, quando D. Afonso Lopo era proprietário), Vilar de Sanceriz, Vilares (no reinado de D. Sancho II, os juizes de Bragança queriam povoar a vila, mas o abade ofereceu dinheiro para que isso não acontecesse e ficasse na posse da mesma). Nas Inquirições de D. Dinis os bens do mosteiro são compostos por seis casais em Alfaião, seis casais em Armoniz, um casal e uma herdade em São Bartolomeu de Bragança, co-propriedade de Calvelhe, com fidalgos, Ordens do templo e do Hospital, dois casais em Castrelos, um casal em Edrosa, co-propriedade de seis casais, com fidalgos e a Ordem do hospital, em Ferreira, seis casais em Fomil, catorze casais em Izeda, cinco casais em Lamas, seis casais em Lamas de Orelhão, quatro casais em Moás, dezassete casais em Negreda, cinco casais e um herdamento em Ousilhão, catorze casais em Penhas Juntas, co-propriedade de seis casais em Rebordainhos, com o arcebispo de Braga e a Ordem do Hospital, uma herdade em Rio Frio do Monte, quatro casais em Rossas, dois casais em Sabariz, um casal em Samil, a povoação de Sesulfe, dois casais em Teixeda e dois casais em Vinhais. Em 1435 os bens do mosteiro eram compostos por uma quinta em Alfaião, dois casais em Alimonde, a povoação de Arufe, toda a povoação de Cabanelas, dois casais em Castelãos, sete casais em Selas, dois casais mais um quarto de casal em Coelhoso, um casal em corujas, um casal em Crastelos, uma quinta em Castro de Cova de Lua, cinco casais em Donai, cinco casais em Edrosa, a povoação de Ervedosa, um casal em Espadanedo, um casal em Fontes, quatro casais em Formil, a povoação de Grandais, um casal em Grijó, seis casais em Guide, duas partes da aldeia de Lagomar, sete casais em Lamas de Podenca, um casal em Lação, um casal em Meixedo, a povoação de Milhão, dez casais em Mós, dez casais em Negreda, dez casais em Nogueira, oito casais em Nunes, um casal em Oleiros do Sabor, cinco casais em Ousilhão, a povoação de Paçó, as povoações de Paradinha a Nova e Paradinha Velha, um casal em Penhas Juntas, um casal em Rabal, a povoação de Rio Frio, oito casais em Salselas, uma quinta em Samil, três casais em Santa Comba de Roças, a povoação de Sarzeda, sete casais em Selas, um casal em Serzedo, a povoação de Sezulfe, dez casais em Sortes, as povoações de Soutelo de Pena Mourisca, Vale de Prados Viduedo, Vila Franca e Vila Nova, sete casais em Vila Boa, sete casais em vila Boa de Trás-os-Montes, dois casais em Vinhais e um casal em Zoio; o corregedor determinou que D. Duarte, Duque de Bragança, não podia reclamar privilégios nos casais do arcebispo e vice-versa; Entre 1501 /1514, os bens do mosteiro reuniam um moinho, oito casais (um ermo) e uma terra em Nogueira, um casal em Fontes Barrosas, uma herdade, um linhar, uma eira, uma casa um pardieiro e cinco títulos em Frieira, quatro terras, uma cortinha, uma leira, onze casas, um pardieiro, dois moinhos e vinte títulos em Bragança, cinco casais em Formil, quatro casais e três moinhos em Vila Nova, dois casais em Sarzeda, um casal em Alimonde, três casais em Vila Boa, um couto em Capelinhas (antiga povoação agora erma), uma igreja e oito casais em Lagomar, oito casais e quatro terras em Sortes, dois casais em Edrosa, sete casais em Nunes, três casais e dois moinhos em Santa Comba de Rossas, um casal em Espadanedo, cinco casais em Lamas de Podence, três casais e um moinho em Gradíssimo, dois casais (ermos) em Samil, um casal em Castelãos, um casal em Vinhais, uma igreja (S. Martinho de Alfaião) e dois casais em Alfaião, duas terras, uma vinha, dois linhares, duas leiras, uma casa, um celeiro, um curral, uma adega e onze títulos em Outeiro, dois casais (um ermo) em Crastelos, cinco casais em Donai, uma igreja (S. André de Ousilhão) e um casal em Ousilhão, uma igreja (S. André de Meixedo) e um casal em Meixedo, um casal em Oleiros do Sabor, uma herdade, uma terra, uma vinha e três títulos em São Pedro, um casal em Rabal, uma igreja (S. Miguel de Paradinha a Nova) e quatro casais (ermos) em Paradinha a Nova, um couto, uma igreja (Grandais) e um casal em Grandais, um couto em Paçó, um couto em Refega, um couto em Vale Prados de Milhão, um couto, uma igreja (Rio Frio) e dois títulos em Rio Frio, um couto em S. Mourisco, um couto em Valongo, um couto em Penhas Juntas, um couto (antiga granja) e um título em Ermida de Santa Engrácia, um couto em Milhão, um couto, uma igreja e um título em Paradinha, um couto e uma igreja (Sarzeda) em Sarzeda, um couto em Izei (antiga povoação erma) além de, diversas casas em Bragança, a Ermida de Santa Engrácia em Vinhais, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção em Samil, a igreja de Santa Maria de Lamas de Podence e a Igreja de Lagomar.
*6 - "Depois de juntos os frades em capítulo, ao som da campa tangida, os procuradores do cabido mirandez, leram, magna voce, e mostraram-lhes a procuraão do dito, assim como a bula pontifícia, de verbo ad verbum. Com reverência ouviram as leitura e no fim tomaram a bula nas mãos, beijaram-na e puseram-na sobre as cabeças, declarando que a tudo obedeciam, como lhes cumpria. A seguir, o notário deu posse do mosteiro e da igreja dos procuradores. Continuaram os monges no convento, a seu pedido, como depositários, em nome do bispo de Miranda".
*7 - Existem referências a vendas de toalhas e panos de igreja, de ladrilhos, a Gonçalo Rodrigues, de Vila Nova; ao pagamento de dívidas recorrendo a materiais da igreja, como os casos de Catarina Vaz de Vila Nova, cujo pagamento de um tostão foi feito em madeira, ou, uma Beatriz, da Castanheira, que recebeu madeira, traves e tirantes, usados depois numa casa entre Castanheira e Nogueira; os foreiros do mosteiro também eram pagos desta forma, referindo-se por exemplo um foreiro que havia feito um forno com ladrilhos do mosteiro e, em troca, levara 7 ou 8 pedras lavradas e uma porta para a sua casa; Pantaleão de Morais de Nogueira mandou levar para sua casa madeira do mosteiro; Pedro Lopez, licenciado, levou um portal de cantaria, que foi reutilizado na casa do licenciado Manuel Gomez; João Cortez de Castanheira levara dois cravos do mosteiro; João Vaz de Formil levara cinco ou seis ladrilhos; Pedro Pirez levou uma tábua, que transformou em palheta para um moinho e três cravos pequenos; para a casa de Gonçalo Teixeira, em Gostei, teria sido levado um portal; Manuel Morais possuía em casa uma pedra com sua medalha; o paço dos abades e as casas do mosteiro também foram delapidados; madeira e outros materiais foram reutilizados no colégio de São Pedro (madeira, cantaria e grades da sacristia), Colégio dos Jesuítas (uma campa) no Convento de São Francisco, na Igreja de Santa Maria (madeira e ladrilhos), na Igreja de São Jorge, no Convento de Santa Clara (onde se usou madeira e uma portada). Os materiais desviados tiveram também os mais diversos fins: para os pés de um órgão, para poder tocar nas procissões; para a essa do duque, obséquias feitas no convento de São Francisco, ficando depois a madeira para os frades que com ela fizeram um dormitório, para os palanques e tabernáculos de uma tourada que se realizou quando o duque veio de África, etc.
*8 - A inscrição do túmulo, ainda no interior da igreja, foi publicada por Francisco Xavier Ribeiro de São Payo nas Memórias da Litteratura Portugueza: ERA DE MIL E CCC E. *9 - Segundo Pinho Leal a lápide tinha a inscrição D. DIOGO PINHEIRO, BISPO DO FUNCHAL, ADMINISTRADOR D’ESTE CONVENTO, MANDOU FAZER ESTA OBRA; numa credencia, em mármore, colocada no altar-mor, do lado da Epístola, lia-se DEO AETERNO ORDO ZELATUR EX VOTO.

(fonte: IHRU)

Carta de Teodomiro, rei dos suevos


Carta de Teodomiro, rei dos suevos, escrita aos bispos que se encontram reunidos no Concílio de Lugo sobre as igrejas que ficam pertencendo às várias dioceses

- Jan. de 569 (TT)

Mosteiro de Santa Maria de Moreruela

«...fratres de Moreyrola populaverunt villam de Constantim et villam Sancti Johanis in Miranda...»

Monasterio de Santa María de Moreruela

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cabido da Sé de Coimbra

A existência do cabido da sé de Coimbra é anterior à data de 13 de Abril de 1086, tradicionalmente atribuída para a sua fundação. O documento que refere este facto contém uma interpolação de narrativa histórica. A sua constituição poderá, efectivamente, ser anterior.

A sé de Coimbra desempenhava um papel de relevo, porque estava situada na futura capital do reino e porque o seu território abrangia extensos e ricos povoados. Esta diocese, que se estendia, para o norte, até ao Douro, manteve permanentes contendas sobre a jurisdição de igrejas e os direitos episcopais com as sés do Porto, de Braga e, ao sul, com a sé de Lisboa.

Eram constantes os conflitos de poder com outros prelados, facto atestado pelo grande número de bulas destinadas a apaziguar estes confrontos.

A 23 de Março de 1102, a bula " Apostolicae sedis", de Pascoal II, outorgou à sé de Coimbra a administração das sés de Viseu e Lamego, nas quais não havia prelados e que detinham um baixo índice populacional, por terem sido muito fustigadas pelas guerras da Reconquista. Esta administração manteve-se até 1147.
As questões de jurisdição sobre as igrejas pertencentes ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra foram regulamentadas no tempo de Inocêncio III, pela bula "Cum olim",de 26 de Junho de 1203.

Após a segunda reconquista cristã (1064), observou-se uma proliferação de mosteiros e conventos que tiveram um papel decisivo na fixação das populações.

Posteriormente, com a reforma dos mosteiros e conventos (Santa Cruz, Santa Maria de Celas, Santa Clara e Santa Maria de Lorvão), a vida regular conheceu um grande desenvolvimento.

D. Paterno, bispo de Coimbra (1080-1087), reuniu, durante a sua prelatura, pela necessidade de evangelização, um grupo de jovens clérigos, o cabido catedralício, para o auxiliar nas tarefas pastorais, litúrgicas e de administração diocesana.
O cabido, dirigido por um "prepositus" ou prior, tinha vida comunitária, organização interna estabelecida, difundia a liturgia romana e a reforma gregoriana e praticava a regra de Santo Agostinho. As dignidades dos cónegos eram as seguintes: deão ou prior, a quem competia, também, a administração patrimonial; chantre, que tratava do canto e das cerimónias; mestre-escola, para ensinar, entre outras artes, a gramática; tesoureiro, guardava os livros, documentos e alfaias litúrgicas; arcediagos (quatro, no séc. XII), auxiliados pelos arciprestes. Designavam-se porcionários (raçoeiros, terciários) outros eclesiásticos que substituíam os cónegos nos seus impedimentos.

Com o conde D. Sesnando, D. Paterno fundou a escola catedralícia, sob a orientação do arcediago e, depois, do mestre-escola, onde os jovens estudavam as humanidades e eram preparados para a vida eclesiástica.

Ainda existia em 1140, como catedral, uma igreja moçárabe com a invocação de Nossa Senhora.

D. Afonso Henriques mandou erguer no mesmo local um templo românico, hoje Sé Velha. Em 1772, a antiga igreja do Colégio dos Jesuítas passou a funcionar enquanto sé. É a Sé Nova que assim permaneceu até aos nossos dias.

Desde tempos remotos que a catedral de Coimbra é dedicada a Santa Maria e promoveu, largamente, a difusão do culto mariano, a par de outras cerimónias litúrgicas. Com D. Egas Fafe (1248-1267), os cónegos cantavam, diariamente, a "Salve Regina". Em 1295, D. Aymerico d' Ébrard (1279-1295) instituiu a celebração do "Corpus Christi" e, em 1320, D. Raimundo d' Ébrard (1319-1324), a festividade da Imaculada Conceição.
O Livro Preto, enquanto cartulário da Sé, e o Livro das Calendas, contêm o registo dessas actividades de canto e de assistência à pobreza.

Nas primeiras décadas de 200, generalizou-se, em território nacional, a formação das mesas capitulares. As prebendas, rendimentos da mesa capitular, eram atribuídas, de acordo com a hierarquia, em porções fixas, e constituíam a base do sustento de cada cónego.

O cabido era então constituído, no século XI, por cerca de uma dezena de cónegos; com D. Gonçalo (1109-1127), por trinta cónegos; com D. Martinho (1183-1191) , encontramos já cónegos em número de quarenta. Com D. Pedro Soares (1192-1232), por uma carta estatutária de 17 de Março de 1210, deu-se, a exemplo da sé de Braga, a cisão definitiva entre a mesa episcopal e a mesa capitular.

As "Constituições do bispado de Coimbra"não contém informações acerca da organização e gestão dos bens das duas mesas e depósito dos livros e documentos da chancelaria. Estas funções foram exercidas do mesmo modo das levadas a efeito no bispado do Porto, para as quais existe documentação.

Em 1210, as rendas da sé são divididas em três partes (duas para o bispo e uma para o cabido).

O cabido tinha a seu cargo os assuntos de carácter económico, que diziam respeito à administração do seu vasto património, e as procurações passadas pela canónica aos seus mandatários para sua representação, com uma produção documental de tipologia variada. A documentação do séc. XIX (1836) refere que ocabido nunca teve a seu cargo o paço episcopal e os seus móveis.

O mais antigo documento capitular selado data de 1242 mas o primeiro selo do cabido de Coimbra é bastante anterior (início do séc. XIII). Até ao 1318, a canónica da catedral utilizou sete matrizes, todas com o formato de dupla ogiva e de invocação mariana.

O colégio canonical transformou-se, progressivamente, num corpo autónomo, que defendia os seus direitos, muitas vezes em oposição declarada face aos interesses da prelatura.

Durante os séculos XII e XIII, o cabido da sé de Coimbra sofreu uma progressiva secularização, integrada na evolução seguida no contexto nacional e europeu, com a acumulação de benefícios e rendimentos próprios, e expressa nos estatutos outorgados, em 1229, pelo legado papal, Jean d'Abbeville, bispo de Sabina, encarregado de implementar as decisões do IV concílio de Latrão (1215). A forma de vida do cabido deixou de ser comunitária e as principais obrigações dos cónegos eram as litúrgicas.

Em 1414, o número de canonicatos era de 38.
Com a diminuição das rendas, deu-se o decréscimo do número de cónegos, que eram 27 em 1453, chegando, no tempo dos liberais, a 12, nomeados pelo governo.

Os estatutos foram alterados, de novo, em 1572, por D. João Soares e, em 1741, por D. Miguel da Anunciação.

(fonte: TT)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Palaçoulo

Palatiolum ou Palaçuolo

Há indícios de que o seu povoamento tenha tido inicio em épocas pré-históricas.
Esta conclusão é fundamentada pela descoberta de figuras rupestres em Palaçoulo.
O espólio aqui encontrado é composto, para alem de desenhos gravados em rocha, por algumas escavações feitas na pedra, identificadas como possível Santuário rupestre, sendo distinguidos, nas rochas marcas de espaços rectangulares e do que parecem ser pias. Estes achados são de extrema importância histórica e valor arqueológico.

Há também manifestações da permanência romana no território da freguesia, confirmados pela existência de vestígios de um Castro talvez romanizado (Penhal Castro), a Oeste da povoação, e ainda vestígios de um povoado romano, o “Toural”.
Crê-se que o seu topónimo tenha tido origem na língua Latim, com o termo “Palatiolum”, sofrendo uma transformação para Palaciolo na Idade Média, sofrendo evolução para Palaçuolo, em Língua Mirandesa.

A Heráldica da freguesia, cujo o parecer foi emitido a 24 de Abril de 2001, é composta por Brasão, Bandeira e Selo, figurando em cada um deles o seguinte: Brasão – Escudo de ouro, feixe de uma espiga de trigo e duas de centeio, de verde, passadas e atadas de vermelho, entre duas rodas dentadas de vermelho, tudo alinhado em faixa. Em chefe, cruz da Ordem de Cristo.

Palaçoulo, adonde bás
Cun tanto porgresso, tanto
Que yá sós i mais serás
La tierra de l mui ancanto

Coro
Nossa tierra mirandesa
Nuosso rincon sim eigual,
Sós tan çfrente na beleza
De quando hai na Pertugal!

Cun palicos a bater
Tenemos danças antigas
I mocicas que hai que ber
Báilan i cántan cantigas!

Yé honra i pruoa pr’a nós
Nuossa fala mirandesa,
Lhiéngua de ls nuossos abós,
Harmana d’la pertuguesa.


- Hino de Palaçoulo

(Disponibilizado pela Junta de Freg.)

Da falta de discernimento

Existe um livro com o título:

«Libro, de la conuersion de la Magdalena, en que se ponen los tres estados que tuuo de peccadora, y de penitente, y de gracia»

escrito por fr. Pedro Malon de Chaide, da Ordem de S. Agostinho.

Uma vez mais, Maria Madalena, símbolo de Mulher, retratada como uma pecadora, uma devassa, penitente, e posteriormente, e após uma prolongada angústia e sofrimento, em graça ...

O problema foi, de facto, o Concílio de Trento? Ou de uma forma básica e rude a incapacidade de discernimento, cobardia, ou, tão só, a incapacidade de sentir?

A Torre do Templo, Paris

Archivo Popular


quarta-feira, 23 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

A Capela de D. Estevão Peres Espinhel

O Cavaleiro do Templo D. Estevão Peres Espinhel conjuntamente com sua Mulher D. Maria, instituiram em 1281 uma Capela quotidiana (uma Capela quotidiana, é o rezar de missa(s) diariamente, sob determinadas condições estabelecidas pelos seus instituidores, e fazendo os seus instituidores reverter determinadas rendas para tal efeito).

Tal Capela foi instituída na Ermida de São Til Afonso, junto a Santa Maria dos Olivais.
(Ficaram estupefactos? ...)

Para a manutenção da Capela, deixou uma Quinta em Travanca.

Entretanto, com a extinção da Ordem do Templo, as rendas foram apropriadas e andaram a ser consumidas pelos vigários (faz juz ao sentido atribuído pelo calão ...) de Santa Maria dos Olivais, sem que tais indíviduos tenham rezado uma missa sequer ao longo de 300 anos ... pelos instituidores de tal Capela.

Oucidres

Oucidres foi cabeça de Comenda da Ordem de Cristo e do Padroado Real.



Foi reitoria da apresentação da mitra, ou, segundo a estatística paroquial de 1862, da apresentação alternada da sé e da mitra.
Foi cabeça de comenda da Ordem de Cristo, no termo da vila de Monforte de Rio Livre.
Pertenceu ao concelho de Monforte do Rio Livre, extinto em 31 de Dezembro de 1853, passando nessa data a integrar o de Chaves.
A freguesia é composta pelos lugares de Oucidres, Vila Nova e Vilar de Iseu.
A paróquia de Oucidres pertence ao arciprestado de Chaves e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922.

O seu orago é Santo André.

No centro da aldeia ergue-se um interessante cruzeiro, e a umas dezenas de metros deste uma bela capela, conhecida por Capela do Larouco, de um só altar e com a frontaria ocupada por uma galilé. A padroeira é a Senhora do Rosário. É nesta capelinha que segundo dizem guardam umas santas relíquias, que o povo diz terem grandes virtudes contra a doença da raiva ou hidrofobia.

A designação Larouco poderá indiciar a cristianização desta divindade pagã.

Possui ainda uma interessante fonte de mergulho.

No espaço das terras de cultura eleva-se uma pequena eminência a que o povo dá o nome de Alto da Torre o que poderá indicar que ali poderia ter existido uma fortaleza medieval.

(Fotos e texto em citação: Ribeiro D. C.)


O monte Larouco, deus protector das terras de Barroso


Juro que voltarei
ainda que morresse ontem!
Voltarei aceso na cor louca da açucena
na inocência do homem
nos mil lírios do poema
voltarei!
Voltarei no pó do granito cinzento
na saudade do sorriso breve
no volteio alucinante do regibó no vento
na redonda monotonia da neve.
No jovem capaz de admirar-te
na memória do velho que se adivinha
Juro que voltarei!
Juro que voltarei para amar-te;
voltarei, pátria minha,
porque sempre te amei.


- José Dias Baptista, A Pátria Barrosã

segunda-feira, 21 de março de 2011

Castro Laboreiro: Santuário pré-romano

A designada Tutela (entidade nacional que é suposto garantir a preservação do património nacional ...) apelida o Santuário de: "Gravuras Rupestres do Fieiral".


"Um estudo muito bem feito, sim senhor" ...

A versão da Tutela para o Santuário:

Descrição
Conjunto de gravuras rupestres distribuídas pela superfície de dois afloramentos graníticos, um dos quais de grandes dimensões. Os motivos são de carácter geométrico-simbólico. Embora as rochas ainda estejam em estudo *1 parecem ser dominantes composições com base nos motivos de quadrados de cantos redondos segmentados por dois diâmetros. Visualizam-se igualmente alguns podomorfos e paletas.

Enquadramento
Rural. Planalto de Castro Laboreiro, já próximo das brandas da margem direita do rio Laboreiro. Vegetação dominante degradada, tojos, carqueja e urzes, substrato granítico. Pequeno anfiteatro natural virado a SO., dominando o vale do Laboreiro e, em fundo, as cristas da Serra da Peneda. Vêem-se em primeiro plano os últimos campos agricultados das brandas mais orientais e corre próxima a levada de água que as abastece.

Cronologia
Bronze Final / Idade do Ferro - gravação dos motivos.

(fonte: IHRU)

Castro Laboreiro: Santa Maria do Castelo


Como em tantos e tantos Castelos Templários do Séc. XII em Portugal, construídos e/ou reconstruídos pelos Templários, também o de Castro Laboreiro teve um templo dedicado a Santa Maria; o templo de Santa Maria do Castelo.

Também como em tantos e tantos Castelos Templários portugueses do Séc. XII, enfrenta-se uma desarrazoada destruição das construções, e acima de tudo, do espírito do local.

Dos templos dedicados a Santa Maria nos Castelos Templários, muito pouco ou quase nada existe hoje.

O Castelo de Castro Laboreiro teve no seu interior o: templo de Santa Maria, do Castelo.

Castro Laboreiro: Castelo

Este Castelo foi reconstruído pelos Templários.

Descrição
Planta oval, orientada no sentido N. / S., com restos de pano de muralha erguidas sobre as fragas, por vezes fazendo reentrâncias, que correspondem às antigas torres assinaladas por Duarte Darmas. A entrada principal - Porta do Sol - abre-se a nascente e a da traição - Porta do Sapo - a N., de arco pleno sobre pés-direitos. Pano de muralha no sentido E. / O. cria recinto fechado, com acesso por ponte de arco pleno sobre pés-direitos, e utilizado para recolha de gado e bens em época de invasão. Junto a esta muralha conservam-se ruínas da antiga cisterna.

Época Construção
Séc. XIII (conjectural)

Cronologia
Séc. 09 - D. Afonso III das Astúrias, o Magno, dá povoação de Castro Laboreiro e Castro ao Conde D. Hermenegildo, avô de São Rosendo, por este ter vencido Witiza que se havia revoltado; durante o domínio do Conde galego, o Castro foi adaptado a castelo, caindo depois no poder dos mouros;
1144 - D. Afonso Henriques conquista-o;
1145 - restaura-o; [adivinhem quem o restaurou, e assegurou a segurança e povoamento ...]
Séc. XIII - segundo inscrição, D. Sancho I completou a obra [!];
1212 - arrasado durante a invasão Leonesa;
1290 - reconstruído por D. Dinis; os Gomes de Abreu, de Merufe, tiveram durante muitos anos a alcaidaria de Laboreiro, que andava junta com a de Melgaço;
1375 - D. Fernando deu a alcaidaria a Estevão Anes Marinho;
Séc. XIV - depois da conquista de Melgaço, D. João I usou Castro Laboreiro para deter as várias incursões castelhanas vindas da Galiza;
1441 - era alcaide-mor Martim de Castro, que foi afastado devido a queixas dos moradores da vila;
1666, Maio - Baltazar Pantoja tomou o castelo de supresa depois de 4 horas de luta; deixou como Governador D. Pedro Esteves Ricarte, que se rendeu ao 3º Conde de Prado, D. Francisco de Sousa;
1671 - o rei, ao contrário do parecer de Michel Lescole, decide conservar o castelo de Castro Laboreiro;
1715 - depois de estabelecida a paz, ficou desguarnecido;
1766 / 1778 - o Conde de Bobadela, Governador das Armas da Província, ali mandou recolher 400 homens e mulheres que se negaram a apresentar seus filhos recenseados para o serviço militar;
1746 / 1779 - foi Governador da vila de Castro Laboreiro Manuel de Araújo Machado;
1801 - ocupado por tropas e defendido com 4 peças.

Características Particulares
Castelo construído no cimo de um monte, de difícil acesso, adaptando-se à morfologia do terreno. Foi construído por D. Dinis onde anteriormente se erguia um outro referenciado documentalmente desde há muito.

Observações
Segundo os desenhos de Duarte de Armas, o castelo de Castro Laboreiro tinha, por volta de 1506, as muralhas reforçadas por 5 torres quadrangulares envolvendo a torre de menagem central, precedida por outra construção e com cisterna mais para N. A S. erguia-se junto à torre construção não identificada. Na planta assinala apenas 1 porta a S., contudo no desenho lateral assinalou 2, as mesmas marcadas na planta actual do castelo.

(fonte: IHRU)